ORGULHO DE SER NORDESTINO
O nordeste hoje implora
as águas da cachoeira
a chuva corre por fora
nem passa pela porteira.
por causa dessa demora
nordestino quando chora
as lágrimas são de poeira.
E quando a chuva aparece
o ano começa bem
tem gente que reza prece
tem outras que diz amém
a Deus o sertão agradece
e eu agradeço também.
Guibson Medeiros
Quero sorrir o teu risso
Quero chorar o teu choro
Quero cantar, celebrar
Reconhecer em cada pessoa
A bondade, a caridade
Quero pensar que em cada "Ser"
Existe um irmão
Mesmo reconhecendo
Os seus e os meus defeitos
O fruto de existência do Criador
Imagem e semelhança
Quero agradecer e credenciar a Deus
A nossa alegria, nossa sabedoria
Quero fazer valer o amor
Que Deus derramou sobre nós
Amar cada irmão como Deus mandou
Amar a Deus sobre todas as coisas
Pois Ele é o nosso melhor amigo.
Agradeço a Deus por cada amigo
Virtual ou real, nada importa
Amigo é amigo
Distante, presente, família
Amigo é o melhor Presente
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assovia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?
A todo mundo eu dou psiu (Psiu, Psiu, Psiu)
Perguntando por meu bem (Psiu, Psiu, Psiu)
Tendo um coração vazio
Vivo assim a dar psiu
Sabiá, vem cá também (Psiu, Psiu, Psiu)
A todo mundo eu dou psiu (Psiu, Psiu, Psiu)
Perguntando por meu bem (Psiu, Psiu, Psiu)
Tendo um coração vazio
Vivo assim a dar psiu
Sabiá, vem cá também (Psiu, Psiu, Psiu)
Tu que anda pelo mundo (Sabiá)
Tu que tanto já voou (Sabiá)
Tu que fala aos passarinhos (Sabiá)
Alivia minha dor (Sabiá)
Tem pena d'eu (Sabiá)
Diz por favor (Sabiá)
Tu que tanto anda no mundo (Sabiá)
Onde anda o meu amor
Sábia
A todo mundo eu dou psiu (Psiu, Psiu, Psiu)
Perguntando por meu bem (Psiu, Psiu, Psiu)
Tendo um coração vazio
Vivo assim a dar psiu
Sabiá, vem cá também (Psiu, Psiu, Psiu)
A todo mundo eu dou psiu (Psiu, Psiu, Psiu)
Perguntando por meu bem (Psiu, Psiu, Psiu)
Tendo um coração vazio
Vivo assim a dar psiu
Sabiá, vem cá também (Psiu, Psiu, Psiu)
Tu que anda pelo mundo (Sabiá)
Tu que tanto já voou (Sabiá)
Tu que fala aos passarinhos (Sabiá)
Alivia minha dor (Sabiá)
Tem pena d'eu (Sabiá)
Diz por favor (Sabiá)
Tu que tanto anda no mundo (Sabiá)
Onde anda o meu amor
Sábia
(Psiu, Psiu, Psiu)
(Psiu, Psiu, Psiu)
(Sabiá) (Sabiá) (Sabiá) (Sabiá)
Tem pena d'eu (Sabiá)
Diz por favor (Sabiá)
Tu que tanto anda no mundo (Sabiá)
Onde anda o meu amor
Sabiá
Luiz gonzaga
O sabiá no sertão
Quando canta me comove, Passa três meses cantando E sem cantar passa nove Porque tem a obrigação De só cantar quando chove Cordel do Fogo Encantado
Nesse período de festas juninas, costumamos exagerar
nas comidas típicas e o resultado são quilos e mais quilos por isso
faça um bolo light fácil e rápido.Com ingredientes de fácil acesso
e de sua preferencia
Rendimento: cerca de 10 fatias
Ingredientes
• 1 maçã com casca ou abacaxi
• 4 bananas prata e frutas cristalizadas
• 6 claras e 2 gemas
• 1 xícara (de chá) de aveia em flocos finos
• 1 colher (de sopa) de linhaça dourada
• 1 colher (de sopa) de farinha de amêndoas
• 1 colher (de chá) de fermento
• 100 ml de leite de coco
• 3 colheres de passas secas
• Canela a gosto
Modo de preparo
• Misturar tudo, exceto as frutas frutas cristalizadas e as passas secas bater no liquidificador, colocar na forma e levar ao forno por 40 minutos
• Se quiser cobertura, pode acrescentar pasta de amendoim caseira
o lixo atapeta o chão um caminhão se balança quem vem de fora se lança em cima do caminhão um ébrio esmurra o balcão no botequim da esquina o gari faz a faxina um cego ensaca a sanfona e um vendedor dobra a lona depois que a feira termina.
miçanga, fruta, verdura, milho feijão e farinha, bode, suíno, galinha, miudeza, rapadura. é esta a imagem pura de uma feira nordestina que começa pequenina, dez horas não cabe o povo. e só diminui de novodepois que a feira termina
na matriz que nunca fecha muito apressado entra alguém mas sai vexado também se não o carro lhe deixa o padre gordo se queixa do calor que lhe domina e agita tanto a batina quem que vê fica com pena toca o sino pra novena depois que a feira termina.
a filhinha do mendigo sentada a seus pés, num beco, comendo um pão doce seco diz: papai, coma comigo. e o velho pensa consigo meu deus, mudai sua sina pra que minha pequenina não sofra o que eu sofro agora ria a filha, o velho chora depois que a feira termina.
um pedinte se levanta da beira de uma calçada chupando uma manga espada pra servir de almoço e janta um boi de carro se espanta se o motorista buzina um velho fecha a cantina um cachorro arrasta um osso e o pobre “assavessa” o bolso depois que a feira termina
um camponês se engana chega atrasado na feira não compra mais macaxeira, nem batata, nem banana empurra a cara na cana pra esquecer a ruína, arroz, feijão, margarina, açúcar, óleo, salada, regressa e não leva nada depois que a feira termina
no açougue da cidade das cinco e meia em diante não tem um pé de marchante mas mosca tem com vontade um faxineiro abre a grade tira uma mangueira fina rodo, pano, creolina, deixa tudo uma beleza mas só começa a limpeza depois que a feira termina
e o dono da miudeza já tendo fechado a mala escuta o rapaz que fala do outro lado da mesa: – meu senhor, por gentileza, o senhor tem brilhantina? ele diz com voz ferina: – aqui na mala ainda tem mas eu não vendo a ninguémdepois que a feira termina
um jumento estropiado, magro que só a desgraça, quando vê que a feira passa vai pra frente do mercado o endereço ao danado eu não sei quem diabo ensina eu só sei que baixa a crina entre as cinco e as cinco e meia lancha, almoço, janta e ceia depois que a feira termina.
Será que o Natal é no mês de Junho?
Autoria: Maria da Paz
E se de repente o natal mudasse para o mês de junho?
Já pensou na ceia? canjica, pamonha, milho verde, bolo de milho, Mungunzá, arroz doce quindim, maria mole...Ao invés de champanhe, beberíamos um saboroso aluá de milho ou talvez um quentão de vinho com maçã . E as árvores de Natal, com seus belos piscas, seriam trocadas por grandes fogueiras? Será que o Papai Noel iria trocar suas vestes vermelhas por camisas quadriculadas? E os enfeites natalinos: será que deixariam de ser estrelinhas, sininhos, anjinhos...? e passariam a ser milhinhos, bandeirinhas, balõezinhos...? E o cartões de Natal???. Escutaríamos Jingol bell em ritmo de forró e a meia noite para animar o nascimento de Cristo, haveria uma tradicional quadrilha. Seria um arraiá pra ninguém botar defeito. Ei... se esses caras pesquisarem mais um pouco., Vão certificar e atestar que Jesus é brasileiro e nasceu no Nordeste.
Maria da Paz
Macaíba(RN), Dezembro de 2008
Matéria de Jornal Local
Astrônomo diz que Jesus pode ter nascido em junho (09/12/2008 - 10:01)
Uma pesquisa realizada por um astrônomo australiano sugere que Jesus Cristo teria nascido no dia 17 de junho e não em 25 de dezembro. De acordo com Dave Reneke, a "estrela de Natal" que, segundo a Bíblia, teria guiado os Reis Magos até a Manjedoura, em Belém, não apenas teria aparecido no céu seis meses mais cedo, como também dois anos antes do que se pensava.
Estudos anteriores já haviam levantado a hipótese de que o nascimento teria ocorrido entre os anos 3 a.C e 1 d.C.
O astrônomo explica que a conclusão é fruto do mapeamento dos corpos celestes da época em que Jesus nasceu. O rastreamento foi possível a partir de um software que permite rever o posicionamento de estrelas e planetas há milhares de anos.
Baseando-se no Evangelho de Mateus, que descreve a aparição de uma "estrela" como sinal do nascimento de Jesus, Reneke identificou a conjunção dos planetas Vênus e Júpiter, que teriam emitido uma forte luz que poderia ter sido confundida com uma estrela.
"Vênus e Júpiter chegaram muito perto no ano 2 a.C., refletindo muita luz. Não podemos dizer com certeza que esta era a estrela de Natal descrita na Bíblia, mas até agora esta é a explicação mais plausível que já vi sobre isso", disse Reneke à BBC Brasil.
"A astronomia é uma ciência tão precisa, que podemos apontar exatamente onde os planetas estavam. E há uma grande probabilidade de que esta conjunção possa ser a estrela descrita por Mateus no Evangelho."
O australiano diz que a pesquisa não é uma tentativa de contestar a religião.
"Quando misturamos ciência e religião há a sempre a chance de chatear as pessoas. Neste caso, esses resultados podem servir para reforçar a fé, porque mostram que realmente havia um grande objeto brilhante no céu no momento certo."
Vou dizer como é que eu era Antes de ser de maria: Era um cabra corajoso Precipitoso e ferino Desses que só bate pino Prá Deus pai, prá Deus menino Pros assuntos do divino E pro time de Jesus.
Parente de grau chegado Do capitão virgulino Resolvedor de pepino De pontaria aguçada… E nessa vida aloprada Vez por outra eu chumbregava Beijava, cafunezava Mas não sentia paixão.
Não falava voz de seda Eu era coisura azeda… Pensamento de limão. Mas um dia, meu cumpadre, Relaxei a prontidão E num piscar de relâmpo Que nem um par de tamanco Tava preso num cordão.
Era o cordão de maria Caçula de seu bastim Se rindo, se aprochegando E os dentinhos mordiscando Um pendãozim de capim. O manhoso da danada Era chave de prisão. Com um balde, um rodo e um sabão E aquela saia azulzinha Assoalhando a cozinha Surfando em pano de chão.
Aquilo não é serviço Aquilo é mais um balé! Panim de chão bem pisado E os passinho pinicado Perguntando: Tu me quer? Eu confesso, meu cumpadre Que´u que nunca fui pisado Desejei ser espremido Aberto e no chão botado Banhado d´água e sabão Desejei ser pisunhado Pelos pezim da bondade Desejei ser, na verdade, Aquele panim de chão.
Juro perante o divino Que, na hora e nesse dia Bem dizer uma oração Eu debrulhei prá maria:
Maria do andar azul Maria ingrediente dengoso Maria de saia acambraiada Maria bordada Maria aprendida sem pecado Maria croqui da imaculada perfeição Maria assassina da tristeza Maria do colo quente Maria cantina de suflê Maria rosê Maria isenta de partículas de feiúra Maria doçura Maria pressagiozinho calmoso Maria que cutuca meu peito incutucável Maria amorável Maria água e sabão Maria pano de chão Maria belisca-flor Maria mãe do frescor Maria chuva dourada Maria romanceada Maria adubo do amor Não faça eu diser: Amor
19ª Parada Gay de São Paulo cobra respeito e igualdade
É O FIM.
OU SÓ O COMEÇO DO FIM
. OU SERÁ O FIM DO FIM?
NÃO SEI.
SÓ SEI QUE DEUS É COMEÇO, MEIO E FIM.
QUEM QUISER PEDIR PERDÃO, AINDA DÁ TEMPO.
Antes mesmo da saída dos trios elétricos, a Avenida Paulista já estava tomada na manhã de hoje (7) pelo público da 19ª Parada do Orgulho LGBT - lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Sob o tema Eu Nasci Assim, Eu Cresci Assim, Vou Ser Sempre Assim: Respeitem-Me!, o evento reúne pessoas de diversos perfis e idades nas ruas da região central da capital. Respeito. Tá difícil, viu!?
Ai clariô, ai ai clariô Purriba dos laj~edo o lua chegô Já cá na cabicêra a função pispiô Amiã cêdo a lua já entrô E eu vô passá a noite intêra Cantano clariô E eu qui vim só Só prá vê meu amor Sei qui vô ficá só Pois ela num chegô
Ai clariô, ai ai clariô
As baronesa já abriu as fulô Nos catre e nas marqueza as figura sentô A pé-de-bode abriu asa a cantô Nas baxa e nas verêda Seu canto raiô E eu qui vim só Só prá vê meu amô Sei que vô fica só Pois ela num chegô
Ai clariô, ai ai clariô
O nome científico da baronesa é Eichornia crassipes e é originária da América do norte e do sul.
Suas flores são em tons lilases e azuis. Servem tanto para a limpeza d'água quanto para ornamentação, mas não resistem ao corte para serem colocadas em vasos.
O maior problema causado por ela é a prodigiosa capacidade de reprodução, sendo preciso manter um controle adequado, caso contrário, a baronesa tende cobrir as águas obstruindo rios, lagos e represas.
Vou cantá no canto di primero as coisa lá da minha mudernage qui mi fizero errante e violêro Eu falo sério e num é vadiage E pra você qui agora está mi ovino Juro inté pelo Santo Minino Vige Maria qui ôve o queu digo Si fo mintira mi manda um castigo
Apois pro cantadô i violero Só há treis coisa nesse mundo vão Amô, furria, viola, nunca dinhero Viola, furria, amo, dinhero não
Cantado di trovas i martelo Di gabinete, lijêra i moirão Ai cantado já curri o mundo intero Já inté cantei nas portas di um castelo Dum rei qui si chamava di Juão Pode acriditá meu companhero Dispois di tê cantado o dia intero O rei mi disse fica, eu disse não
Si eu tivé di vivê obrigado um dia i antes dêsse dia eu morro Deus feiz os homi e os bicho tudo fôrro já vi iscrito no livro sagrado qui a vida nessa terra é uma passage Cada um leva um fardo pesado é um insinamento qui desde a mudernage eu trago bem dentro do coração guardado
Tive muita dô di num tê nada pensano qui êsse mundo é tudo tê mais só dispois di pená pela istrada beleza na pobreza é qui vim vê vim vê na procissão do Louvado-seja I o assombro das casa abandonada côro di cego na porta das igreja I o êrmo da solidão das istrada
Pispiano tudo do cumêço eu vô mostrá como faiz um pachola qui inforca o pescoço da viola E revira toda moda pelo avêsso i sem arrepará si é noite ou dia vai longe cantá o bem da furria sem um tostão na cuia u cantado canta inté morrê o bem do amo.
Leandro Gomes de Barros, paraibano nascido em 19/11/1865,
na Fazenda da Melancia, no Município de Pombal, é considerado
o rei dos poetas populares do seu tempo. Foi educado pela família
do Padre Vicente Xavier de Farias, (1823-1907), proprietários da
fazenda, e dos quais era sobrinho por parte de mãe.
Em companhia da família "adotiva" mudou-se para a Vila do
Teixeira, que se tornaria o berço da Literatura Popular nordestina,
onde permaneceu até os 15 anos de idade tendo
conhecido vários cantadores e poetas ilustres.
Do Teixeira vai para Pernambuco e fixa residência
primeiramente em Jaboatão, onde morou até 1906,
depois em Vitória de Santo Antão e a partir de 1907 no
Recife onde viveu de aluguel em vários endereços,
imprimindo a maior parte de sua obra poética no próprio
prelo ou em diversas tipografias. Vale a pena transcrever o
aviso no final de um poema, A Cura da Quebradeira,
que demonstra suas constantes mudanças e o grande tino comercial:
"Leandro Gomes de Barros, avisa que está morando
em Areias, Recife, e que remeterá pelo correio todos
os folhetos de suas produções que lhe sejam pedidos”.
Sua atividade poética o obriga a viajar bastante
por aqueles sertões para divulgar e vender seus
poemas e tal fato é comentado por seus contemporâneos,
João Martins de Ataíde e Francisco das Chagas Baptista:
...
Cordel - Seca no Nordeste
Seca as terras as folhas caem,
morre o gado sai o povo,
O vento varre a campina,
Rebenta a seca de novo;
Cinco, seis mil emigrantes
Flagelados retirantes
vagam mendigando o pão ,
Acabam-se os animais
ficando limpo os currais
Onde houve a criação.
Caminhada da Seca - Senador Pompeu
Não se vê uma folha verde
Em todo aquele sertão
Não há um entre aqueles
Que mostre satisfação
Os touros que nas fazendas
Entravam em lutas tremendas,
Hoje nem vão mais o campo
É um sítio de amarguras
Nem mais nas noites escuras
Lampeja um só pirilampo.
Vagalume - pirilampo - caga fogo
Foi a fome negra e crua
Nódoa preta da história
Que trouxe-lhe o ultimatum
Foi o decreto terrível
Que a grande pena invisível
Com energia e ciência
Autorizou que a fome
Mandasse riscar meu nome
Do livro da existência.
Ultimatum: Últimas condições. Hora da decisão
Faca de dois gumes - gládio - punhal
E a fome obedecendo
A sentença foi cumprida
Descarregando lhe o gládio
Tirou -lhe de um golpe a vida
Não olhou o seu estado
Deixando desamparado
Ao pé de si um filhinho,
Dizendo já existisses
Porque da terra saísses
Volta ao mesmo caminho.
Miséria no Brasil
Vê-se uma mãe cadavérica
Que já não pode falar,
Estreitando o filho ao peito
Sem o poder consolar
Lança-lhe um olhar materno
Soluça implora ao Eterno
Invoca da Virgem o nome
Ela débil triste e louca
Apenas beija-lhe a boca
E ambos morrem de fome.
Pobreza Extrema no Piauí
Vê-se moças elegantes
Atravessarem as ruas
Umas com roupas em tira
Outras até quase nuas,
Passam tristes, envergonhadas
Da cruel fome, obrigadas
Em procura de socorros
Nas portas dos potentados
Pedem chorando os criados
O que sobrou dos cachorros.
Contraste social
O gado urra com fome,
Berra o bezerro enjeitado
Tomba o carneiro por terra
Pela fome fulminado,
O bode procura em vão
Só acha pedras no chão
Põe se depois a berrar,
A cabra em lástima completa
O cabrito ainda penetra
Procurando o que mamar.
Animais em plena seca do Nordeste Grandes cavalos de selas
De muito grande valor
Quando passam na fazenda
Provocam pena ao senhor
Como é diferente agora
Causava admiração,
Era russo hoje está preto
Parecendo um esqueleto
Carcomido pelo chão.
Hoje nem os pássaros cantam
Nas horas do arrebol
O juriti não suspira
Depois que se põe o sol
Tudo ali hoje é tristeza
A própria cobra se pesa
De tantos que ali padecem
Os camaradas antigos
Passam pelos seus amigos
Fingem que não os conhecem.
Santo Deus! Quantas misérias
Contaminam nossa terra!
No Brasil ataca a sede
Na Europa assola a guerra
A Europa ainda diz
O governo do país
Trabalha para o nosso bem
O nosso em vez de nos dar
Manda logo nos tomar
O pouco que ainda se tem
Vê-se nove ,dez, num grupo
Fazendo súplicas ao Eterno Crianças pedindo a Deus Senhor! Mandai-nos inverno,
Vem ,oh! Grande natureza
Examinar a fraqueza
Da frágil humanidade
A natureza a sorrir
Vê-la sem vida a cair
Responde:o tempo é debalde.
Os habitantes procuram O Governo Federal
Implorando que os socorra
Naquele terrível mal
A criança estira a mão
Diz senhor tem compaixão
E ele nem dar-lhe ouvido
É tanto a sua fraqueza
Que morrendo de surpresa
Não pode dar um gemido.
Alguém no Rio de Janeiro
Deu dinheiro e remeteu
Porém não sei o que houve
Que cá não parece
O dinheiro é tão sabido
Que quis ficar escondido
Nos cofres dos potentados
Ignora-se esse meio
Eu penso que ele achou feio
Os bolsos dos flagelados.
O Governo Federal
Querendo remia o Norte
Porém cresceu o imposto
Foi mesmo que dar-lhe a morte
Um meie o facão e rola-o
O Estado aqui esfola-o
Vai tudo dessa maneira
O municípios acha os troços
Ajunta o resto dos ossos
Manda vendê-los na feira.
"E assim vive a humanidade: Os ricos comem a carne de primeira e os pobres roem os ossos"
...
Foi um dos poucos poetas populares a viver unicamente de suas histórias rimadas, que foram centenas. Leandro versejou sobre todos os temas, sempre com muito senso de humor. Começou a escrever seus folhetos em 1889, conforme ele mesmo conta nesta sextilha de A Mulher Roubada, publicada no Recife em 1907:
Caboclo entroncado, de bigode espesso, alegre, bom contador de anedotas: este é o retrato que dele faz Câmara Cascudo em Vaqueiros e Cantadores. Casou-se com Venustiniana Eulália de Barros antes de 1889 e teve quatro filhos: Rachel Aleixo de Barros Lima, Erodildes (Didi), Julieta e Esaú Eloy, que seguiu a carreira militar tendo participado da Coluna Prestes e da Revolução de 1924. De Leandro só possuímos fotos de meio-busto e uma de corpo inteiro, que colocava em seus folhetos para provar a autoria de seus
versos; de sua família, o que ficou para a história foram os folhetos assinados com caligrafia caprichada, sobretudo os de Rachel.
Na crônica intitulada Leandro, O Poeta, publicada no Jornal do Brasil em 9 de setembro de 1976, Carlos Drummond de Andrade o chamou de "Príncipe dos Poetas" e assinala:
"Não foi príncipe dos poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão, e do Brasil em estado puro". E diz mais: "Leandro foi o grande consolador e animador de seus compatrícios, aos quais servia sonho e sátira, passando em revista acontecimentos fabulosos e cenas do dia-a-dia, falando-lhes tanto do boi misterioso, filho da vaca feiticeira, que não era outro senão o demo, como do real e presente Antônio Silvino, êmulo de Lampião".
Mas não foi só Drummond, nosso poeta maior, que reconheceria em Leandro a majestade dos versos. Em vida era tratado por seus colegas como o poeta do povo, o primeiro sem segundo (Athayde) e verdadeiro Catulo da Paixão cearense daqueles ásperos rincões (Gustavo Barroso).
Após o seu falecimento, em 4 de março de 1918, no Recife, o poeta e editor João Martins de Ataíde, em seu folheto A Pranteada Morte de Leandro Gomes de Barros, escreveu: