Dia do Nordestino - 08 de Novembro

sábado, 12 de março de 2016

Tirando uma dúvida sobre o Dia da Poesia - Por Maria da Paz


Sempre que posto sobre o Dia da Poesia, alguém sempre diz: Mais o dia da Poesia é dia 14 de Março, 21 de Março, ou 20 de outubro. Então vamos explicar isso.
O Dia 14 de Março é o Dia Nacional da Poesia. Ou foi. Esse dia foi criado para homenagear o Nosso Poeta Nordestino de Curralinho BA, Antônio Frederico de Castro Alves. Nascido em 14 de Março de 1847. Também conhecido como o poeta dos Escravos.
A canção do africano
Castro Alves

Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro, no chão,
Entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão...

De um lado, uma negra escrava
Os olhos no filho crava,
Que tem no colo a embalar...
E à meia voz lá responde
Ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez pra não o escutar!

"Minha terra é lá bem longe,
Das bandas de onde o sol vem;
Esta terra é mais bonita,
Mas à outra eu quero bem!

"0 sol faz lá tudo em fogo,
Faz em brasa toda a areia;
Ninguém sabe como é belo
Ver de tarde a papa-ceia!

"Aquelas terras tão grandes,
Tão compridas como o mar,
Com suas poucas palmeiras
Dão vontade de pensar ...

"Lá todos vivem felizes,
Todos dançam no terreiro;
A gente lá não se vende
Como aqui, só por dinheiro".

O escravo calou a fala,
Porque na úmida sala
O fogo estava a apagar;
E a escrava acabou seu canto,
Pra não acordar com o pranto
O seu filhinho a sonhar!

O escravo então foi deitar-se,
Pois tinha de levantar-se
Bem antes do sol nascer,
E se tardasse, coitado,
Teria de ser surrado,
Pois bastava escravo ser.

E a cativa desgraçada
Deita seu filho, calada,
E põe-se triste a beijá-lo,
Talvez temendo que o dono
Não viesse, em meio do sono,
De seus braços arrancá-lo!



Já o Dia Mundial da Poesia é 21 de Março, data essa, criada pela UNESCO no ano de 1999.
Mas, e o dia 20 de Outubro? É uma data extra oficial, pois ela indica a Fundação do Movimento Poético Nacional. Transformando-se em  Dia do Poeta

dia da poesia
Adendo
O Dia Mundial da Poesia celebra-se a 21 de março e o dia 20 de outubro celebra o dia do Poeta, foi criado na XXX Conferência Geral da UNESCO em 16 de Novembro de 1999. O propósito deste dia é promover a leitura, escrita, publicação e ensino da poesia através do mundo.
Nada a contento nem oficial, da homenagem a Castro Alves, em 2009, foi encaminhado ao Senado um Projeto de Lei nº 501  para  mudar a data e homenagear ele: Carlos Drummond de Andrade.
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
No meados de 2015, a Presidente Dilma, precisamente em 3 de junho de 2015, sancionou a Lei 13.131/2015,que criou oficialmente o Dia Nacional da Poesia. Esse Projeto de Lei, sugerido pelo senador Álvaro Dias, teve proposta aceita para que o Dia Nacional da Poesia fosse comemorado no dia 31 de Outubro, nascimento do poeta Carlos Drummond de Andrade.

Carlos Drummond de Andrade. nasceu em Minas Gerais, na cidade de Itabira, no ano de 1902,  e faleceu no Rio de Janeiro em 17 de Agosto de 1987, e 
é um dos maiores poetas brasileiros, sendo reconhecido internacionalmente.
Carlos Drummond de Andrade

(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
(Resíduo)



Poesia completa


Resíduo
Carlos Drummond de Andrade
De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
- vazio - de cigarros, ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.



domingo, 21 de fevereiro de 2016

Guibson Medeiros: As mentiras de Joaquim de Bento

Cumpade Joaquim de Bento

que trouxe tanta alegria
estória e conhecimento
mentira e sabedoria
conhecido na cidade 
pelo jeito caipira
por contar seriedade
na verdade da mentira



De manhã já bem cedinho
seu Joaquim chegou cansado
dizendo que seu burrinho
só anda meio apressado
veio num pique arretado 
regado pela espora
na garupa com a patroa
e de Recife a João pessoa
num tirou nem uma hora.



No sertão de cajazeiras
naquela noite tão fria
o vento nas bananeiras
chega os dente batia
as telha já sacudia
e começou a nevar
e chegou Toin de Matos
dizendo que lá em patos
dava até pra esquiar.



No sítio de Bastiana
lá pras bandas de galante
tem um pé de cajarana
que só dá cajá gigante
pra crescer é num instante
que não dura nem um dia
chega o pé fica deitado
e quando nasce atrofiado
empata com a melancia.



Já era de tardezinha
me mandei pro quebramar
coloquei o anzol na linha
e comecei a pescar
quando senti beliscar
me assustei com aquilo
quando puxei da maré
era um baita dum saberé
com mais de duzentos quilo.



A tarde já tá no fim
a moçada já se arretira
e o cumpade Joaquim
num contou uma só mentira

é que eu vim de Guarabira
nesse jumento sizudo
vim triste pelo caminho
que a peste do passarinho
Voou com gaiola e tudo

Dona desse Amor - Lucero

Essa vida me ensinou
a não entregar o coração
Meu destino eu controlava 
pelas rédeas
Tive forças quando 
o sol se escondeu
E sempre eu
Defendia o meu querer 
de mil maneiras
E então você chegou
A outra latitude 
você me levou
Me entrega sua luz
Me faz sua dona

Dona desse amor
Dona desse abraço
Dona do seu corpo 
e alma de cada pedaço

Mais do que eu sonhei
Minha promessa eterna
Você a prova viva 
que existe alma gêmea
Do teu amor eu sou a dona

Quando eu olho pro passado
Eu não sei, como te encontrei
Será que você 
estava me esperando?
Deve ser que o universo 
nos juntou
Confabulou
Estava já designada 
a ser sua dona

E então você chegou
A outra latitude 
você me levou
Me entrega sua luz
Me faz sua dona
Dona desse amor
Dona desse abraço
Dona do seu corpo 
e alma de cada pedaço

Mais do que eu sonhei
Minha promessa eterna
Você a prova viva 
que existe alma gêmea
Do teu amor eu sou a dona

Já é totalmente meu
Somos como areia e mar
Na dualidade de se amar

Dona desse amor
Dona desse amor
Dona desse abraço
Dona do seu corpo 
e alma de cada pedaço

Mais do que eu sonhei
Minha promessa eterna
Você a prova viva 
que existe alma gêmea
Do teu amor eu sou a dona

Texto com fotos retirados do Blog Área de Mulher

Dizem por aí que o amor está fora de moda. Mas, como toda coisa cafona, tem sempre seus admiradores e fãs incondicionais, não é mesmo? Em pleno século 21, só para você ter ideia, há quem acredite que está à procura ou que já encontrou aquele lance famoso de alma gêmea, dá para acreditar?
Mas, se amar é “over”, até mesmo a ciência está presa ao passado, como você já deve ter visto aqui, no Área de Mulher, nessa outra matéria que mostra asrazões científicas para todo mundo morrer de amores e namorar. Aliás, quando o assunto é esse, felizes mesmo são aqueles que não estão nem aí para o que os outros dizem e se entregam à “breguice” do amor e do encontra da alma gêmea sem nem pensar duas vezes, não acha?
Se você também faz parte de time de inveterados e saudosistas do amor, chegou a hora de saber se você já esparrou com sua alma gêmea por aí. Segundo dizem por aí, o teste é simples e basta você prestar atenção em sua vida amorosa.
Na lista abaixo, a gente ajuda você a tirar essa dúvida de vez e descobrir se sua alma gêmea já está no pedaço. Uma dica para que tudo dê certo: siga sua intuição e analise direitinho seus sentimentos.

Confira abaixo, 8 sinais de que você encontrou sua alma gêmea:

1. Vocês não precisa de palavras para se expressar, a comunicação é eficiente até mesmo na troca de olhares;

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2. Não dá para explicar. O sentimento de atração entre os dois é algo muito mais forte que você poderia imaginar que seria quando encontrasse sua alma gêmea;

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3. Quando você encontra sua alma gêmea, mudança na rotina e no comportamento é algo natural e nunca uma imposição;

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4. A química entre você e sua alma gênica vai muito além do físico;

4

5. Ansiedade e tensão não existem. Encontros entre você e a pessoa que você julga ser sua alma gêmea são bons demais para caber quaisquer inseguranças;

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6. Você pode ter demorado meses até descobrir que aquela pessoa é sua alma gêmea, mas o sentimento que ela causa em você não deixa dúvidas de que suas intuições estão corretas;

6

7. Você tem certeza que está com sua alma gêmea quando nunca precisa se anular na relação, nem sente que precisa mudar a forma de ser da outra pessoa;

3

8. Apesar de ser um casal, a ligação que há entre vocês poderia ser de companheirismo ou, mesmo de irmandade, devido à cumplicidade entre você e sua alma gêmea.

8
E aí, acha que você encontrou sua alma gêmea agora?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

NORDESTE: AQUI É O MEU LUGAR - CORDEL

 NORDESTE: AQUI É O MEU LUGAR

Vou falar do meu lugar
Terra de cabra da peste
Terra de homem valente
Do sertão e do agreste
Terra do mandacaru 
Do nosso maracatu
Meu lugar é o Nordeste!


Meu Nordeste tem riquezas
Só encontradas aqui 
Sua música, sua dança
Sua gente que sorri
Nosso povo tem bravura
Tem tradição, tem cultura
Da Bahia ao Piauí.




A nossa música é linda
Temos coco e embolada
Aboio e banda de pife
Poesia improvisada
Axé, repente, baião
O forró do Gonzagão
Que faz a maior noitada.



Frevo, xote e xaxado
Violeiro, canturia
O martelo agalopado
O cordel e a poesia
O cantador de viola
Fazendo versos na hora
Pra nos trazer alegria.



Nossa dança é muito rica
E bastante popular
Tem ciranda, afoxé
Para quem quiser dançar
Bumba-meu-boi, capoeira
Essa dança brasileira
Querida em todo lugar.



Tem baião e tem forró
Pra dançar agarradinho
Tem maracatu, congada
Tem o cavalo-marinho
Festa junina animada
Pra toda rapaziada
Namorar um “bucadinho”.




Nossa culinária é rica
Em tradição e sabor 
Tem cuscuz, tem macaxeira
Que têm um grande valor
Tem o xinxim de galinha
Rapadura com farinha
Tudo feito com amor.



Do bode tem a buchada 
Carne de sol com pirão
O mocotó, a rabada
O bobó de camarão
Bredo no coco, paçoca
Vatapá e tapioca
Venha provar o qu’é bão.




Temos doce bem gostoso
Como o Bolo de Fubá
A cocada, a rapadura
O quindim e o mungunzá
Temos Beijinho de coco
Que deixa qualquer um loco
Venha aqui saborear.




As festas do meu Nordeste
Têm alegria e calor
O carnaval de Olinda, 
De Recife e Salvador 
Em Natal o “Carnatal”
Em Fortaleza o “Fortal”
Micaretas de valor.




Quando chega o São João 
A "disputa" é pra valer
A "Capital do Forró"
Todos querem conhecer
Caruaru tem beleza
Campina Grande destreza 
Para o forró não morrer.



Terra de Alceu Valença
E de Jackson do Pandeiro
Terra de Luís Gonzaga
Esse grande brasileiro
A terra de Elba Ramalho 
E também de Zé Ramalho
Famosos no mundo inteiro.




A terra de Virgulino
O famoso Lampião
A terra de Vitalino
Rei do barro feito à mão
A terra do “Padim Ciço”
Dos milagres, “dos bendito”
Do poder da oração.



Piauí da Pré-História
Bahia do candomblé
Paraíba das cachaças
Em Sergipe eu boto fé
Pernambuco tem o frevo
Alagoas tem segredo
Vá descobrir o que é.




Maranhão é o estado
Pra dançar bumba-meu-boi
Ceará do “Padim Ciço”
Só conhece quem já foi
No Rio Grande do Norte
A cultura é muito forte
Vá! Não deixe pra depois.



Essa terra é muito boa
Dela ninguém me separa
Tem tudo pra se viver
Uma culinária rara
Uma beleza campestre
Só deixo o meu Nordeste
No último pau-de-arara.