Dia do Nordestino - 08 de Novembro

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Embrenhando-me Rio Grande do Norte a fora

Zona rural de Nova Cruz
                               A caminho de São José de Campestre
                                A caminho de São José de Campestre
           Singela residência na Zona rural de São José de Campestre  
                           Prédio Público em São José de Campestre
                                                  Essas fotos são  de 
                               Lagoa de Pedras, Pedro  Velho/Montanha 
Praça da Igreja - Lagoa de Pedras

                                                 Praça de Pedro Velho
  Túnel na Estrada de Pedro Velho
 Túnel na Estrada de Pedro Velho

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Uma homenagem ao Poetaeusou

Durante o periodo em que acompanhei "Poetaeusou",
mesmo não sendo ele, uma novela tive a oportunidade 
de me emocionar com seus poemas escritos e com os visuais. 
Isso porque suas  lindas fotos, são belissimos poemas 
aos nossos olhos, expressivas do jeitinho que eu gosto. 
Deixa hoje para seus seguidores com uma lacuna enorme. 
Mas, sabe qual a coisa boa da história? 
Ele pode voltar na horinha que quizer. 
Estaremos aquí, para recebê-lo de blogs abertos.
Felicidades, tudo de ótimo para você.
 

SOS, auxilia-me, meu amor
escuta o meu grito, ajuda-me
de sentidos perdido, abriga-me
entre os molhos dos teus braços
não é o som do marulhar do mar
ou o bramido das ondas quebrando
é meu, o estrépito e angustiante brado
vem ser o aconchego, meu porto seguro
salva-me do dilúvio dos meus repensares
sentimentos abstractos e incompreendidos
rota sem farol, naufragado sou, mastro fustigado,
triste marujar, transbordando amor, em busca do cais

 poema: poetaeusou








ser poeta é engendrar
o silencio das palavras
construir as mensagens, para todos
de todos, aglutinar os seus sentires
ser poeta é, não ter dias
e ser os dias todos, todos os dias
é ser o dia Abril, todos os meses
e em todos, semear a amizade
ser poeta é, ser gaivota esvoaçante
pililipando a sinfonia dos amares,
ser a proa para todos navegada
procurando, para todos, o cais de abrigo
ser poeta é, ser amor, o meu, o teu, de todos
poema e fotos: poetaeusou

Para Nicolelis, saúde e educação estão interligados

20/01/2011 - 15:02 | 

Para Nicolelis, saúde e educação estão interligados

Da redação do DIARIODENATAL.COM.BR

Durante o encontro com a governadora Rosalba Ciarlini, o cientista Miguel Nicolelis também citou como assunto de grande importância a saúde, que dentro de seu projeto está ligado diretamente à educação. Por essa razão, o trabalho desenvolvido em Macaíba beneficia mulheres que estão fazendo pré-natal. "Nenhum projeto educacional pode esperar o nascimento de uma criança, ele tem que se preocupar com a formação desde o útero da mãe", alertou Nicolelis.

Ele falou da teoria dos "18 meses críticos", ou seja, os nove meses de gestação mais os nove meses seguintes. É nesse período que a criança está se conectando com o mundo e começa a responder aos estímulos, captando o que é positivo ou negativo. A partir desse pensamento é possível educar as crianças para serem mais tranquilas e felizes, além de se interessarem mais pelo aprendizado.

Segundo Nicolelis, a mortalidade materna é um dos principais pontos a serem combatidos e, inclusive, já existe um estudo pronto que mostra a viabilidade de se construir centros de apoio a mulheres grávidas em quatro regiões do Rio Grande do Norte. Mas além da ajuda da Secretaria de Estado da Saúde Pública, precisa do apoio da Secretaria de Estado da Educação, o que foi prontamente garantido pelo governo nessa reunião. "É preciso dizer: nós vamos ter o modelo de saúde; mas para isso é preciso ter escola", disse o cientista.

Para Miguel Nicolelis, "se tiver que escolher uma prioridade na Secretaria de Educação será investir na mulher e na criança".


domingo, 16 de janeiro de 2011

Pelas rodagens da vida em Trovas - Maria da Paz



Vejo gente que passeia
Andando de lá pra cá
Uns caminham lentamente
E outros bem devagar

São o segredos da vida
No coração não há quem deva mandar
 Há tempos que eu te amo
O remédio é esperar

Não pense que vou morrer
Se você não me quizer
O mundo dar muitas voltas
Legeirimho eu posso te esquecer




Cego Aderaldo e seus...

CEGO ADERALDO
Meu benzinho, diga, diga
Por caridade confesse
Se você já encontrou
Quem tanto bem lhe quisesse

Meu bem, que mudança é esta
Neste teu rosto adorado?
Acabou-se aquele agrado
Com que me fazia festa?

Eu juro que nunca quis
Ofender teu peito nobre
Fala, meu anjo, descobre
Diga, meu bem, que te fiz?

Todo passarinho canta
Quando vem rompendo a aurora;
Só a pobre mãe-da-lua
Quando canta – logo chora…
Assim eu faço também
Quando meu bem vai se embora!

Fiz um A para te amar
Um B pra bem te querer
Um N pra não deixar-te
Um S só se eu morrer

Canta, canta, passarinho
Faça lá seu ninho agora
Mas depois não vá dizer
Que quem canta também chora

Amo, amo, porque quero
Adeus, minhas encomenda!
O homem, quando é vadio
Morre velho e não se emenda

O amor é como o sono
Que não dispensa ninguém
Eu só comparo é com a Morte:
Ninguém sabe quando vem!

Aquela ingrata cruel
Vejam que pago me deu!
Ninguém nem me fale nela
Que pra mim já morreu…

Meu bem, cabocla bonita
Bola de ouro polida
Por ti eu perco o que eu tenho
Até mesmo a própria vida

Minha viola de pinho
Feita de pinheiro macho
Esta viola me pede
Que eu, ao menos, chore baixo…

A unha nasce do dedo
O dedoo nasce da mão
Mas a mão nasce do braço
E o braço nasce do vão

A pedra nasce do fogo
O fogo nasce do chão
O amor nasce de dentro
Do intriôr do coração

Quando de ti me apartei
Os astros se demudaram
O vento não ventou mais
As águas todas secaram

Quem parte – gosto não tem
Quem fica – como terá?
Quem parte – põe-se a chorar
Quem fica – chora também

Adeus te digo, afinal
Adeus te digo, chorando
Adeus te torno a dizer
Adeus! Até não sei quando!



“Andei procurando um besta
 e de tanto procurar um besta

 encontrei este rapaz
 que nem serve pra ser besta 
 
  porque é besta demais”.

  Cego Aderaldo morreu no dia 29 de junho de 1967, aos 89 anos de idade.
Partiu pobre como viveu. De herança para o filho Mário,
que o acompanhou até o fim dos seus dias, uma casinha 
num bairro de Fortaleza que lhe fora doada pela grande 
escritora Rachel de Queiroz, uma das suas mais 
renomadas admiradoras, e outra em Quixadá. 
A rabeca, que adquirira no distante ano de 1916 
por 200 mil réis, ele doou ainda em vida ao filho Geraldo Rodrigues.
Verdadeiro mito dos sertões, Cego Aderaldo ainda hoje 
é mote constante dos desafios de violas que se fazem 
nos pequenos burgos do interior. O cantador Adalberto Ferreira, 
em uma de suas cantorias, afirmava que “vi o anjo Gabriel há 
tempo chamado e vi Cego Aderaldo cantando com os anjos lá do céu”.
Uma das primeiras homenagens ao genial cantador 
sertanejo se encontra em forma de estátua, defronte 
à rodoviária de Quixadá, num trabalho do escultor 
João Bosco do Vale e por iniciativa de Alberto Porfírio, 
também cantador, e um dos mais denodados batalhadores 
pelo resgate da genuína cultura do Nordeste.

   “Ah! Se o passado voltasse
     todo cheio de ternura
     eu ainda tendo vista
     saía da vida escura.
     Como o passado não volta
     aumenta a minha tristeza
     só conheço o abandono
     necessidade e pobreza”.

Certa vez, em uma palestra, Leonardo Mota leu para 
o cego Aderaldo umas estrofes em que Luís Dantas Quesado
falava de coisas difíceis de serem vistas. Imediatamente, 
o cego repentista improvisou estas sextilhas:

Só nos falta vê agora
carrapato em farinha
Cobra com bicho-de-pé
Foice metida em bainha
Caçote criá bigode
Tarrafa feita sem linha

Muito breve há de se vê
Pisá-se vento em pilão
Botá freio em caranguejo
Fazê de gelo carvão
Carregá água em balaio
Burro subi em balão

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Eu

Imagem de Maria da Paz Picuí Quirino/CassianoPerfil

Sou Da Paz Picuí , nasci em Picuí e moro em Macaiba, onde sou educadora a 28 anos. Trabalho na Escola Estadual "Henrique Castricano de Souza" A 26 anos, onde atualmente ocupo o cargo de vice diretora. Sou formada em Biologia pela Universidade Potiguar. Sou aprediz de poetiza. Faço uns versos de poucas rimas. amo a Cultura nordestina.
Em dezoito de agosto
No Sítio salgados eu nascia
Não sei se foi falta de nome
Ou se foi por ironia
Mas, minha mãe me chamou
Pelo nome de Maria

Cidade/Município:Macaíba - RN
Endereço de email:fafadapaz@gmail.com
Cursos:Turma-04_-_Oficinas Tecnológicas, Turma-04_-_Políticas e Gestão na Educação, Turma-04_-_Projeto Vivencial, Turma-04_-_Introdução ao Moodle
Último acesso:domingo, 5 dezembro 2010, 22:36  (18 segundos)
Funções: estudante

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O Primeiro Poema - Compadre Lemos





O Primeiro Poema     
Compadre Lemos

Adão não foi um poeta.
Mas foi o primeiro homem
a receber um poema
- em forma de fruta –
da primeira mulher:

-- Recebe, meu homem,
a redonda maçã,
com a forma da Terra
que haveremos de conquistar!

Recebe, meu homem,
a maçã vermelha,
rubra, como a paixão
que haveremos de viver!

Recebe, meu homem,
a polpa suave e branca,
branca e suave, como a paz
que haveremos de buscar!

Recebe, meu homem,
o fruto saboroso,
como todos os mistérios
que haveremos de aprender!

Recebe, meu homem,
das mãos de tua mulher,
o fruto – pão – compartilhado,
como a Vida o quer!

E vieram, os dois,
para cumprir, no mundo,
mesmo sem ter consciência,
o que houvera determinado
a Divina Providência!

                            
Compadre Lemos

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Nem sempre somos o que queremos ser






Nem sempre somos o que queremos ser
ou temos o que queremos ter


Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos
As vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo para um coração
A vida imita um vídeo
Garotos inventam
Um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez....
Somos quem podemos ser....
Sonhos que podemos ter....
(Engenheiros do Hawaii)

A embira – Maria da Paz



A embira – Maria da Paz
Agosto de 2010


Eu sou filho da embira de amarrar saco
Sou prima da corda, que por sinal é filha de Seu Agave
Já amarrei muitas bocas, já viajei pra cidade
Servi de cinturão nas calças do meu patrão
Já fui usada para amarrar burro brabo
Já fui cadeado de porteira
Fui parar no pescoço de Jovita
A cadela de estimação do menino João
Sou vegetal forte brotada do chão
Não tenho muito pretensão
Posso até virar peça de arte
Mas, meu desejo mesmo é me acabar no sertão
Ser enterrado num monturo
Bem perto da latadinha onde se sente
O cheiro do café sendo torrado
Onde as meninas de tarde sentam-se lá no batente
Falando dos namorados
Esperando pelo pai que vai chegar do roçado
Meu nome é Ouro branco, a fibra do Sisal
Nascida lá no sertão

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Escolta de vagalumes - Luiz Carlos Garcia / Zezety

ESCOLTA DE VAGALUMES






Luiz Carlos Garcia / Zezety
Voltando pra minha terra eu renasci.
Nos anos que fiquei distante acho que morri.
Morri de saudade dos pais irmãos e companheiros.
Ao cair da tarde no velho terreiro,
Agente cantava as mais lindas canções.

Viola afinada e na voz dueto perfeito.
Longe eu não cantava doía meu peito.
Na cidade grande só tive ilusões.

Mas voltei, mas voltei, eu voltei.
E ao passar na porteira a mata, o perfume.
Eu fui escoltado pelos vagalumes,
pois era uma linda noite de luar.

Mas chorei, mas chorei, eu chorei.
Ao ver meus pais, meus irmãos vindo ao meu encontro.
A felicidade misturou meu pranto.
Com o orvalho da noite deste meu lugar.

Ganhei dinheiro lá fora mas foi tudo em vão.
A natureza é meu mundo, eu sou o sertão.
Correr pelos campos floridos feito um menino.
Esquecer as mágoas e os desatinos.
Que a vida lá fora me proporcionou.

Ouvir sabiá cantando e a juriti
E a felicidade de um bem-ti-vi
Que parece dizer meu amigo voltou
Mas voltei, mas voltei, eu voltei
E ao passar na porteira a mata o perfume
Eu fui escoltado pelos vagalumes
Pois era uma linda noite de luar

Mas chorei, mas chorei, eu chorei
Ao ver meus pais meus irmãos vindo ao meu encontro
A felicidade misturou meu pranto
Com o orvalho da noite deste meu lugar

Belissima na voz de Sergio Reis

Discurso de cabra macho

Num  sei se tu mintende
O que eu quero lhe dizer
Das bandas  dadonde venho
Sinoimo de vida é sofrer
Tem dias que muita gente
Não tem nada pra comer

Nascido no mei da roça
puxando cobra prus pés
no dia que tô danada
É aquele revestréz
Murro em ponta de faca
Eu num valo um derrez

Mas também tenho bondade
Sô omi trabaidor
Num vivo de vaidade
Só dou nas taba dos queixo
De quem me farta a verdade
In nesse eu dou de feixo.

Sou crente no Meu sinhô
Rezo pra vige Maria
No dia qui tô contente
Saio puraí dando boidia
Jogano cunversa fora
e mostrando meu repente.

N...


...
Em construção

domingo, 31 de outubro de 2010

Viva a Cultura Popular e seus heróis : Da Paz




                                                                                                                                                                 






Por onde ando, tenho encontrado ou ouvido falar de pessoas, personagens que insistem em manter a Cultura Popular viva. Mané Beradero, Mestre Paulo Varela, Hailton Mangabeira (meu ex-aluno), José Acaci (grande amigo de infância), Kidelmir Dantas (grande amigo e conterrâneo da bela Paraíba), ele de Nova Floresta e eu da visinha Picuí, no cenário musical temos Carlinhos Zens e um apanhado e por que não dizer um punhado de
verdadeiros heróis da resistência, onde o cordel perdeu a xilografura para a impressão colorida e a imbira de agave substituída pelas prateleiras, os pífanos e flautas na maioria das vezes foram substituídas pelos saxofones e clarinetes (que por sinal gosto demais), a poesia matuta, rimada, de causos e que muitas vezes faziam o papel do Jornal noticiário mesmo, pois levavam a informação de acontecimentos distantes, como por exemplo: "A morte de uma adolescente por um vizinho malvado". Tenho profunda admiração por Jessier Quirino. Suas poesias são retratos fiéis do cenário rural nordestino e como ele mesmo diz" cagado e cuspido". Ele é o que o matuto chama de Dotôr, estudado dos bancos de Universidade, morador de área urbana e nobre de Campina Grande, conhecedor dos palavrórios dos mais diversos dicionários. Mas, se apropriou da fala "falada" do cabôclo da roça ( o que faz com destreza e respeito). Assim, também faz Onildo Barbosa, um natubense intimamente ligado com o ar rural do sertanejo nordestino e com letras faz um retrato, digo, uma fotografia de cenários perfeitos da Cultura popular regional. E assim fez o  mestre maior Patativa do Assaré. E entre casas caiadas e salas de reboco, nos milharais, entre quengos e panelas de barro, nos munturos da fazendas, nos oitões das casas grandes, nas rodadas de anedotas e Trancoso, nas budegas das cidades, a qualquer hora do dia ou da noite, esses homens e tantos outros não citados vão juntando os pedaços da nossa cultura como se fozem retalhos e nós, os aprendizes de poetas vamos montando uma colcha para agasalhar nossos sentimentos, saudosismo ou coisa assim. Quero agradecer a Deus por essas pessoas existirem no nosso cotidiano de leitores apreciadores de todo e qualquer forma de manifestação cultural e cada um deles pela dedicação e pela coragem de carregarem a Bandeira do Nordeste.

O Plantador de Milho

Sou eu caboclo da roça
Criado dentro da mata
Nunca calcei um sapato
Nunca usei uma gravata
Moro perto da cidade
Mas pra falar a verdade
Só vou lá de feira em feira
Ou quando há precisão
De batizar um pagão
Ou buscar uma parteira

No dia que registrei
O meu filhinho mais novo
O juiz estava nervoso
Brigando no meio do povo
Me chamou de maltrapilho
Sujo, plantador de milho
E disse mais uma piada
Dessas que a boca não cabe:
Matuto pobre só sabe
Fazer menino e mais nada.

O juiz não tinha filhos
Que enfeitassem sua vida
Eu conhecia a história
E fui direto na "ferida":
O senhor está zangado,
Tem dez anos de casado
E a mulher não tem um filho;
A sua comida fina
Não contém a vitamina
Que há na massa do milho.

A minha família é grande
Dez filhos e a mulher.
Sua família é pequena
Mas é porque você quer.
A sua mulher lhe embroma
Quase todo dia toma
Anticoncepcional
Lhe vicia em novela
Dorme tarde e faz tabela
E esquece do "principal".

Ouvi o senhor dizer
Que está gastando por mês
Mas de dez salários mínimos
Só com perfume francês
Diz que a vida é uma bomba
Que foi não foi leva tromba
Com mercadoria falsa
Comprar perfume estrangeiro
É pra quem possui dinheiro
Nos quatro bolsos da calça

Caro doutor, lá em casa
Ninguém nem conversa em luxo
A fora uma simples roupa,
O resto é encher o bucho
Não acostumei meu povo
Exigir sapato novo
Para as festas de São João
Ao invés de um colar de ouro
Compro a rabada de um touro
Pra se comer um pirão.

Lá ninguém fala em perfume,
O que há na minha casa
É cheiro de carne assada
Pingando em cima da brasa
Minha cabocla Maria,
Gorda, disposta e sadia,
Pra toda vez que eu quiser
Botar fogo na geléia
Para isso a minha "véia"
É mulher, sendo mulher.

Como!, é galinha caipira
E não galeto de granja
Ao invés de coca-cola
Tomo suco de laranja
Com rapadura de mel.
E escute aqui, bacharel,
Conversa longa me atrasa.
Quer ver a mulher Ter filho?
Bote um plantador de milho
Pra dormir na sua casa.

Autor: Daudeth Bandeira


                                                                                                                                                               

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Miguel Nicolelis -



Setembro 2010
Miguel Nicolelis recebe outro prêmio científico dos Institutos Nacionais de Saúde dos E.U.A.

Dois meses depois de ter recebido dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos US$2,5 milhões para investir em suas pesquisas no campo da interface cérebro-máquina, Miguel Nicolelis volta a ser distinguido com um prêmio de aproximadamente US$4 milhões da mesma instituição. Os recursos devem ser aplicados no desenvolvimento da nova terapia para o mal de Parkinson que vem mobilizando o pesquisador há alguns anos e que, na avaliação dos NIH, se constitui numa pesquisa “arrojada, criativa e de alto impacto”. Miguel Nicolelis é a primeira pessoa a receber da instituição americana no mesmo ano o Director’s Pioneer Award e o Director’s Transformative R01 Award.



Agosto 2010
Assinado acordo de colaboração científica suíço-brasileira


No dia 30 de agosto, o Presidente da AASDAP, Miguel Nicolelis; o Ministro da Educação, Fernando Haddad; o Conselheiro Federal do governo Suíço, Didier Burkhalter e o Presidente da Escola Politécnica Federal de Lausanne, Patrick Aebischer assinaram acordo de colaboração científica suíço-brasileira, que visa o desenvolvimento de novos estudos sobre doenças neurodegenerativas e envolve a instalação do supercomputador Blue Gene/L no Campus do Cérebro, em Macaíba-RN.



Julho 2010
Miguel Nicolelis recebe o mais prestigioso prêmio científico dos Institutos Nacionais de Saúde dos E.U.A.

Miguel Nicolelis é o primeiro cientista brasileiro a receber o Prêmio Pioneiro (Pioneer Award), oferecido pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH). Instituído em 2004, este é o mais prestigiado prêmio científico dado pelo Governo americano por intermédio do Instituto Nacional de Saúde a pesquisadores biomédicos, como reconhecimento por suas abordagens inovadoras. O presidente da AASDAP integra agora o grupo de 81 cientistas que receberam a honraria desde então.
Nicolelis planeja usar o prêmio de US $ 2,5 milhões para continuar expandindo suas pesquisas no desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina.



Inauguração do Instituto Nacional de Interface Cérebro-Maquina (INCeMaq)


Na manhã de 02 de julho, aconteceu a inauguração do Instituto Nacional de Interface Cérebro-Maquina (INCeMaq), no Centro de Pesquisa de Macaíba. O INCeMaq é um projeto aprovado no âmbito do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia - Programa INCT, criado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, e tem como sede o IINN-ELS. A solenidade contou com a presença do Reitor da Universidade Federal do RN, José Ivonildo do Rego; da Pró-Reitora de Pesquisa da UFRN Maria Bernadete Cordeiro de Sousa; de Claudia Tavares Machado Cunha, Diretora de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte – FAPERN; e dos membros do comitê gestor do projeto: Miguel Nicolelis, do IINN-ELS; Sidarta Ribeiro e Dráulio Barros de Araujo (IINN-ELS e UFRN); Allan Kardec Barros Filho (UFMA); Mauro Copelli Lopes da Silva (UFPE); Claudia Domingues Vargas (UFRJ), Márcio Flávio Dutra Moraes (UFMG), Antonio Carlos Roque da Silva Filho (USP-RP) e Reynaldo Daniel Pinto (IFSC-USP).



Junho 2010
Miguel Nicolelis eleito membro da Academia Francesa de Ciências

Miguel Nicolelis recebe medalha de Guy Laval

O presidente da AASDAP, Miguel Nicolelis, tornou-se um dos quatro cientistas brasileiros eleitos para a Academia Francesa de Ciências. Criada em 1666, a Academia Francesa de Ciências é uma das cinco academias do Institut de France e tem, dentre seus membros, os mais importantes cientistas e pesquisadores do mundo, eleitos por grupos acadêmicos. A cerimônia de apresentação dos 18 novos membros estrangeiros teve lugar no Instituto da França, em 15 de junho de 2010.
Leia o discurso de posse



Inauguração do Centro de Educação Científica de Serrinha, BA

Miguel Nicolelis, presidente da AASDAP e o governador da Bahia, Jaques Wagner, durante a inauguração

No dia 21 de junho foi inaugurado o Centro de Educação Científica de Serrinha, BA, a 173 quilômetros de Salvador. Com capacidade para 400 alunos, o Centro de Serrinha foi criado nos moldes do Centro de Educação Científica do RN, visando promover a inclusão social de jovens da rede de ensino público do semi-árido baiano com o ensino complementar na área de ciência e tecnologia. O Governo do Estado da Bahia destinou os recursos para a implantação integral do projeto e a Secretaria Estadual de Educação cedeu o prédio que o abriga.




Presidente da AASDAP é agraciado com a Ordem do Rio Branco

Em 20 de abril, o Governo Brasileiro concedeu a Miguel Nicolelis a Ordem do Rio Branco, em reconhecimento às iniciativas para o desenvolvimento socioeconômico, crescimento sustentável e transformação social do país.



I Mostra de Trabalho 2010 da Escola Alfredo J. Monteverde







sexta-feira, 24 de setembro de 2010

OS SETE CONSTITUINTES - Antônio Francisco teixeira de melo(poeta)





Os sete constituintes
Antônio Francisco teixeira de melo(poeta)

OS SETE CONSTITUINTES
 

Quem já passou no sertão
E viu o solo rachado,
A caatinga cor de cinza,
Duvido não ter parado
Pra ficar olhando o verde
Do juazeiro copado.

E sair dali pensando:
Como pode a natureza
Num clima tão quente e seco,
Numa terra indefesa
Com tanta adversidade
Criar tamanha beleza.


O juazeiro, seu moço,
É pra nós a resistência,
A força, a garra e a saga,
O grito de independência
Do sertanejo que luta
Na frente da emergência.

Nos seus galhos se agasalham
Do periquito ao cancão.
É hotel do retirante
Que anda de pé no chão,
O general da caatinga
E o vigia do sertão.


E foi debaixo de um deles
Que eu vi um porco falando,
Um cachorro e uma cobra
E um burro reclamando,
Um rato e um morcego
E uma vaca escutando.

Isso já faz tanto tempo
Que eu nem me lembro mais
Se foi pra lá de Fortim,
Se foi pra cá de Cristais,
Eu só me lembro direito
Do que disse os animais.

Eu vinha de Canindé
Com sono e muito cansado,
Quando vi perto da estrada
Um juazeiro copado.
Subi, armei minha rede
E fiquei ali deitado.

Como a noite estava linda,
Procurei ver o cruzeiro,
Mas, cansado como estava,
Peguei no sono ligeiro.
Só acordei com uns gritos
Debaixo do juazeiro.


Quando eu olhei para baixo
Eu vi um porco falando,
Um cachorro e uma cobra
E um burro reclamando,
Um rato e um morcego
E uma vaca escutando.

O porco dizia assim:
– “Pelas barbas do capeta!
Se nós ficarmos parados
A coisa vai ficar preta…
Do jeito que o homem vai,
Vai acabar o planeta.

Já sujaram os sete mares
Do Atlântico ao mar Egeu,
As florestas estão capengas,
Os rios da cor de breu
E ainda por cima dizem
Que o seboso sou eu.


Os bichos bateram palmas,
O porco deu com a mão,
O rato se levantou
E disse: – “Prestem atenção,
Eu também já não suporto
Ser chamado de ladrão.

O homem, sim, mente e rouba,
Vende a honra, compra o nome.
Nós só pegamos a sobra
Daquilo que ele come
E somente o necessário
Pra saciar nossa fome.”


Palmas, gritos e assovios
Ecoaram na floresta,
A vaca se levantou
E disse franzindo a testa:
– “Eu convivo com o homem,
Mas sei que ele não presta.

É um mal-agradecido,
Orgulhoso, inconsciente.
É doido e se faz de cego,
Não sente o que a gente sente,
E quando nasce e tomando
A pulso o leite da gente.

Entre aplausos e gritos,
A cobra se levantou,
Ficou na ponta do rabo
E disse: – “Também eu sou
Perseguida pelo homem
Pra todo canto que vou.


Pra vocês o homem é ruim,
Mas pra nós ele é cruel.
Mata a cobra, tira o couro,
Come a carne, estoura o fel,
Descarrega todo o ódio
Em cima da cascavel.

É certo, eu tenho veneno,
Mas nunca fiz um canhão.
E entre mim e o homem,
Há uma contradição
O meu veneno é na presa,
O dele no coração.

Entre os venenos do homem,
O meu se perde na sobra…
Numa guerra o homem mata
Centenas numa manobra,
Inda tem cego que diz:
Eu tenho medo de cobra.”


A cobra inda quis falar,
Mas, de repente, um esturro.
É que o rato, pulando,
Pisou no rabo do burro
E o burro partiu pra cima
Do rato pra dar-lhe um murro.

Mas, o morcego notando
Que ia acabar a paz,
Pulou na frente do burro
E disse: – “Calma, rapaz!…
Baixe a guarda, abra o casco,
Não faça o que o homem faz.”

O burro pediu desculpas
E disse: – “Muito obrigado,
Me perdoe se fui grosseiro,
É que eu ando estressado
De tanto apanhar do homem
Sem nunca ter revidado.”

O rato disse: – “Seu burro,
Você sofre porque quer.
Tem força por quatro homens,
Da carroça é o chofer…
Sabe dar coice e morder,
Só apanha se quiser.”


O burro disse: – “Eu sei
Que sou melhor do que ele.
Mas se eu morder o homem
Ou se eu der um coice nele
É mesmo que estar trocando
O meu juízo no dele.

Os bichos todos gritaram:
– “Burro, burro… muito bem!”
O burro disse: – “Obrigado,
Mas aqui ainda tem
O cachorro e o morcego
Que querem falar também.”

O cachorro disse: – “Amigos,
Todos vocês têm razão…
O homem é um quase nada
Rodando na contramão,
Um quebra-cabeça humano
Sem prumo e sem direção.


Eu nunca vou entender
Por que o homem é assim:
Se odeiam, fazem guerra
E tudo o quanto é ruim
E a vacina da raiva
Em vez deles, dão em mim.”

Os bichos bateram palmas
E gritaram: – “Vá em frente.”
Mas o cachorro parou,
Disse: – “Obrigado, gente,
Mas falta ainda o morcego
Dizer o que ele sente.”

O morcego abriu as asas,
Deu uma grande risada
E disse: – “Eu sou o único
Que não posso dizer nada
Porque o homem pra nós
Tem sido até camarada.


Constrói castelos enormes
Com torre, sino e altar,
Põe cerâmica e azulejos
E dão pra gente morar
E deixam milhares deles
Nas ruas, sem ter um lar.”

O morcego bateu asas,
Se perdeu na escuridão,
O rato pediu a vez,
Mas não ouvi nada, não.
Peguei no sono e perdi
O fim da reunião.

Quando o dia amanheceu,
Eu desci do meu poleiro.
Procurei os animais,
Não vi mais nem o roteiro,
Vi somente umas pegadas
Debaixo do juazeiro.

Eu disse olhando as pegadas:
Se essa reunião
Tivesse sido por nós,
Estava coberto o chão
De piubas de cigarros,
Guardanapo e papelão.

Botei a maca nas costas
E saí cortando o vento.


Tirei a viagem toda
Sem tirar do pensamento
Os sete bichos zombando
Do nosso comportamento.

Hoje, quando vejo na rua
Um rato morto no chão,
Um burro mulo piado,
Um homem com um facão
Agredindo a natureza,
Eu tenho plena certeza:
Os bichos tinham razão.