O galo nos despertou
Estamos todos de pé
No fogão de lenha as brasas
O cheiro de café está no ar
Pãezinhos com cheiro de mofo
Em uma lata de Margarina
que serve para guardar farinha
As galinhas contribuíram com o café da amanhã
Haja vista que os ovos ainda estavam morninhos
Meu filho que acordou mais cedo
Já fez o primeiro caminho d'água
E o meu cavalo já me espera ansioso
Hoje vou planta roçar feijão e milho
Pois a chuva caiu forte nessas bandas
Vem descendo e virando cachoeira
E a meninada está em festa
Todos querem colaborar com o plantio
Mas, antes vou à bodega
Comprar uma pinga para oferecer
Aos muitos voluntários que vão chegando ao longo do dia
E umas rapaduras e bolachas para a merenda no campo
Dona Maria de Jucá é a primeira a chega
O trabalho é pesado e carece um reforço
Enxadas na mão, todos partes e começa
O novo ciclo de esperança em fartura
De novas chuvas e um tempo melhor
Deus nos concedeu um novo olhar
Já a minha Zefinha cultiva uma horta
E colhe umas plantas de cheiro
Pra temperar nossa boia
Mais tarde tem feijão branco
Farofado com galinha
E um caldo de pimenta
O Cultivo associado ou consorciado de milho e feijão é uma prática muito utilizada entre os nordestinos que tem pouca terra.
Agricultura de subsistencia
Meu nome é Inácio
Entre Fulanos e sicranos