Dia do Nordestino - 08 de Novembro

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Paixão errada - Dorgival Dantas

Paixão errada - Dorgival Dantas

Eu errei quando acreditei totalmente em você
A gente quando se apaixona não quer nem saber
Só pensa que vai ser feliz e nunca vai sofrer
porque...que qualquer pessoa apaixonada fica cega e surda?
e incapaz de aceitar conselhos como ajuda
insiste na paixão errada até se arrepender, sem saber

eu devia ter notado
naquele dia que você me olhou
mas meu coração apaixonado
abandonado, carente de amor

nada pude dizer 
você soube fazer...me pegou
comecei a gostar
quando ia te amar...me deixou

eu vou lutar pra lhe tirar da minha mente
vai levar tempo mas eu vou te esquecer
não é possível que eu não encontre outra pessoa 
boa, que esteja a toa, e melhor do que você 

eu vou lutar pra lhe tirar da minha mente
vai levar tempo mas eu vou te esquecer
não é possível que eu não encontre outra pessoa 
boa, que esteja a toa, e melhor do que você, que não me faça sofrer 

eu devia ter notado
naquele dia que você me olhou
mas meu coração apaixonado
abandonado, carente de amor

nada pude dizer 
você soube fazer...me pegou
comecei a gostar
quando ia te amar...me deixou

Eu, a cama e Nobelina - Zé Laurentino

Eu, a cama e Nobelina  
Zé Laurentino

Seu moço vou lhe contar

uma historia pequenina,

historia de um casamento

que tive com a Nobelina.


Nobelina, meu patrão

morava parede e meia

no sítio donde eu morava

não era lá muito feia,

também não era bonita,

mais tinha o corpo roliço

e os óios da mulata

parecia ter feitiço.


O corpo de Nobelina

endoidava qualquer macho

pois era fino no meio

porém muito grosso embaixo

a cintura da muié

era uma tentação

parecia inté que tinha

sido feita com a mão.


Para o nosso casamento

eu tinha feito um estudo,

a nossa casa pequena

mais tava pronta de tudo

desde a cama, o principal

ao troço mais miúdo.



Todo dia ao meio dia

eu encostava a enxada

mode feliz contemplar

nossa futura morada.


Em meio à mata serena

a casinha era pequena

mais tava bem arrumada

com cinco ou seis tamboretes

uma mesa, um petisqueiro,

uma banca, uma quartinha,

quengo, prato, candeeiro

e um coração de Jesus

de olhinhos bem azuis

que eu comprei no Juazeiro.


E oiava aqueles troços

que nem quem assiste um drama

pois tudo fica bonito

no tempo que a gente ama

mais entre os troços, patrão

um me prendia a atenção

era a danada da cama.


Eita troço abençoado,

de qualquer uma invenção

que o homi fez até hoje,

gravador, televisão,

telefone e telegrama,

pois quem inventou a cama

pra’ mim é o campeão.


Cama é o único objeto

que nunca causa acidente

da queda de uma cama

nunca vi ninguém doente.



Cama é sempre uma cama

seja ela fraca ou cara

cama de couro de boi,

ou cama feita de vara.

Cama coberta de linho,

cama coberta de esteira,

a cama silenciosa

e a cama estaladeira.


Cama que guarda segredo

por isso eu lhe quero bem

porque ela assiste a tudo

sem dizer nada a ninguém.


Quando eu estou doente

a cama é quem me socorre

na cama eu curo a ressaca

depois de um dia de porre

e nela a ressaca vai-se,

é na cama que se nasce,

é na cama que se morre.


De toda música do mundo

eu lhe digo sem fofoca

para mim a mais bonita

é a música que a cama toca.


Aquele seu rangidinho

só rangido de porteira

faz a gente adormecer

nos braços da companheira.


Nem os baiões de Gonzaga,

nem o acordeon de Noca

toca musica mais bonita

do que o que a cama toca.


Mais eu vou deixar a cama

minha companheira alpina

pra’ falar do casamento

que eu tive com a Nobelina.



Tudo pronto, tudo certo

casei-me com a morena

passado uns cinco ou seis meses

nós fomos pra’ uma novena

e a novena era na casa

de seu Antonio Sibiu

por motivo da chegada

de um seu filho Dario

que há quatro ou cinco dias

tinha chegado do Rio.



Quando nós chegamos lá

já tinha gente demais

a novena era do santo

mais veja o que o povo faz

em vez de falar do santo

só falava no rapaz.



Mais como ele tá gordo,

como ele voltou bonito

era a conversa das moças

mas achei muito esquisito

só porque a Nobelina

ao falar com o rapaz

sustentou na sua mão

que quase não solta mais.



Eu fiz que não tava vendo

fui beber no botequim

dei uma cordinha a ela

porque muié é assim,

quando tá com a corda toda

mostra se é boa ou ruim.



E quando eu voltei, seu moço

já fui vendo o carioca

grudado com a Nobelina

e os dois numa fofoca

que uma cachorrada daquela

só vi na casa de Noca.



A essa altura, patrão

me deu sono pra’ dormir

fui convidar Nobelina

porém ela não quis ir

tive que voltar sozinho,

sozinho na madrugada

e nessa noite doutor,

a cama não tocou nada.



Mais não tem nada seu moço,

eu não vou lamentar, pois

Nobelina foi-se embora

eu arranjo outra depois,

quem é forte não reclama

mesmo porque minha cama

só sabe tocar com dois.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Chuva de Honestidade - Flávio Leandro

Chuva de Honestidade
Flávio Leandro



Quando o ronco feroz do carro pipa, cobre a força do aboio do vaqueiro
Quando o gado berrando no terreiro, se despede da vida do peão
Quando verde eu procuro pelo chão, não encontro mais nem mandacaru
Dá tristeza ter que viver no sul, pra morrer de saudades do sertão

Eu sei que a chuva é pouca e que o chão é quente
Mas, tem mão boba enganando a gente, secando o verde da irrigação
Não! Eu não quero enchentes de caridade, só quero chuva de honestidade
Molhando as terras do meu sertão

Eu pensei que tivesse resolvida, essa forma de vida tão medonha
Mas, ainda me matam de vergonha, os currais, coronéis e suas cercas
Eu pensei nunca mais sofrer da seca, no nordeste do século vinte e um
Onde até o voo troncho de um anum, fez progressos e teve evolução

Israel é mais seco que o nordeste, no entanto se investe de fartura
Dando força total a agricultura, faz brotar folha verde no deserto
Dá pra ver que o desmando aqui é certo, sobra voto, mas, falta competência
Pra tirar das cacimbas da ciência, água doce que regue a plantação





domingo, 25 de março de 2018

A Hora do Amor - Agnaldo Timóteo

A Hora do Amor é uma canção de Agnaldo Timóteo.
Também lembrada com o título  O Relógio da  Praça,
me lembra o parquinho armado na Rua João Pessoa,
onde toda tardinha íamos brincar.
A música de fundo,entre tantas, lembro-me muito bem dessa

O Relógio da Praça - Agnaldo Timóteo com fotos de Picuí PB
























Há quanto tempo estou chorando 
Todo dia toda hora
Tudo mudou de repente
Já não vivo como outrora
Meu amor está tão longe
E até já me esqueceu
O relógio lá da praça
Não se cansa de marcar
O tempo de sofrer, o tempo de esperar
Mas nunca ele pode a hora de amar
E desse modo solitário
Sem motivo pra viver
Vou seguindo meu caminho
Só lembrando de você
Meu amor está tão longe
E até já me esqueceu
Se o relógio lá da praça
Ela um dia escutar
Por certo entenderá
Que estou a lhe chamar
Pra viver outra vez
A hora de amar

sábado, 3 de março de 2018

Matuto No Cinema
Jessier Quirino
Compositor: Jessier Quirino


E o matuto, rapaz...

Anafalbeto de pai e mãe... e parteira

E sai do sertão pra capital

pra assistir um filme estrangeiro legendado

quando ele volta pro sertão,

mas ele num conta o filme todinho?



"má rapai

eu fui lá na capitá rapai

eu assisti um filme altamente internacioná

pense num filme internacioná!

e tem uma coisa: um filme mafioso...

um fime mafioso...

Ói tinha dois atista:

tinha o atista que sofria e o atista que salvava.

Meu cumpadi

o atista que sufria: pense num cabra corajoso!

Rapai, o caba num tinha medo de nada não rapai!

Rapaz, os bandido!

os bandido pirigoso que só buchada azeda!

invocado que só um fiscal de gafiera

sério que nem um porco mijano!

tinha o dedo da grussura de um cabo de foimão!

amarraro o atista com imbira!

e tem uma coisa: imbira dos Estado Zunido,

num tem quem se solte não rapaiz!

Amarraro o atista com imbira,

butaro o caba sentado a força numa cadera

ai chego o bandido, buto o dedo na cara do atista e

disse:

num sei que lá, num sei que lá, num sei que lá, num

sei que lá, num sei que lá.

Tá pensano que atista teve medo rapaiz?

O atista amarrado com imbira rapai, teve que ouvi

tudinho,

mas muito do tranquili, olhô pa cara do bandido assim

e disse:

num sei que lá, num sei que lá, num sei que lá o quê

mermão???

mas rapaiz...esse bandido inchô feito um cururu no

sal, num sabe?

isfregô o dedo na cara dele assim e disse:

num sei que lá, num sei que lá, num sei que lá, num

sei que lá, seu fila da puta!!!

Tu tá pensano que o atista teve medo?

oxe, amarrado com imbira, do jeito que tava,

ficô muito do tranquili, olhô assim pro vbandido e

disse:

num sei que lá, num sei que lá, num sei que lá o

carai!!!

Mas meu cumpadi, esse bandido pegô um ar, pense numa

pegada de ar!

MAs raái, foi uma pegada de ar tão mudida do poico!

ai puxô uma chibata feita de virola de pneu de

caminhão, num sabe,

mais cumprida de que uma língua de manicure,

deu-lhe uma chibatada tão aparetada a um coice de

besta parida,

que ficô iscrito assim da taba dos quexo pa porta da

orlha do individuo:

FIRESTONE

eu sei que nessa hora, no mei dos bandido,

tinha um que era do time do atista, rapai

do time da gente, num sabe?

e ele tava camuflado feito rapariga de pastô:

num tinha quem desconfiasse, rapaiz!

camuflado la por dento, e ele tinha um relógio, puxado

pa telefone,

ai ele foi prum pé de parede cum relógio dele

aí passô o bizu pa puliça que tava lá em baixo

ele pégô o relógio e disse:

num sei que lá, num sei que lá, num sei que lá, num

sei que lá, num sei que lá,

contô tudinho à puliça

a puliça lá em baxo nos carro uvindo tudo pelos radio

e a puliça dos estado zunido, num se veste de puliça

não!

se veste de adevogado!

Aí a puliça dento dos carro só fez pegá o rádio

e chamá os carro tudim dos estado zunido rapaiz:

acunhe, acunhe, acunhe, acunhe, todos os carro

acunhe, que o negocio é serio,

acunhe, acunhe, acunhe, acunhe,

aí os carro acunharo,os carro acunharo, acunharo

aí era mais carro em cima do prédio, de quê romero em

cima de Pade Ciço

o prédio, rapai era um prédio grande,

tinha uns 2 ou 3 andá,

ou era um colégio de frera, ou era uma prefeitura

eu sei que num tinha quem entrasse:

um prédio todo de vrido, infeitado feito pintiadera de

rapariga, num sabe?

aí a puliça tome corda, tome corda, tome corda, tome

corda,

quando a gente pensava que era a puliça que ia subi

por fora do predio

pra salvá o atista,

aí veio o momento mais arrepiadô do filme, rapaiz!

foi quando chegô o atista principal, o atista

salvadô!

e ele vêi num avião daquele,

daquele avião que tem uma penera em cima, num sabe?

aí o avião vei

e o avião num vuava não: era parado, viu!

o avião ficô parado em cima da prefeitura,

pela capota de vrido a gente já via o atista, rapaiz

o atista forte com os peitão,

2 cinturão de bala, uma ispingarda da grussura dum

cano de esgoto, rapai,

aí o atista fico assim na porta do avião

Ó o nome do atista: Arnô Saijinegue!

agora, num é esses arnô saijinegue do sertão,

que dá no cu de todo mundo não!

é Arnô Saijinegue importado,

ou é da Chequilováquia, ou é da Bolívia, tá

entendendo?

Eu sei que o Arnô Saijinegue ficô9 na porta do avião

aí o chofer do avião olhô pra ele e disse:

acunhe! Pode pulá!

ai ele pulô la de cima, pulô la de cima, bateu no

telhado, furô a laje,

bateu mermo no jugá onde o atista tava preso com o s

bandido,

pego os bandido tudo desprevinido, comendo cuzcuz com

leite, rapaiz,

eu sei que nessa hora, o atista pegô a ispingarda

disse:

num sei que lá, num sei que lá, num sei que lá,

num sei que lá, num sei que lá, num sei que lá,

ói ele matô tudinho!

aí apariceu mais bandido, e foi briga de sê midida a

metro!!

ele deu um tabefe no cor da orelha dum caba lá chamado

Mané Capado,

que ele borbuletô uns 2 palmo e caiu no chão feito uma

jaca mole

aí eve um bandido, rapaiz,

que homilhô o atista com uma dedada aonde as costa

muda de nome.

Meu cumpadi, esse homi ofendido na região glútea virô

uma fera

e entre a rapideiz da dedada e a imediatidade do êpa,

deu-lhe um berro nas oiça do sujeito que iscurrego na

froxura e caiu sentado.

Nessa hora, meu cumpadi, o atista partiu pra cima

dele

com um gênio de 150 siri dento de uma lata de

querosene,

deu-le um sopapo no serrote dos dente,

que chuveu canino, molar, e incisivo, por 3 dia no

sítio Boca Funda.

aí nessa hora, meu cumpadi, o bandido principal saiu

num derrapo de velocidade,

ai o atistao atista deu-lhe um chuvaréu de bala, meu

cumpadi,

que a gente teve que se abaxá dento do cinema,

aquelas letrinha que passa lá no filme ele derrubô

umas 140,

e eu ainda peguei umas 4: taqui pra você vê!!!

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Retirado na Integra do Site CB Cordel do Brasil-

Noções de métrica e rima

Por Izaías Gomes de Assis


O que é literatura de cordel?
É uma narrativa poética popular escrita com métrica e com rimas soantes (perfeitas ou quase perfeitas).
O que é um verso?
É cada uma das linhas constitutivas de um poema. (o mesmo que pé).
Versos brancos: versos não rimados; versos soltos.
Verso de seis pés: sextilhas
Verso de pé quebrado: Verso errado ou malfeito
O que é estrofe?
É um grupo de versos que apresentam, comumente, sentido completo, o mesmo que estância. Existem vários tipos de estrofes, no cordel as mais usadas são: quadra (que caiu em desuso), sextilha, setilha e décima. Veja os exemplos abaixo:
Quadra (estrofes de quatro versos de sete sílabas)
O sabonete cheiroso,
Bonitinho e perfumado;
Ele ouviu alguns rumores
Que o deixou encabulado. (A briga do sabão com o sabonete, Izaías Gomes de Assis)
Sextilhas (estrofes de seis versos de sete sílabas)
A sujeira aqui em baixo
Já está fazendo mal
E o Homem achando pouco
Lá no Espaço Sideral
Contamina nossa órbita
Com o lixo espacial. (A Terra pede socorro, Izaías Gomes de Assis)
Setilhas (estrofes de sete versos de sete sílabas)
Bin Laden conectado
Com Nete ficou teclando
Passando noites no Messagen
Por ela se declarando.
Bom! Gosto não se discute,
Mas não é que pelo Orkut
Um romance foi rolando. (Férias que Bin Laden passou em Natal, Izaías Gomes de Assis)
Décimas
Se eu morrer neste lugar
Cessando aqui minha lida
Lá do outro lado da vida
Do Sertão hei de lembrar
E se Deus me castigar
Será branda a punição
Pois ele dirá então:
– Pior castigo foi ser
Um sertanejo e viver
Distante lá do Sertão. (Saudades do meu sertão, Izaías Gomes de Assis)
O que é métrica?
Arte que ensina os elementos necessários à feitura de versos medidos.
Sistema de versificação particular a um poeta: (Dicionário Aurélio)
Uma sílaba poética é diferente de uma sílaba comum. É possível unir duas ou mais sílabas ou fonemas em apenas uma sílaba poética. Veja o verso abaixo:
Lá do_outro lado da vida
Observe que essa estrofe tem oito sílabas comuns, mas poeticamente só tem sete sílabas metrificadas.
1     2      3     4    5    6   7
Lá do ou  tro   la   do da vi da
A sílaba poética é pronunciada como ouvimos os versos, por isso a sonoridade é importante num verso metrificado (a essa contração dá-se o nome de crase ou elisão) e só se conta as sílabas até a sílaba tônica da última palavra.
Veja outro exemplo:
Em pleno século vinte,
O colossal transatlântico
Partindo lá da_Inglaterra
E_atravessando o Atlântico,
Chega à_América em cem horas.
Feito digno de ntico. (Manuel Azevedo, A tragédia do Nyengurg)
As sílabas em negrito são as sílabas tônicas das últimas palavras, onde termina a contagem das sílabas métricas, e as sílabas sublinhadas são as que se contraem formando uma única sílaba.
Observa-se que três vocais se contraindo no quinto verso e no sexto verso a consoante “g” forma uma sílaba.
Na literatura de cordel geralmente usa-se os versos de sete sílabas (redondilhas maiores) e os versos de dez sílabas (decassílabos). Outro ex.:
Vou narrar uma história
De_um pavão misterioso
Que levantou vôo da Grécia
Com um rapaz corajoso
Raptando_uma condessa
Filha de_um conde_orgulhoso. (* Romance do Pavão Misterioso.)
O que é rima?
Identidade de som na terminação de duas ou mais palavras. Palavra que rima com outra.
Rimas ricas
Rimas entre palavras de que só existem poucas, ou raríssimas, (chamadas também de rimas difíceis) com a mesma terminação, como novembro e dezembro; túmido e úmido, ou, segundo critério mais seguro, entre palavras de classes gramaticais distintas, como santo (adjetivo) e enquanto (conjunção), minha (pronome)e caminha(verbo).
Rimas pobres
Rimas entre palavras de que se encontra superabundância com a mesma terminação, (chamadas também de rimas fáceis) como agonia e sombria; caminhão e pão ou entre palavras antônimas, como fiel e infiel, simpático e antipático, ou, ainda, segundo critério preferível, entre vocábulos da mesma classe gramatical, como chorasse (verbo) e cantasse (verbo); meu (pronome) e seu (pronome).
Rimas toantes
Aquelas em que só há identidade de sons nas vogais, a começar das vogais tônicas até a última letra ou fonema, ou algumas vezes, só nas vogais tônicas, ex.: fuso e veludo; cálida e lágrima. (essa forma não é aceita na cantoria nem na literatura de cordel).
Rimas consoantes
As que se conformam inteiramente no som desde a vogal tônica até a última letra ou fonema. Ex.: fecundo e mundo; amigo e contigo; doce e fosse; pálido e válido; moita e afoita.  (essa é a forma adotada nas cantorias e na literatura de cordel por ser uma rima perfeita).
Palavras com grafia diferente, mas com fonemas (sons) iguais são consideradas rimas perfeitas, ex.: chorasse e face; princesa e riqueza; peça e pressa; seis e mês; faz e mais, PT e dendê.
Temos que ter maior cuidado com palavras estrangeiras, porém podem ser usadas, ex.: discute e orkut; batuque e notebook; bauex e você; Internet e chevete, gay e rei. (Existe uma linha de poetas contemporâneos que não utilizam a rima com grafia diferente).
Rimas aparentes (em hipótese alguma se usa no cordel)
São palavras que enganam pelas suas sonoridades parecem que rimam com outras, porém não rimam, ex.: Ceará e cantar; café e chofer; doutor e cantou; desistir e aqui; preferido e amigo; esperto e concreto, pensamento e centro; menina e clima; métrica e genérica; pensamento e tempo vazio e sumiu; cururu e azul.
Cuidado que tem palavras que praticamente não existem rimas para elas, ex.: pizza, tempo, cinza e lâmpada.
CUIDADO: Não se rima plural com singular.
Devido um fato histórico-linguístico não se rima palavras terminadas em “l” com terminadas em “u”, ex.: Brasil e viu; Natal e bacurau Gabriel e chapéu não rimam.
Boas rimas



De Mariane Bigio


“Bem no meio da Caantiga
E não falo do “fedô”!
Pois entendam que esse nome
(Seu menino, seu “dotô”)
é dado à vegetação
que cresce lá no Sertão
onde a história se “passô”
*
E foi em Serra Talhada
Num canto desse Sertão
Que nasceu um cangaceiro
O seu nome: Lampião
Para uns muito malvado
Para outros um irmão
*
Ele era muito brabo
Tinha muita atitude
Alguns dizem, hoje em dia
Que ele era o Robin Hood
Roubava do povo rico
Dava a quem só tinha um tico
De dinheiro e de saúde
*
Ou talvez fosse um pirata
Mas não navegava não
Ele tinha um olho só
Também era Capitão
Comandava o seu bando
Com muita satisfação
*
O cabra era tão raivoso
Que se um pedacinho entrava
De comida entre os dentes
E muito lhe incomodava
Ele pegava um facão
E fazia uma extração
Que nem o dente sobrava!
*
E esse homem tão temido
Também tinha sentimento!
Um dia se apaixonou
E pediu em casamento
A tal Maria Bonita
Que lhe deu consentimento
*
Ela também era braba
E andava no seu bando
Demonstrou que a mulher
Também tem força lutando
e seguiu o seu marido
mundo afora, caminhando
*
Entre uma batalha e outra
Lampião se divertia
Gostava duma sanfona
E dançava com Maria
Seu bando fazia festa
Até o raiar do dia
*
Ele dançava forró
Xaxado e também baião
Gostava era das cantigas
Das noites de São João
*
Numa noite de Luar
Bem cansado de fugir
Da polícia que jamais
Cansou de lhe perseguir
Lampião olhou pro céu
Cantou antes de dormir:
*
“Olha pro céu meu amor
Vê como ele está lindo
olha praquele balão multicor
que lá no céu vai sumindo.”***
*
E assim adormeceu
Junto da sua Maria
A polícia os encontrou
Logo cedo no outro dia
*
Foi cantando uma cantiga
Sobre o céu do seu rincão
Que se despediu da vida
O temido Lampião
Que faz parte da história
e hoje vive na memória
de quem é da região
*
E é cantando esta canção
que eu encerro a poesia
de uma história que falou
de tristeza e alegria
vamos continuar no xote
me despeço com o mote:
Adeus, até outro dia!”

As flores do meu quintal

 Beldroega
 Muçambê
Xanana 
Onze Horas
Maracuja

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Maria de Benedito - Maria da Paz

Maria de Benedito
Era uma moça aprumada
Vivia batendo perna
De noite e de madrugada

Mas, um dia não se sabe
Se lúcida ou embriagada
Revestiu-se de coragem
E cobriu Marcelino de porrada

Marcelino era um sujeito
Que gostava de enrolada
tratou de ganhar Dinheiro
as custas dessa cunhada

Era um negócio da China
Aliciou ainda menina...








Meu Nordeste Nordestino Nordestinamente comparado

Para ser Matuto feliz é preciso fazer Poesia











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