Dia do Nordestino - 08 de Novembro

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Comprando consciência - José Acaci

COMPRANDO CONCIÊNÇA
José Acaci

Um político tarimbado,
raposa véia de ação,
ganhador de eleição,
um enganador safado,
desses que fala incangado...
entrou no bar da pracinha
de numa cidadezinha
e gritou:-quem quer cachaça?
quem quiser bebe de graça,
hoje a conta vai ser minha!

Passou a tarde todinha
pagando cana e falando
e 'os bebo' se embriagando
e bebendo tudo que vinha.
e ele dizendo que tinha
dinheiro pra se manter
influencia nos puder,
e outras qualidades dele,
e que quem votasse nele
não ia se arrepender.

Prometeu pra Zé Jumento
Um milheiro de tijolo,
E pra Manezin do Bolo
Quatro saca de cimento.
Prometeu comprar um cento
De ripa pra Zé Migué,
Um sacolão pra Mané,
Remédio pra Zé de Bana,
E tome promessa e cana,
Risada, fuzaca e mé.

No “mei” da farra e da loa
Um menino entrou no bar
Começou a espiar
E viu aquela pessoa
Que tomou uma das boa
E tava estendido no chão
Perto do pé do balcão.
Esse bebo esparramado
Era o pai desse coitado
Que ninguém deu atenção.

Nem viram o menino entrar,
E quando ele foi entrando
Ficou num canto esperando
Pra ver o pai acordar
E ele ficou a escutar
As conversa do doutor
Que naquele seu furor
Nem via as águas caindo
Dos zói daquele menino
Que chorava de amor.

Nesse instante, do outro lado
Ouviu-se de lá da esquina
Um apito da buzina
De um motão avermeiado.
Um amigo do deputado
Passando pela tangencia
Pra marcar sua presença
Gritou sem descer da moto:
-Tu ta aí comprando voto,
Ou pagando pinitencia

Foi um momento bonito
Quando o povo calou-se
E o menino levantou-se
E respondeu com um grito
Mas forte do que o apito.
Do fundo da inocência.
Delatou a intransigência
Quando olhou pro pai no chão
E disse de supetão!
TA COMPRANDO CONSCIÊNÇA.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Esse mundo tá louco - Carlinhos Veiga



Esse mundo tá louco
Carlinhos Veiga
Composição: Carlinhos Veiga

Marimbondo é preto, abelha amarela
Rico anda de carro, pobre de chinela
Se o bicho ferroa, funciona a goela
Pobre sonha o céu, rico ama a terra

Nas contas que fiz
Não sobrou nem um troco
Ou eu sou ruim de conta
Ou esse mundo tá louco

Não existe uma dor igual dor de dente
É aguda, é fina, incomoda a gente
Tem muito artista que passou pra crente
Pra dar testemunho a oferta é indecente

Nas contas que fiz
Não sobrou nem um troco
Ou eu sou ruim de conta
Ou esse mundo tá louco

Os políticos de hoje crêem no ideal
Da globalização, de fazer tudo igual
A praga se espalha pelo capinzal
O império se alastra engolindo o local

Nas contas que fiz
Não sobrou nem um troco
Ou eu sou ruim de conta
Ou esse mundo tá louco

Quase tudo hoje em dia não é natural
Ninguém mais é o mesmo, tá articificial
Mudar a cor do cabelo e do olho é normal
Põe até silicone pra erguer o peitoral

Nas contas que fiz
Não sobrou nem um troco
Ou eu sou ruim de conta
Ou esse mundo tá louco
Aprendi um ditado que vem do sertão
Só carro de boi, que geme, é dos bão
Crente que afasta se vem provação
Num apruma, num vinga, num cresce mais não

Nas contas que fiz
Não sobrou nem um troco
Ou eu sou ruim de conta
Ou esse mundo tá louco

Eu conheço gente que despreza a viola
Prefere outros ritmos ao invés de uma moda
Mas quando a bichinha balança as dez cordas
O peito num güenta os meninos aboba

Nas contas que fiz
Não sobrou nem um troco
Ou eu sou ruim de conta
Ou esse mundo tá louco.

Matuto apaxonado - Maria da Paz / Agosto 2010

Sou poeta, sou autor
de uns versos malacabados
Nunquinha sube iscrever
meu amor bem decrarado

Se oçê subesse u qui ieu sinto
mi oiava com cuidado
Pru mode ieu num sofrer
de amor disinganado

Sonhei a noite todinha
qui sou o seu namorado
Ô morena tenha pena
desse matuto infadado

Mi ame mi quera bem
prometo oiá pra ninguém
Eu juro peranta Deus
Te agassaiar nos braços meus

Isso é verdade ti digo
Vou fazer uma casinha
Lá perto do pé de figo
Adonde eu e tu se aninha

Vou comprar uns carneiros
Um bucado de galinha
Vixi cuma vai ser ligeiro
proliar essa casinha

ô muié discunfiada
Sô teu e de mais ninguém
Um matuto apaxonado
Premete inté o qui num tem

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

CARTA MATUTA DE UM POETA SERTANEJO

CARTA MATUTA DE UM POETA SERTANEJO

Autor e Remetente: Dé Pajeú.
Endereço: Cafundós do Sertão Pernambucano.

Destino: Cacá Lopes
Lajeado -Periferia – Zona Leste de São Paulo.

Meu cumpade Cacá Lope
Um forte aperto de mão,
Receba o meu abraço
De alma, de coração,
Desse amigo cantadô
São versos de gratidão.

É uma carta matuta
Um “disabafo” rimado,
Das “coisa” qui só acontece
No Sertão “ixturricado”
Pra você qui tá ozente
Num ficá “dizinformado”.

Cacá, aqui nessas “banda”
A situação tá é pió,
Eu já tô é avexado
Miséra é di fazê dó,
Pra isquecê a lamúria
Só caindo num forró.

Aqui no nosso Sertão
Tá tudo é “dirmantelado”
Com o vírus da evolução
O povão ta “imbriagado”,
Ninguém “trabaia” “marnão”
É um funaré lascado.

Nos cafundó do Nordeste
É grande a “isculhambação”,
Tem um labaçé de “mota”
De D-vinte e caminhão,
O jogo di curingado:
Cana e “proxtituição”.

Tem “caba” qui baba o quêxo
Com arnêga a requebrá
“Bebo” “fazeno” munganga
Pus povo bom “ispiá”,
E o futuro das “criança”
Ninguém sabe aonde tá.

Minina “cunspeito” inxado,
Siparésse dois mamão.
Dá pena vê êsses pôvo,
Sem futuro no Sertão,
É um “fuá”” mizerável”
E um mundo di perdição.

Muié novinha “parino”
Somente pra recebê
O dinhêro do guvêrno,
Qui a criança nunca vê
Pruquê ela compra cum ele
Parabólica e Vevedê.

Toma “ceuveja” gelada
Curte som e fica a olhá,
Uzómi tomano pinga
E a “fiarada” a “isperá”
In casa, cum buxo seco
Sem tê o que alimentá.

Amigo! A “corra” tá feia
O Sertão tá ôto mundo,
Nas “calçada”, nus buteco
Tá assim de vagabundo,
De quenga, de caxassêro,
O “pobrema” é profundo.

Tem uns “véi” “apuzentado”
Qui inventa di namorá,
Inquanto dêxa in casa
A veinha a lhe “isperá”,
Vai bebendo, vai curtindo
A cabeça vai ingaiá.

Vai pra feira, enche a cara
Perde o saco na “istrada”,
“Isquece” a “bicicreta”
Num tráiz feira, nun tráiz nada,
É um “furdunço” da gota
Êta vida “ atulemada”.

Mente pra sua “muié”
Aumenta a confusão,
Diz: o bolso tava furado
E eu perdi todo “tustão”
É comum vê esses cabra
Esses “tipo” no Sertão.

Meu amigo Cacá Lope
Eu vivo é “incabulado”
Aqui no nosso rincão
É um funaré laskado
É minino caxassêro
E muito “aduto” safado.

Sapatão, quenga, baitola
Dá inté pá importá,
Axé, fânki, som muderno
Ajuda a “iscuiambá”
Nega cum rabo di fora
Criança vê qué copiá.

Mas Cacá, um dia desses
Eu fui a uma vaquejada,
E “resurví” tomá uns gole
Cuma se diz, uma lapada
E chamei para dançá
Uma negona aloprada.

Eu já “quage” “imburanado”
Com a morena abufelei,
E bebo é “bixo” safado
Os “trabái” eu cumeçei
Tava cá gota serena
Quando um passo “infalso” dei.

A côrra “tafa ficano”
Muito bom, tava “arroxado”
Mas se eu num fosse “isperto”
Eu tinha me arrombado
Pois a “|pexte” da morena
Num era um diacho dum viado!

Aguardem brevemente, a resposta de Cacá para Dé Pageú.

São Paulo, 21 de julho de 2009.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Banho rural - Zila Mamede

Banho
(Rural)

Zila Mamede


De cabaça na mão, céu nos cabelos
à tarde era que a moça desertava
dos arenzés de alcova. Caminhando
um passo brando pelas roças ia
nas vingas nem tocando; reesmagava
na areia os próprios passos, tinha o rio

com margens engolidas por tabocas,
feito mais de abandono que de estrada
e muito mais de estrada que de rio

onde em cacimba e lodo se assentava
água salobre rasa. Salitroso
era o também caminho da cacimba

e mais: o salitroso era deserto.
A moça ali perdia-se, afundava-se
enchendo o vasilhame, aventurava

por longo capinzal, cantarolando;
desfibrava os cabelos, a rodilha
e seus vestidos, presos nos tapumes

velando vales, curvas e ravinas
(a rosa de seu ventre, sóis no busto)
libertas nesse banho vesperal.

Moldava-se em sabão, estremecida,
cada vez que dos ombros escorrendo
o frio d'água era carícia antiga.

Secava-se no vento, recolhia
só noite e essências, mansa carregando-as
na morna geografia de seu corpo.

Depois, voltava lentamente os rastos
em deriva à cacimba, se encontrava
nas águas: infinita, liqüefeita.

Então era a moça regressava
tendo nos olhos cânticos e aromas
apreendidos no entardecer rural.

As estátuas - Maria da Paz



Frias, paradas, sem vida
Já tiveram vida, nome
Sobrenome e até moradias
Tinham amigos, família
Hoje vivem nas praças
Nas ruas, nas esquinas
Quem passa as vêem
Mas, e elas?
De olhos abertos,
Não enxergam nada!
Não têm alma, não reclamam
Ou talvés até reclamem
Mas, quem as escutam?
Algumas esquecidas
Outras adoradas
Muitas pequeninas
De pedras, mármore, cristal
Bronze, prata e até ouro
Não importa, são só estátuas

Maria da Paz
As estátuas
Macaíba 03/08/2010

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Exemplo de viver - vídeo

Se reclamas porque tens que realizar
trabalhos domésticos, veja esse rapaz
e crie coragem. Para de reclamar, deixa de ser inútil


sábado, 24 de julho de 2010

Pablo Neruda


Pablo Neruda

Angela Adonica

Hoje deitei-me junto a uma jovem pura
como se na margem de um oceano branco,
como se no centro de uma ardente estrela
de lento espaço.

Do seu olhar largamente verde
a luz caía como uma água seca,
em transparentes e profundos círculos
de fresca força.

Seu peito como um fogo de duas chamas
ardía em duas regiões levantado,
e num duplo rio chegava a seus pés,
grandes e claros.

Um clima de ouro madrugava apenas
as diurnas longitudes do seu corpo
enchendo-o de frutas extendidas
e oculto fogo.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

terça-feira, 29 de junho de 2010

Se você me abandonar - Carneiro Portela


Se você me abandonar -
Poesia Matuta de Carneiro Portela


Se você não me quiser
tomo licor de pimenta
bebo leite de jumenta
num lhe dou mais cafuné
desembrabeço a maré
pra ver a praia endoidar
eu faço a cobra fumar
se você fugir de mim
eu vou mudar de camim
se você me abandonar.

Se você não me quiser
bebo chumbo derretido
e nunca mais lhe convido
para ser minha mulher
num tem mais lua de mé
nem faço o sino tocar
nos lugares que eu pisar
num pode nascer capim
eu vou mudar de camim
se você me abandonar.

Se você não me quiser
arranco o rabo do peba
a galinha se amanceba
com outro bicho qualquer
não dá um adeus sequer
com vergonha do preá
e na hora de acordar
fica tocando clarim
eu vou mudar de camim
se você me abandonar.

Se você não me quiser
não é bom que se afoite
escovo a boca da noite
arranco a torre da sé
depois digo porque é
qui a muda não quer falar
o sol pára de brilhar
seu eu estiver sozim
eu vou mudar de camim
se você me abandonar.

Se você não me quiser
eu dou um susto na morte
talvez ela não suporte
se eu lhe der um cangapé
e na hora que eu estiver
danado pra namorar
digo a ela pra estourar
o meu amor com estupim
eu vou mudar de camim
se você me abandonar

Se você não me quiser
quebro a tampa do pinico
mas sozim não sei se fico
feito carro sem chofer
me dane se eu não fizer
a minha égua rinchar
e depois que me olhar
eu jogo ela pro vizim
eu vou mudar de camim
se você me abandonar.

Se você não me quiser
eu ensino um burro a ler
e peço a ele pra dizer
que você ainda me quer
mas se ela me disser
que você não quer voltar
eu digo a ele pra falar
nem que seja no latim
eu vou mudar de camim
se você me abandonar.

Se você não me quiser
eu fico brabo outra vez
e monto na gata pedrez
se outra igual não houver
se ela um chute me der
não ligo, tô com azar
mas se ela não concordar
qui eu sô bem bonitim
eu vou mudar de camim
se você me abandonar.

Fonte: “Nordeste Caboclo – Poesia Matuta”,
Carneiro Portela, Fortaleza, 2004,
Premius Editora

CARNEIRO PORTELA

"Sou um caboclo peitudo
desses da rede rasgada
eu nunca temi a nada
todo tempo topo tudo
nasci, cresci, tive estudo
sou filho de camponês
me criei pegando rês
num bom cavalo de cela
eu sou CARNEIRO PORTELA
este amigao de vocês"

Antônio Carneiro Portela (Coreaú, Ceará, 15/7/1950),
formado em Direito e Letras. Poeta, radialista
(“Forrozao da Verdinha” na Rádio Verdes Mares)
e apresentador de televisão(“Nordeste Caboclo” na TV Diário).
Pesquisador da Cultura Regional.
__________

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Um pouco da história das Copas do Mundo - pesquisa

De quatro em quatro anos, seleções de futebol de diversos países do mundo se reúnem para disputar a Copa do Mundo de Futebol.

A competição foi criada pelo francês Jules Rimet, em 1928, após ter assumido o comando da instituição mais importante do futebol mundial: a FIFA ( Federation International Football Association).

A primeira edição da Copa do Mundo foi realizada no Uruguai em 1930. Contou com a participação de apenas 13 seleções, que foram convidadas pela FIFA, sem disputa de eliminatórias, como acontece atualmente. A seleção uruguaia sagrou-se campeã e pôde ficar, por quatro anos, com a taça Jules Rimet.

Uruguai (1930) / Itália (1934) / Itália (1938) / Uruguai (1950) / Alemanha (1954) / Brasil (1958) / Brasil ( 1962) / Inglaterra ( 1966) / Brasil (1970) / Alemanha (1974) / Argentina (1978) / Itália (1982) / Argentina (1986) / Alemanha (1990) / Brasil (1994) / França (1998) / Brasil (2002), Itália (2006).

O Brasil sentiria o gosto de erguer a taça pela primeira vez em 1958, na copa disputada na Suécia. Neste ano, apareceu para o mundo, jogando pela seleção brasileira, aquele que seria considerado o melhor jogador de futebol de todos os tempos: Edson Arantes do Nascimento, o Pelé.

Quatro anos após a conquista na Suécia, o Brasil voltou a provar o gostinho do título. Em 1962, no Chile, a seleção brasileira conquistou pela segunda vez a taça.

Em 1970, no México, com uma equipe formada por excelentes jogadores ( Pelé, Tostão, Rivelino, Carlos Alberto Torres entre outros), o Brasil tornou-se pela terceira vez campeão do mundo ao vencer a Itália por 4 a 1. Ao tornar-se tricampeão, o Brasil ganhou o direito de ficar em definitivo com a posse da taça Jules Rimet.

Após o título de 1970, o Brasil entrou num jejum de 24 anos sem título. A conquista voltou a ocorrer em 1994, na Copa do Mundo dos Estados Unidos. Liderada pelo artilheiro Romário, nossa seleção venceu a Itália numa emocionante disputa por pênaltis. Quatro anos depois, o Brasil chegaria novamente a final, porém perderia o título para o pais anfitrião: a França.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Déjà vu

Déjà vu é uma reacção psicológica fazendo com que sejam transmitidas idéias de que já esteve naquele lugar antes, já se viu aquelas pessoas, ou outro elemento externo, enfim,que já vivei uma situação. O termo é uma expressão da língua francesa que significa, literalmente, já visto.

domingo, 6 de junho de 2010

Uma resposta a amiga Luzia Dorneles

Amiga,
ando muito sem tempo
Mas, tirei um tempinho
para te falar sobre seu recado.
Tudo que seu sobre Lucio Barbosa
inicialmente ouvi de boca
de algumas pessoas que conviveram com Ze Ramalho
Entao, resolvi pesquisar na internet mesmo
(Lucio Barbosa compositor).
Quanto aos artigos, alguns nao sao meus.
Sao retirados de Jornais locais,
quando julgo interessantes.
Ja os poemas matutos, grande partes sao meus
Sou professora de Ciencias,
formada na Universidade Potiguar - Natal RN
Desculpas mas, estou sem E-mail.
Alem disso, meu teclado
pirou e a acentuacao ja era.
Visite-me sempre

Ensino Médio de 30 dias?????????????????????


MP investiga cursos de ensino médio de 30 dias
Publicação: 06 de Junho de 2010 às 00:00


Wagner Lopes / Tatiana Lima - repórteres

Três anos de Ensino Médio, ou os nove anos do Ensino Fundamental, em apenas 30 dias. A oferta é tentadora para quem não concluiu os estudos. A repórter da TRIBUNA DO NORTE liga se dizendo interessada em conseguir o diploma do antigo “segundo grau”. O funcionário da empresa explica que para obtê-lo é necessário uma avaliação:

Emanuel Amaral
Se depender da promotora Luciana Maciel, o Estado deveria tomar uma atitude, um posicionamentoSe depender da promotora Luciana Maciel, o Estado deveria tomar uma atitude, um posicionamento
“Essa prova vai ter as matérias do nível médio, cada matéria 10 questões, todas de marcar, e vai ter de acertar cinco de cada disciplina. Acertando as cinco de cada, está aprovada com nível médio completo (…) A redação é opcional.”

A conversa continua e a repórter questiona das aulas.

“- Não são obrigatórias. O que importa na verdade é a prova mesmo. Se você não puder assistir às aulas, pega o material, estuda só em casa e se prepara para a prova.”

Surge outra dúvida. Por que a prova não é em Natal?

“- Tem de ser lá (em João Pessoa) porque o Governo Federal só autorizou uma cidade de cada região para fazer esse tipo de prova. No caso do Nordeste, a cidade disponível foi João Pessoa.”

Errado. Quem autoriza os exames são os conselhos estaduais. Mas de qualquer modo a prova pode ser difícil. No entanto o funcionário acalma a interessada:

“- A gente tem aluno aqui que está há quase 30 anos sem entrar em uma sala de aula e consegue ser aprovado.”

Bom. Mas ao se despedir, a repórter ainda questiona se o processo é irregular:

“- Não, não tem problema nenhum. Pode procurar nossas referências que você vai ver que o certificado é legalizado.”

A facilidade do processo chama atenção. Tanto que esse tipo de cursinho, oferecido por pelo menos duas instituições no estado, uma em Natal e outra em Parnamirim, recebe críticas da Secretaria Estadual de Educação (SEEC) e vem sendo investigado pelo Ministério Público Estadual. O inquérito civil 18/09 tramita na Promotoria de Educação de Parnamirim e deve ser repassado à Promotoria de Defesa do Consumidor. O objetivo é levantar informações a respeito dessa modalidade de ensino e, caso seja comprovada alguma irregularidade, ingressar com a devida ação judicial.

A promotora Luciana Maciel, que até a última quarta-feira atuou como substituta na promotoria onde corre o inquérito, entende que não deveria ser necessário aguardar por medidas jurídicas. “Acho que o Estado poderia tomar logo uma atitude, um posicionamento”, defende a representante do Ministério Público.

Ela lembra que a resolução 01/2007, do Conselho Estadual de Educação, exige não só que as instituições que realizam exames voltados para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), área que abrange atualmente os supletivos, sejam credenciados ao conselho. “Determina também que os cursos preparatórios para esses exames tenham esse credenciamento”, revela.

A subcoordenadora de Inspeção Escolar da Secretaria Estadual, Auxiliadora Albano, aponta a principal dificuldade do órgão em proibir o funcionamento desses tipos de cursinhos: “Tem nos incomodado muito, mas não temos como coibir porque eles levam os alunos para fazer os exames em João Pessoa e lá a escola onde é feita a prova é autorizada pelo conselho daquele estado. Então estamos de mãos atadas.”

Educadora considera um abuso

A subcoordenadora de Inspeção Escolar da Seec, Auxiliadora Albano, se mostra indignada e revela que muitas pessoas procuram a secretaria em busca de informações sobre os cursinhos que oferecem Ensino Fundamental ou Médio em 30 dias. “Não podemos dizer que é ilegal, mas é um abuso”, admite. Para ela, o certo seria as duas instituições pedirem credenciamento no conselho potiguar, para poderem realizar os exames no próprio Rio Grande do Norte. “Mas elas não fazem isso”, lamenta.

A subcoordenadora critica também o fato de as propagandas e faixas dos cursinhos (que geralmente não trazem os nomes das instituições) divulgarem que se tratam de exames “autorizados pelo Conselho Estadual de Educação”, sem especificarem que se trata do conselho paraibano e não o do Rio Grande do Norte. “Eles falam ainda do Ministério da Educação, mas o MEC não tem nada a ver com isso”, reclama. Os conselhos estaduais é que têm o poder de autorizar, ou não, tais exames.

A esperança de Auxiliadora Albano é no trabalho do Ministério Público e do próprio Conselho Estadual de Educação do RN, que vem acompanhando o caso. De acordo com a promotora Luciana Maciel, já foram solicitadas, inclusive, informações à Secretaria de Educação da Paraíba. “E temos também no inquérito um documento repassado pelo ex-secretário de Educação do Rio Grande do Norte, Ruy Pereira, que diz que mesmo o funcionamento de cursos avulsos precisa ser regulamentado pela secretaria.”

Provas no RN são mais criteriosas
Comparando as provas oferecidas pelos cursinhos de “30 dias” em João Pessoa e as realizadas pelas bancas permanentes ligadas à Secretaria de Educação do Rio Grande do Norte fica fácil entender o atrativo das instituições que levam os alunos ao estado vizinho. O exame de João Pessoa dura apenas um domingo e inclui somente 120 questões, “todas de marcar”, como faz questão de ressaltar o funcionário de um dos cursinhos. Até a viagem de ida e volta à Paraíba está incluída no preço total do pacote.

O modelo adotado nas escolas públicas potiguares permite se fazer as provas de no máximo três disciplinas a cada sete dias, ou seja, o estudante leva um mínimo de três semanas para concluir as oito matérias do Ensino Médio e, se for reprovado em alguma, só poderá refazê-la após 60 dias. Além disso, são 40 questões por prova. Em Natal há bancas permanentes nos centros de educação Felipe Guerra (Praça Cívica), Reginaldo Teófilo (Caic de Lagoa Nova) e Lia Campos (avenida Coronel Estevam).

De acordo com o diretor do Felipe Guerra, José de Arimatéia Morais, os estudantes que desejam concluir o Ensino Médio têm ainda a opção de estudar no supletivo. Nesse caso, o Ensino Médio é concluído em um ano de estudos, durante o qual o aluno pode também ir realizando as provas da banca. “Se eles passarem em determinada disciplina, já não precisam frequentar as aulas daquela matéria”, explica.

Para o supletivo, a idade mínima é de 15 anos, no Ensino Fundamental, e 17 anos, quando se trata de Ensino Médio. “A banca é diferente. Você vem se matricula e faz a inscrição por disciplina, sem precisar assistir aula. Aí pode se preparar por conta própria e agenda uma prova por dia, no máximo três por semana”, detalha. No Ensino Fundamental é preciso aprovação em cinco disciplinas: Português, Matemática, Ciências, História e Geografia. No Ensino Médio são oito: Português, Matemática, Química, Física, História, Biologia, Geografia e Língua Estrangeira.

O Felipe Guerra atualmente conta com 2.304 alunos matriculados nos supletivos. Na banca permanente estão inscritos 3.787 no Ensino Médio e 1.677 no Fundamental. Para se ter uma ideia do rigor das provas, é comum haver reprovações. “Tem gente matriculada na banca desde 2008 e que vai fazendo e repetindo as provas até concluir todas as aprovações necessárias”, revela.

sábado, 5 de junho de 2010

O Potengi está morrendo aos poucos - DN

Edição de sábado, 5 de junho de 2010
O Potengi está morrendo aos poucos

Nível de poluentes mina fecundidade do rio. Além do dano ambiental, situação retira sustento dos pescadores
Andrielle Mendes (especial para o Diário de Natal) // andriellemendes.rn@dabr.com.br


Razão do sofrimento de centenas de pescadores, a falta de peixes no Potengi tem explicação científica. A poluição do estuário está afetando a sobrevivência, fecundidade e reprodução de determinados organismos aquáticos. Foi o que pesquisadores da UFRN detectaram durante a realização da pesquisa "Diagnóstico das Cargas Poluentes dos Estuários dos Rios Potengi e Jundiaí", coordenada pelo professor do Departamento de Oceanografia e Limnologia da UFRN, Guilherme Fulgencio. O estudo, ainda em desenvolvimento, revelou altos níveis de toxicidade em alguns trechos dos rios Jundiaí e Potengi, que se juntam aos rios Golandim e Rio Doce e formam o estuário Potengi. A pesquisa, encomendada pelo Instituto de Defesa do Meio Ambiente (Idema), mostra que o lançamento de efluentes orgânicos e substâncias químicas está reduzindo a biodiversidade do estuário.


Gato come peixe que não serve para consumo humano, descartado pelos trabalhadores Foto: Fotos:Fábio Cortez/DN/D.A Press
Por trás da constatação, um alerta. A morte de organismos em decorrência da poluição pode afetar a cadeia alimentar e causar sérios problemas ao ecossistema. Os pescadores ribeirinhos já sentem na pele os reflexos do alto nível de poluição (ver matéria na página 9). "Os recursos pesqueiros estão diminuindo, porque alguns organismos procuram o mangue para se abrigar, se alimentar e crescer e acabam morrendo devido aos altos índices de toxicidade", afirma o professor. O rio, assim como os pescadores ribeirinhos, está no limite do suportável. Qualquer descarga excessiva de resíduos orgânicos ou químicos pode abalar o aparente equilíbrio. A pesquisa revela um problema sério, que quase ninguém se dá conta. A dificuldade de reprodução dos organismos pode provocar a diminuição e até o desaparecimento de determinadas espécies. Os próprios pescadores ribeirinhos se queixam do desaparecimento de diferentes espécies de peixes e de crustáceos no manguezal e no estuário, como a saúna, o caranguejo-uçá e o aratu. "Devido aos altos índices de toxicidade, muitos organismos não vão conseguir se reproduzir", explicou o professor.

Testes
Para chegar a este resultado, os pesquisadores fizeram alguns testes com animais aquáticos, que foram denominados de organismos-teste na pesquisa. Eles coletaram amostras de água e sedimento (terra) em vários pontos do Potengi e do Jundiaí e levaram até o Laboratório de Ecotoxologia, no Departamento de Oceanografia e Limnologia da UFRN. Lá, eles colocaram os organismos-teste nas amostras colhidas e observaram a sobrevida dos animais aquáticos. Parte dos organismos não sobreviveu ao teste agudo (mais curto e que testa a sobrevivência), o que revelou o alto nível de toxicidade das amostras. Além disso, boa parte dos que sobreviveram apresentou problemas de fecundidade e dificuldade de reprodução durante o teste crônico, mais longo que o agudo e que analisa o impacto da carga tóxica no crescimento, reprodução, capacidade de sobrevivência e outras funções biológicas dos animais aquáticos em contato com as amostras.

Guilherme Fulgencio também é co-orientador da pesquisa "Avaliação Ecotoxicológica dos Efluentes Lançados no Complexo Estuarino do Jundiaí-Potengi", que está sendo desenvolvida pela pesquisadora Sinara Cybelle Turíbio, da UFRN.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Professores recebem salário sem dar aula

Quando leio uma matéria como essa, fico me perguntando:
Será que as pessoas que fazem os órgãos competentes
são lerdas, são doidas ou pensam que nós(povo), somos idiotas?
Se existem, nas secretarias: planilhas, rols de identificação de função
dos servidores, recadastramentos,... porque "mulesta" ainda e só agora, é que
se sabe ou se descobre que existem funcionários fantasmas? Porque no início do ano,quando as escola já iniciam o ano letivo amargando déficits de aulas por enes motivos, mas, principalmente pela falta de professores e pela falta de servidores e além disso, pagam por um indivíduo tercerizado, quase dois salários mínimos? A quem agrada essa cambada de incompetentes que ora dirigem os órgãos públicos estaduais, que aparecem agora com uma presepada de "reconheço que". Espero imensamente que a promotoria de Educação, determine uma verdadeira caçada àqueles que recebem indevidamente o dinheiro público, estando nós em exercícios de nossas funções e diga-se de passagem muito mal remunerados, fazendo o nosso serviço e o serviço dos tal fantasmas. E não me venham com bordão ridículo de "quem tem besta não compra cavalo" que nós também temos um de primeira:"Um dia é da caça e outro do caçador"
Riam...

Mulesta seria uma corruptela (distorção) de moléstia.Coisa ruim.


Edição de sexta-feira, 21 de maio de 2010

Professores recebem salário sem dar aula
MP constata que há funcionários fantasmas em 106 escolas estaduais. Escândalo pode ser ainda maior
Júlio César Rocha // juliorocha.rn@dabr.com.br

Segundo um levantamento parcial divulgado pela Promotoria de Educação do Ministério Público, mais de 200 professores de escolas estaduais estão fora das salas de aula, em situações de irregularidade no cumprimento de suas atividades. A investigação conduzida pela promotora de Justiça, Carla Campos Amico desde o início do ano, já inspecionou 106 escolas estaduais das 116 existentes em Natal, constatando casos de professores que não cumprem expediente na unidade de ensino, mas ainda recebem os vencimentos regularmente.

Falta de pessoal tem sido um dos principais problemas em unidades de ensino na rede pública do estado Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press
"As irregularidades no quadro de pessoal da Secretaria de Educação, além de desestruturar e desmoralizar o sistema educacional atentam contra o patrimônio público do estado, possibilitando o enriquecimento ilícito de profissionais que recebem seus vencimentos sem efetivamente, exercerem os cargos para os quais foram nomeados", afirmou a promotora Carla Amico.

As investigações estão sendo feitas a partir da análise das planilhas de pessoal de cada escola estadual, apresentada pelos próprios diretores ao Ministério Público, em parceria com a Coordenadoria de Administração Pessoal e Recursos Humanos, da Secretaria Estadual de Educação e Cultura. "Nós analisamos nome por nome, questionando os diretores para saber se todos os servidores estão dando expediente regular na escola que estão lotados", disse Carla Amico.

Até o momento segundo a promotora de Justiça, as irregularidades encontradas dizem respeito a servidores que nunca se apresentaram ao trabalho, pessoas que não retornaram ao trabalho após o término de um afastamento legal (licença gestante, ou atestado médico por exemplo); e ainda caso de professores estarem pagando "terceiros" para desempenharem suas atividades em sala de aula. "Em muitos casos, esses problemas existem porque há conivência dos diretores que integralmente atestam a frequência destes professores mês a mês", relatou a promotora Carla Amico. De acordo com a promotora, atualmente o sistema que regula a frequência dos servidores, só funciona essencialmente com a honestidade dos servidores que atestam a presença no expediente.

A secretária adjunta de Educação e Cultura, Salizete Freire, reconhece os problemas de irregularidade no quadro de pessoal da secretaria, mas está colaborando para que seja feita a legalização dos servidores que estão em desvio de função. "Estamos cientes do problema, vamos convocar cada professor para sejam tomadas as devidas providências, para que retornem às salas de aula", explicou a secretária.

Sistema

A Coordenadoria de Recursos Humanos da Seec em parceria com o Ministério Público está operacionalizando um novo sistema que visa diminuir as distorções de informações que permitem as situações irregulares. "Será uma forma de fiscalizar os servidores para que exerçam suas funções nas devidas unidades de maneira correta", explicou a secretária Salizete Freire.

Artigo -Escola pública: por que não desisto? Frederico Horie



Artigos
Publicado em Diário de Natal
14/05/2010
Escola pública: por que não desisto?
Frederico Horie da Silva

Todas as sextas-feiras, neste espaço, educadores ligados ao Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE) discutem questões relacionadas ao sistema público de ensino. Não é por menos, afinal, boa parte de nossas escolas se encontram sucateadas, a maioria das políticas públicas está distante das salas de aula e a Educação como prioridade continua como discurso de campanha eleitoral e não como práxis social. Apesar das críticas, não somos pessimistas, pelo contrário, acreditamos que a escola pública pode e deve ser de qualidade, mas há aqui um detalhe importante: Somos esperançosos sem jamais esperar.

Em meu caso, minha fonte de esperança tem nome, endereço e, principalmente, projeto político pedagógico. Sim. Deposito minha esperança em uma escola: real, pública, que atende pouco mais de cem alunos em um prédio cedido por uma instituição privada, que entre outros males, sofre com a alta rotatividade de professores. Eu sei, parece piada de mau gosto, mas lhes mostrarei que se trata de uma bela poesia.

Em um país que lê, em média, apenas 4,7 livros por ano (incluindo-se didáticos e paradidáticos), temos, nessa escola, um projeto de leitura literária consolidado, sistemático a ponto de influenciar políticas públicas, se tornando referência no bairro, na cidade e no Estado, mas, principalmente, referência para os alunos da escola e suas famílias, que enchem a sala de leitura e que leem e levam para casa - por dia -, mais livros do que a média brasileira o faz no ano. Eu vi, é comovente.

Nessa mesma pesquisa, realizada pelo Instituto Pró-livro, temos um dado ainda mais assustador: O número de livros lidos fora da escola é de apenas 1,3 habitante/ano.

Nesse contexto desanimador, a escola que vos falei; pequena, pública, com apenas um professor do quadro efetivo de educadores, foi uma das cinco vencedoras do Concurso Escola de Leitores, promovido pelo Instituto C&A em parceria com a Secretaria de Estado da Educação e da Cultura do Rio Grande do Norte e o Institutode Desenvolvimento da Educação (IDE) e participará de um intercâmbio de experiências de promoção de leitura na Colômbia, em agosto, graças a um projeto que coloca a escola como parte e não a parte da comunidade, o Bairro Leitor, que forma mediadores de leitura - desde crianças dessa e de outras escolas, até adultos e idosos moradores do bairro -, que multiplicarão a leitura literária para além do espaço escolar, pois, se "o texto é uma máquina preguiçosa, esperando que o leitor faça a sua parte", como disse Umberto Eco, a escola tem papel central na formação desses leitores, cidadãos capazes de se encantar pela leitura e enriquecer o capital humano e cultural, seu e do entorno em que vive.

Esse caso nos mostra que uma escola não está fadada ao fracasso por possuir poucos ou muitos alunos, ser pública ou particular, ocupar um espaço periférico ou central na cidade. Mas ela estará MORTA se a cultura da mediocridade, que perpassa todas as esferas do nosso sistema público de ensino, for dominante; se continuarmos a acreditar que a escola pública é a escola do pobre, que é normal não ter professores, que é normal liberar mais cedo, que todos os alunos aprendem da mesma maneira e no mesmo tempo, que uma escola se faz sem investimentos, que é tudo culpa da escola, que nada é culpa da escola... Aos leitores fica a mensagem: Continuemos esperançosos, mas sem jamais perder a capacidade de nos indignarmos.

Frederico Horie da Silva, educador e biólogo, escreve a convite do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), que publica artigos neste espaço às sextas-feiras.
Compromissos

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Na íntegra do Jornal de hoje para o mundo


Governo Wilma gastou mais de R$ 1 bilhão do orçamento 2010 em apenas 12 dias úteis
11:23 - Orçamento,
Redação
O governo do Rio Grande do Norte executou 15% do Orçamento Geral do Estado (GE) nos doze primeiros dias úteis do ano. A informação é do secretário estadual de Planejamento e Finanças (SEPLAN), Nelson Tavares. Ao todo, o OGE 2010 é de R$ 7,4 bilhões, e o valor gasto até agora representa R$ 1,1 bilhão – ou R$ 92,5 milhões por dia útil. O OGE 2010 foi aberto no último dia 2 de fevereiro.

De acordo com o secretário Nelson Tavares, cerca de 7% do OGE 2010 foi executado em janeiro, à conta de um doze avos, previsto em lei para ser pago em caso de necessidade antes da abertura do orçamento. O secretário informou que em fevereiro também foram liberados valores de restos a pagar.

Apesar disso, Nelson Tavares afirmou que os valores gastos pelo governo até agora estão dentro do que foi planejado. “Até agora, foi executado muito pouco, porque em janeiro não havia orçamento e ficou liberando a 1/12. Até agora executamos 15% do orçamento”, afirmou.

De acordo com o secretário de Planejamento, os valores estão sendo liberados de forma equitativa para todos os setores do governo, “porque o governo não está parado”, citando os gastos com custeio (água, luz, telefone). “Em março, estaremos fazendo o planejamento para a liberação de dinheiro para obras”, adiantou.

Informações que circularam ontem davam conta de que a governadora Wilma de Faria (PSB) deixaria o governo em abril para ser candidata ao Senado com boa parte do orçamento comprometido, engessando a futura administração Iberê Ferreira de Souza (PSB), que assume o governo com a pretensão de imprimir um toque pessoal na gestão estadual e tentar a reeleição em outubro.

Um dos setores que teria o orçamento comprometido seria a Comunicação Social, onde, de um total de R$ 12 milhões, R$ 4 milhões – ou um terço -, de acordo com Nelson já teriam sido executado do orçamento. “Desses quatro milhões, menos de dois dizem respeito ao Orçamento deste ano. O que eu quis dizer é que dois milhões foram para o pagamento de restos a pagar do ano passado”, corrigiu.

“Estamos caminhando normalmente. Fizemos restos a pagar; temos uma programação de obras, com aporte de obras grande, para março, o que implica que de março até dezembro estaremos realizando obras”, afirmou Tavares.

Indagado se o cidadão sentirá diferença entre as gestões de Wilma de Faria e Iberê Ferreira, com a mudança de comando do Estado prevista para abril, o secretário de Planejamento, cotado para permanecer à frente da pasta, disse que a mudança será “apenas no estilo pessoal”.

“Nos serviços e no encaminhamento de obras não vai haver grande diferença. Existe participação de Iberê no governo já há algum tempo. A governadora tem o poder de comando, mas ela sempre consulta os outros. Não acredito em guinada significativa, de cento e oitenta graus, a não ser no estilo pessoal de governar”, acrescentou.

Sobre sua permanência no governo, Nelson Tavares disse que está preparando a Secretaria Estadual de Planejamento para o sucessor, “que quem vai decidir será Iberê”. “Se for sair, saio com muito orgulho; mas, se for ficar, estará tudo arrumadinho”, encerrou.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

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Esse lugar existe!
O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso,basta acessar o site: www.dominiopublico.gov.br

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Quirino
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domingo, 2 de maio de 2010

Unidos pela música -Diário de Natal




Unidos pela música
Publicação: 01 de Maio de 2010 às 00:00

Nada de chorinho pelo leite derramado. O que os artistas da música do Estado querem agora é aderir à visão empreendedora, presente no cotidiano das grandes cidades musicais do país. Depois de ver a banda passar durante a “Feira de Música Brasil” do Ministério da Cultura, no ano passado, músicos, produtores, técnicos de som e demais profissionais do Estado, estão formando um grande coro para reivindicar a criação de políticas públicas e programas diversos frente às instituições de fomento à cultura. O coro tem nome: Rede Potiguar de Música – RPM. O projeto democrático e inédito recebe o apoio da agência cultural do Sebrae e da Casa da Ribeira. A noite de lançamento começa às 18h da próxima terça-feira e conta com a presença de Carlos Zens, Camarones Orquestra Guitarrística, Seu Zé, dentre outros bons nomes da música potiguar.
Rodrigo Sena artistas, cantores, compositores, produtores, técnicos da área criam a Rede Potiguar de Música
Segundo o jornalista Yuno Silva, um dos integrantes da Rede Potiguar de Música, o projeto tem como objetivo implantar uma visão empreendedora na classe artística, que falha por não encarar a música como um produto de circulação comercial. “Queremos, sobretudo, profissionalizar, criar produtos competitivos e dar espaço dentro e fora do Estado para os artistas potiguares”, disse Yuno.
Segundo o jornalista, o lançamento é a coroação de um movimento que começou em novembro do ano passado, durante a Feira Música em Recife, promovida pelo Ministério da Cultura. O objetivo da feira é incentivar o mercado fonográfico e o intercâmbio entre artistas. Durante sua última edição, ficou constatado pelos participantes que o RN estava à margem da produção artístico musical. “Nós estávamos no evento apenas como espectador”, disse Yuno.
A partir daquele momento, músicos, produtores, prestadores de serviço passaram a se reunir com o objetivo de criar, assim como em Minas Gerais, a rede de Música, unificando o segmento musical e estimulando a categoria a trabalhar de forma organizada e solidária. “Nos reunimos para ganhar força e ganhar espaço”, disse o jornalista.
Os objetivos principais da Rede, são: criar mecanismos para proporcionar a circulação de artistas dentro do Estado, através de turnês e caravanas; mapear todos os profissionais que trabalham com música no Estado, incluindo músicos, produtores, iluminadores, jornalistas culturais e outros profissionais e registrar as informações em um catálogo; e Promover cursos, oficinas de capacitação, ensinando como produzir shows, escrever um release, fazer fotos de divulgação, dentre outras atividades.
O excesso de talento e a falta de qualificação profissional são características assumidas pelos músicos potiguares. “A produção artística musical do Estado, por mais que tenha um grande potencial de qualidade, enfrenta dificuldades na divulgação e na estabilização enquanto profissional. Dificuldades herdadas das gerações anteriores”, disse o instrumentista Carlos Zens.
Segundo Yuno, as iniciativas de valorização da música eram isoladas, e talvez por isso, não tinham força. O jornalista explica que através da rede será possível trabalhar em três esferas: local, regional e nacional. O primeiro passo já foi dado. O grupo agora quer ampliar a rede de integrantes e fazer um link com outras redes do país.
A Rede Potiguar de Música está aberta a novos integrantes. O contato pode ser via internet, através do site www.redepotiguardemusica.blogspot.com, ou pessoalmente.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Potengi - Um rio de sujeira DN

Cidades
Edição de quarta-feira, 28 de abril de 2010
Um rio de sujeira no Potengi
O rio Potengi está recebendo, diariamente, cerca de 18 milhões de litros de esgoto sem tratamento adequado
Maiara Felipe especial para o Diário de Natal

A cada dia, a Companhia de Águas e Esgoto do Rio Grande do Norte (Caern) despeja no rio Potengi cerca de 18 milhões de litros de esgoto sem tratamento adequado. O número é referente às seis Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) de Natal que estão funcionando de forma inadequada e mandam para o efluente o resultado de um esgotamento sanitário feito de forma incorreta ao longo de muitos anos. O esgoto coletado na Cidade da Esperança, Lagoa Nova, Bom Pastor, Nazaré, Centro administrativo e Potilândia tem como destino a Lagoa Aerada, localizado no Km 6, onde deveria existir o tratamento do material antes de enviar para o Potengi. O que deveria acontecer, há muitos anos não acontece. A estação funciona acima da capacidade e a estrutura que faz o tratamento do esgoto praticamente não existe.


Todo o esgoto é enviado a uma lagoa, que está recebendo uma quantidade de dejetos bem maior do que sua capacidade Foto: Carlos Santos/DN/D.A Press
Segundo o responsável pelo monitoramento ambiental do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), Sérgio Macêdo, a Lagoa Aerada foi projetada para receber por dia 279 metros cúbicos (279 mil litros) de esgoto por hora, mas atualmente coleta cerca de 486. "Por funcionar acima da capacidade, nos últimos dias o dique (barreria de contenção) rompeu", ressaltou. Durante uma visita ao local feita pelo Ministério Público junto a Caern e o Idema, Sérgio explicou como deveria ser o processo de tratamento e como na verdade ele é realizado. "O esgoto chega pela tubulação e deveria ter primeiro uma grade para retirar o lixo, o que não tem. Depois ele passa pelas caixas de areia que deveria funcionar alternadamente, mas ficam todas acionadas ao mesmo tempo, e isso dificulta a limpeza. E por fim, como o nome da lagoa já diz, o tratamento era para ser feito com aeradores e aqui não encontrei nenhum", resumiu.

Os aeradores serviriam para oxigenar o esgoto, sem eles o tratamento fica apenas nas condições primárias pelo mecanismo anaeróbico. Sérgio não afirma que o esgoto está indo sem tratamento para rio, embora confirme que o funcionamento acima da capacidade e a falta de estrutura interferem muito no resultado do processo. Ele diz ainda que as demais ETEs ( Beira Rio, CIAT, Quintas, Jardim Lola I e II) passam pela mesma situação (ou parecida) por falta de manutenção e operação por parte da Caern. Para o promotora de Meio Ambiente, Gilka da Mata, a demanda da rede coletora de esgoto foi crescendo e a Caern não adaptou nenhuma das ETEs. " Além disso, esgotamento sanitário não se resume à coleta, tem o tratamento e a disposição final", lembra. Baseada nisso, a representante do MP enfatiza que " 0% de Natal tem esgotamento sanitário realmente porque só tem a rede de coleta". " Comecei a investigação sobre as condições dessas ETEs em 2006 e dividi as em várias ações. Uma delas pede o estudo da situação de poluição do Potengi. Esse estudo está sendo feito pela UFRN e ainda não foi concluído", declarou a promotora sobre a situação do rio.


Promotora do meio ambiente, Gilka Mata, esteve no local e cobrou providências Foto: Carlos Santos/DN/D.A Press
Há pelo menos 10 anos, Gilka da Mata acredita que as estações estão funcionando irregularmente, jogando esgoto com tratamento inadequado no Potengi, e ainda que operassem plenamente, não estariam fazendo o esgotamento de forma correta. Nos planos da Caern está despoluir o Rio Potengi até dezembro de 2011. Pelo menos, é o que eles mostram em projetos para as ETEs (incluíndo a do Baldo) orçados na ordem de R$ 182 milhões. De acordo com o diretor presidente do órgão, Sérgio Pinheiro, os recursos já estão assegurados, entretanto, algumas ações só serão possíveis quando a ETE do Baldo começar a funcionar (está em fase de testes até junho).

A Lagoa Aerada, por exemplo, precisa desviar sua rede coletora para o Baldo. Depois disso é que a recuperação da lagoa deverá acontecer. Essa obra está licitada em cerca de R$ 72 milhões e fará um novo esgotamento atingindo os bairros de Cidade Nova, Felipe Camarão, Guarapes e Bom Pastor. Mesmo alcançando 20 bairros de Natal, a ETE do Baldo não poderá resolver o problema do esgotamento da Zona Sul, que está dependendo da obra do Emissário Submarino (projeto que ainda não saiu do papel).

"Vamos resolver a situação de Capim Macio e San Vale utilizando as lagoas de captação existentes, que precisam apenas serem ampliadas", disse. Conforme a Promotoria do Meio Ambiente, a ETE da Rota do Sol, estação de tratamento que o órgão está contando para região Sul, vem funcionando acima da capacidade e no próximo dia 17, uma audiência discutirá o caso.

Após a visita, o grupo foi para a Promotoria do Meio Ambiente, onde a Caern participou de uma audiência de conciliação designada pela Juíza Divone Maria Pinheiro da 17ª Vara Cível da Comarca de Natal. O Ministério Público, que já tinha uma Ação Civil Pública sobre o caso desde 2007, estipulou alguns prazos para solucionar os problemas das ETEs e o órgão se comprometeu a cumprir as medidas a partir de ontem.
Sujeira

Litros de esgoto jogados por hora no Potengi:

ETE Beira Rio - 93.240

ETE CIAT - 30.930

ETE Quintas - 50.190

Lagoa Aerada - 486.000

ETE Jardim Lola I - 58.120

ETE Jardim Lola I I- 53.500

Estação / Esgoto/ Prazo

Estações

ETE Beira Rio - No prazo de 12 meses, realizar as obras civis de recuperação e dimensionamento das lagoas existentes de forma a garantir o lançamento dos efluentes de acordo com os padrões das legislação ambiental e das exigências do órgão ambiental licenciador.

ETE CIAT - Desativar a ETE no prazo de 18 meses e realizar dentro do prazo mencionado o encaminhamento dos esgotos para a ETE do Baldo, para tanto instalado nesse prazo uma estação elevatória para encaminnhar os esgotos para ETE do Baldo.

ETE Quintas -Desativar a ETE no prazo de 18 meses e realizar no prazo mencionado o encaminhamento dos esgotos para a ETE do Baldo através da instalação de duas elevatórias.

Lagoa Aerada - Desativar a ETE no prazo de um ano e encaminhar todo esgoto que está direcionado para a ETE do Baldo. Caso a Caern tenha a intenção de utilizar a área para uma nova ETE, deverá instalar e operar a ETE de acordo com uma licença ambiental específica.

ETE Jardim Lola I-No prazo de 10 meses concluir as obras civis de recuperação e dimensionamento das lagoas existentes para que o sistema opere nos padrões exigidos pela legislação ambiental pelo Idema.

ETE Jardim Lola II - No prazo de 10 meses concluir as obras civis de recuperação e dimensionamento das lagoas existentes para que o sistema opere nos padrões exigidos pela legislação ambiental pelo Idema.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Mas, e se acabar???

Conselhos pro fim do mundo - Maria da Paz
22 de Junho de 2009

Me diga meu camarada
O que você vai fazer
Nesta data calculada
Para o mundo se acabar
Faltando só quatro dias
Para o Natal festejar
Do ano dois mil e doze
O planeta sumirá

Será que mesmo assim vai comprar
Os presentes e entregar.
Pense bem ao escolher
Pra dinheiro não perder.
Nessa grande confusão,
Vai aquí uma sugestão.
Pra aquela sogra cachaceira,
Dê um paletó de madeira.

Mariinha, toda cheia de saúde,
Compre um tal de ataúde.
Pro sogrão sem compaixão,
Lhe presentei um caixão.
Pra vizinha da direita,
Dê-lhe uma cova bem feita.
Perdoe a Maria Rita,
E dê um laço de fita.

Uma grinalda amarela,
Compre pra tia Isabela.
E pra sua ex-mulher Lêla,
Escolha uma mortalha de seda.
Em cartão postal a Lilia,
Escreva uma ave Maria.
Mande flores brancas,
Pras filhas da Dona Bianca.

Muitas flores coloridas
Pra enfeitar a noite derradeira
Dessa raça companheira
A todos que de ti falaram,
Ofereça um rosário.
E àqueles que te amaram
Faça uma linda declaração.
Faça votos de união
Deseje Reencarnação
Não importa o endereço
Esse fim pode ser o começo.

O mundo não vai acabar! - Olimpio Araujo Jr

Chuvas no Rio de Janeiro - Caos e destruição


Dunas invadem casas


Buraco engole casas e carros em plena São Paulo


Enchentes
Olimpio Araujo Junior na íntegra -O mundo não vai acabar!

Reflexões sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente - Olimpio Araujo Junior

Maremotos, terremotos, secas, el niño, efeito estufa, aquecimento global, são algumas das catástrofes naturais provocadas ou não pelo homem, que assolam nosso planeta e colocam em risco todas as formas de vida. Se isso tudo não bastasse, ainda vemos o homem brincando de Deus, e no alto de sua arrogância, acreditando que pode controlar e modificar o meio ambiente.

Insiste em manipular a vida em laboratórios e esquece que vivemos em uma grande rede, onde tudo é interligado e interdependente. Apesar de toda a evolução cultural, social e científica, ainda é ingênuo o suficiente para acreditar que, em poucos anos ou meses, pode alterar a natureza que levou 4,5 bilhões de anos para ser formada, e que esta alteração não trará nenhum malefício.

O dinheiro passou a ser o fator primordial. As pessoas acreditam que tudo pode ser resolvido com o poder econômico e com a tecnologia cada vez mais avançada, e isso serve de desculpa para degradar e consumir sem limites. Mas como diria Ted Perry na Carta do Chefe Seattle, “apenas quando o homem derrubar a última árvore, poluir o último rio e matar o último peixe, irá perceber que não poderá comer o dinheiro que ganhou”. Vivemos em um tempo de alarme geral, onde as questões ambientais são cada vez mais importantes para nossa sobrevivência. Estamos criando todas as condições necessárias para que este planeta se torne inabitável e, enquanto isso, assistimos eufóricos notícias espetaculares que mostram os EUA investindo bilhões para tornar Marte habitável. Na verdade espero mesmo que eles vão todos pra lá, peço apenas que não destruam nosso planeta totalmente com seus transgênicos, sua poluição e seu consumo irracional antes de fazerem o favor de se mudar.

Durante milhões de anos nosso planeta foi dominado por seres gigantescos, que não degradavam nem poluíam, mas em um determinado período desapareceram deixando apenas os testemunhos de sua existência. Assim também acontecerá com o ser humano, e provavelmente, muito mais rapidamente, pois ele mesmo está aos poucos destruindo as possibilidades da sua continuidade no planeta.

Mesmo decidido a continuar lutando por o que acredito, como aquele passarinho da história que levava água no bico para pagar o incêndio da floresta, concluo que temos muito pouco o que comemorar no dia 5 de junho. Apesar disso, tenho uma boa notícia: “O mundo não vai acabar!”. Mesmo com todas estas das previsões catastróficas relacionadas a situação de nosso planeta e constantemente questionadas por grupos políticos ou econômicos, folgo em dizer a todos que ele sobreviverá, e como sempre, a natureza encontrará os meios para retomar o equilíbrio. Porém, infelizmente não posso afirmar com tanta ênfase o mesmo sobre a raça humana.]


Geleiras chilenas derretem muito rapidamente


Vulcão entra em erupção em meio a geleira


Vulcão em erupção na Islandia


Terremotos no Haiti

Biodiesel e os impactos ambientais - pesquisa

O Dia 22 de Abril foi escolhido como o "Dia do Planeta Terra". E eu pergunto: O que se faz em um dia, pelo Planeta Terra?
Não precisa responder. Podemos gritar aos quatro cantos do Mundo para que tenhamos bom censo e cuidemos melhor das nossas casas, dos nossos quintais,das nossas ruas, das nossas cidades, dos nossos rios, das nossas praias, das nossas florestas. Vamos colocar no lixo, o que realmente for lixo, juntar os restos de óleos das nossas casas e transformar em sabão, evitemos o uso de sprays, o clorofluorcarbono (CFC),as queimadas, os desflorestamentos, etc. Fragmentar as ações para colher resultados globalizado.
HUMANIDADE....



Biocombustíveis causam quatro vezes mais
emissões de CO2 que a gasolina comum.
Combustíveis feitos a partir de soja têm o poder de causar quatro vezes mais impacto no ambiente que a gasolina ou diesel comum. A novidade faz parte de um relatório da Comissão Europeia, segundo o jornal Telegraph desta quinta-feira (22).

A emissão quatro vezes maior de CO2 (dióxido de carbono), um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa, é mais uma polêmica que envolve a produção de biocombustíveis. Esse tipo de produto é considerado por muitos especialistas como responsável por provocar escassez de alimentos nos países onde as áreas de plantio para arroz e trigo passaram a ser substituídas por campos de soja ou cana-de-açúcar.

O problema se agrava nos Estados Unidos porque a terra usada na produção de soja para alimentação animal está sendo agora ocupada com foco na demanda pelos biocombustíveis, fazendo com que sejam necessárias mais espaços para o plantio em grandes países exportadores, como o Brasil.

As menores emissões indiretas são as que acontecem a partir do bioetanol feito com cana-de-açúcar ou beterraba e óleo de palma do sudoeste asiático, mas mesmo assim causam danos por muitas vezes estarem ligadas ao desmatamento.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A cidade que ninguém inventou


Em uma versão saudosista assisti o vídeo
apresentado no lançamento do livro
"A cidade que ninguém inventou"
de Osair de Vasconcelos. E recordei-me:
Ele, que já foi meu professor de História, "e etc e tal"
no ano de mil novencentos e setenta e cinco, talvéz, quando
me preparava para o tão temido exame de admissão.
As aulas eram a noite em um prédio
ao lado do Pax Clube.
Porém, antes disso, já o conhecia,
pois era ele, um dos rapazes que
faziam a programação radiofônica todas as tardes,
alí mesmo no Pax Clube. Ainda no
Parque Governador José Varela, existia:
Câmara Municipal, administrada por
Heronides Mangabeira(vereador presidente da Casa
e suas filhas(Fátima, Gessí e Regina,
que iam fazer a limpeza e eu ia junto),
a Delegacia de Polícia
(o delegado e quatro soldados),
a Escolinha Antônio Andrade,
A casa Projeto Casulo(creche),
o Pax Clube, a Quadra de Esportes
e o point da época "o Campo do Cruzeiro".
E etc e tal.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Conciência Negra - Maria da Paz



Conciência Negra - Maria da Paz

Mãe!!!
Quem me pintou de preto?
Sou diferente e sofro com isso.
Será que tem uma tinta de pele?
Mudem a minha pele,
ou mudem a pele dos outros.
Sou apenas uma menina, tenho sonhos.
Mais a pessoas não entendem...
Meus amigos dizem que tostei.
Que passei do ponto.
Já meu pai diz que é genético.
Os que não gostam da minha cor,
dizem que é porque sou pobre
Mas, eu sei que é tudo isso
e mais um pouco
Eu sou negra porque meu sangue
é descendente dos homens e mulheres
que produziram as riquezas dos brancos
desse país.
Será que sou pobre porque sou negra?
Ou será que sou negra por que sou pobre?
Não sabe responder não é?
Sou pobre por que os brancos roubaram
minha dignidade, jogando-me no porão
de um Negreiro e depois numa senzala.
Castraram a minha cidadania.
E os papeis se inverteram!
Quem nos tirou os direitos humanos
querem que eu tenha vergonha
por causa da minha cor.

Ora pois, vergonha tenham
os aproveitadores de mão de obra barata
Vergonha tenham os preconceituosos
Aqueles que se acham superiores.
Digo-te pois, superior sou eu
que ando de cabeça levantada.
Que não carrego a culpa das
diferenças sociais desse imenso Brasil
Sou negra! Perfeita fisicamente
Tenho capacidades de raciocínio.
Não é a quantidade de melanina
de minha pele que me faz melhor
ou pior do que os demais.
Sou feliz. Pobre ou rico, não importa.
Eu resgatei minha dignidade, minha cidadania
meus direitos humanos.
Tenho uma arma poderosa - "O conhecimento"
Já como manga e tomo leite, sem medo
Enfim, Tenho orgulho da cor de minha pele.
Sou negra, apenas negra.

Como um Sândalo...




Como um sândalo humilde que perfuma,
o ferro do machado que lhe corta.
Ei de ter minha alma sempre morta.
Mas,não me vingarei de coisa alguma.
Se algum dia perdida pela pruma,
resolveres bater em minha porta,
ao invés da humilhação que desconforta,
teráis um leito sob o chão de plumas.
Em troca dos desgostos que me destes,
mais carinho teráis do que tivestes.
Meus beijos serão multiplicados.
Para os que voltam pelo amor vencido.
A vingança maior dos ofendidos
é saber abraçar os humilhados.

Poema de Chico Bezerra, poeta pernambucano
em: Como um Sândalo

Agradeço ao amigo Adriano pela informação
Achei o poema lindo, mas, desconhecia o autor.
É muito importante dar a autoria de uma obra.

terça-feira, 30 de março de 2010

Boca livre

Boca Livre e 14 Bis
Composição: Fernando Brant / Milton Nascimento

Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito, carater, bondade, alegria e amor
Pois não posso, não devo, não quero viver como toda essa gente insiste em viver
E não posso aceitar sussegado qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

E me fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito, carater, bondade, alegria e amor
Pois não posso, não devo, não quero viver como toda essa gente insiste em viver
E não posso aceitar sussegado qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

E me fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito, carater, bondade, alegria e amor
Pois não posso, não devo, não quero viver como toda essa gente insiste em viver
E não posso aceitar sussegado qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

O amor é ...




Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões (1524-1580)

segunda-feira, 15 de março de 2010

Chico Buarque e o Leite Derramado - Pesquisa


O nome dele é Francisco Buarque de Hollanda. Conhecido mesmo como o Chico Buarque, carioca geminiano de 19 de junho de 1944. Músico, dramaturgo e escritor brasileiro, dentre tantas qualidades. Seu pai era ninguém menos que o historiador Sérgio Buarque de Holanda.
Chico Buarque de Holanda iniciou sua longa e de sucesso carreira na década de 1960, destacando-se em 1966, quando venceu, com a canção A Banda, o Festival de Música Popular Brasileira. Em 1969, devido à repressão da Ditadura, exilou-se na Itália, tornando-se, ao retornar, um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democracia brasileira. Na carreira literária, foi ganhador do Prêmio Jabuti, pelo livro Budapeste, lançado em 2004.
Vamos conhecer agora algumas Musicas Chico Buarque que marcaram sua carreira como clássicos da música brasileira.
A letra abaixo é de Calice Chico Buarque, uma das mais importantes músicas que criticava a ditadura, dando dupla conotação a “cálice”.

Pai! Afasta de mim esse cálice (cale-se)
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue…(2x)

Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta
De que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta…

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue…

Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado
Esse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa…

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue…

De muito gorda
A porca já não anda
(Cálice!)
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
(Cálice!)
Essa palavra
Presa na garganta
Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade…

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue…

Talvez o mundo
Não seja pequeno
(Cálice!)
Nem seja a vida
Um fato consumado
(Cálice!)
Quero inventar
O meu próprio pecado
(Cálice!)
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Pai! Cálice!)
Quero perder de vez
Tua cabeça
(Cálice!)
Minha cabeça
Perder teu juízo
(Cálice!)
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
(Cálice!)
Me embriagar
Até que alguém me esqueça
(Cálice!)

O último grande Livro Chico Buarque é Leite Derramado.


Leite Derramado

A história do livro Chico Buarque é a seguinte - leite derramado chico buarque: Um homem muito velho está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história de sua linhagem desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até o tataraneto, garotão do Rio de Janeiro atual. A visão que o autor de leite derramado chico buarque nos oferece da sociedade brasileira é extremamente pessimista: compadrios, preconceitos de classe e de raça, machismo, oportunismo, corrupção, destruição da natureza, delinquência.
A saga familiar marcada pela decadência é um gênero consagrado no romance ocidental moderno. A primeira originalidade deste livro, com relação ao gênero, é sua brevidade. As sagas familiares são geralmente espraiadas em vários volumes; aqui, ela se concentra em 200 páginas. Outra originalidade é sua estrutura narrativa. A ordem lógica e cronológica habitual do gênero é embaralhada, por se tratar de uma memória desfalecente, repetitiva mas contraditória, obsessiva mas esburacada.
O texto é construído de maneira primorosa, no plano narrativo como no plano do estilo. A fala desarticulada do ancião, ao mesmo tempo que preenche uma função de verossimilhança, cria dúvidas e suspenses que prendem o leitor. O discurso da personagem parece espontâneo, mas o escritor domina com mão firme as associações livres, as falsidades e os não-ditos, de modo que o leitor pode ler nas entrelinhas, partilhando a ironia do autor, verdades que a personagem não consegue enfrentar.
Em suas leves variantes, as lembranças obsessivas revelam sutilezas ideológicas e psíquicas. E, como essas lembranças têm forte componente plástico, criam imagens fascinantes. Tudo, neste texto, é conciso e preciso. Como num quebra-cabeça bem concebido, nenhum elemento é supérfluo.
Há também um jogo com os espaços onde ocorrem os acontecimentos narrados. As várias casas em que o narrador morou, como as décadas acumuladas em suas lembranças, se sobrepõem e se revezam.
O fato de nem no fim da vida o homem de leite derramado chico buarque compreender e aceitar o que aconteceu torna seu drama ainda mais lamentável. Os enganos ocasionados por seu ciúme são tragicômicos, e o escritor os expõe com uma acuidade psicológica que podemos, sem exagero, qualificar de proustiana. Leyla Perrone-Moisés

domingo, 7 de março de 2010

Mal entendido, sabedoria ou ignorância ? - Da Paz





Mal entendido, sabedoria ou ignorância?
Maria da Paz
Macaíba/Fevereiro de 2010

Menina! eu nem te conto. Quer dizer, conto!!!
Eu moro, ou melhor, eu trabalho em um apartamento
de luxo, num condomínio de elite, num bairro
nobre da Capital do Sol.
Minhas amigas suspirando pelos cantos diziam assim:
- Ah que família linda! e o teu patrão?!!
- Oh que família!!! Além de lindos são podres de ricos.
Mas, eu atrapalhando, digo mesmo:
- Lindos? ricos? vocês estão por fora! São ricos não.
Na verdade são podres de pobres. Eles não tem nada não.
- Ué?!! Como tem nada não, estás doida mulher?
Que coisa feia, difamando os patrões. E esse luxo todo?
- Digo e repito: Tem nada, na-da, nada.
Até o fogão é emprestado.
- Que mentira, deixa disso!
- É sim. O fogão, a cafeteira, o liquidificador,
a sanduicheira, a batedeira e até o forno micro ondas
são de um sujeito chamado "ARNO" com letra maiúscula,
minha filha. E a geladeira??? A patroa diz: - Cuida
bem que é pra não arranhar que é da Britânia! Os
armários são de um gay!
- Gay???!! que gay?
-Ah! Isso eu não sei, mas eles dizem: esses armários
são da "Delano". Vê se pode!? Tudo alheio. Toalhas?
da Teca! As roupas!? umas são de um tal de Pool, outras de um
cara chamado Pierre.
- Minhas filhas, para seus governos,
até as cuecas são de um rapaz que se chama Kelvin clai.
- Mas, eu carrão da patroa?
- Uh! da patroa vírgula, é de uma mulher
que eu não conheço, mais sei que se chama Mercedes.
É uma pobreza só. O patrão é o mais cara de pau de todos,
quando os amigos de trabalhos vem o visitar ele diz:
Vamos tomar uma cachacinha? essa é das boas,
é de Vitória de Santo Antão, se é o wisque ele diz:
- esse é Jone Uoque. Vocês podem acreditar, a pindaíba
é tão grande que as bolsas e as sandálias também são
emprestadas - elas pedem sandálias uma tal de
Ana bela, Ana Rosa, da Ivete, da Xuxa,
as botas é de uma moça lá Rio Grande do Sul, a Renata.
AS pobres pra não viverem tão feias, usam a maquiagem
alheia, dizeram que é de uma anciã, é da Dona Helena Rubstaen.
E o creme? É da Dona Nívea. Meu Deus, até o sabonete é de um
tal Senador. Que tristeza, que horror!