quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O poeta da roça - Patativa do Assare


O Poeta da Roça
Patativa do Assaré


Sou fio das mata, cantô da mão grosa
Trabaio na roça, de inverno e de estio
A minha chupana é tapada de barro
Só fumo cigarro de paia de mio.

Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestrê, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.

Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu seio o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.

Meu verso rastero, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo da roça e dos eito
E às vezes, recordando feliz mocidade,
Canto uma sodade que mora em meu peito.

Um comentário:

MARIADAPAZ.COM disse...

Segundo Aurélio Buarque, "Pachola" é um indivíduo de elegância duvidosa, vaidoso. Na linguagem popular é aquele cara que "se acha"