ORGULHO DE SER NORDESTINO
O nordeste hoje implora
as águas da cachoeira
a chuva corre por fora
nem passa pela porteira.
por causa dessa demora
nordestino quando chora
as lágrimas são de poeira.
E quando a chuva aparece
o ano começa bem
tem gente que reza prece
tem outras que diz amém
a Deus o sertão agradece
e eu agradeço também.
Guibson Medeiros
Se você me abandonar - Poesia Matuta de Carneiro Portela
Se você não me quiser tomo licor de pimenta bebo leite de jumenta num lhe dou mais cafuné desembrabeço a maré pra ver a praia endoidar eu faço a cobra fumar se você fugir de mim eu vou mudar de camim se você me abandonar.
Se você não me quiser bebo chumbo derretido e nunca mais lhe convido para ser minha mulher num tem mais lua de mé nem faço o sino tocar nos lugares que eu pisar num pode nascer capim eu vou mudar de camim se você me abandonar.
Se você não me quiser arranco o rabo do peba a galinha se amanceba com outro bicho qualquer não dá um adeus sequer com vergonha do preá e na hora de acordar fica tocando clarim eu vou mudar de camim se você me abandonar.
Se você não me quiser não é bom que se afoite escovo a boca da noite arranco a torre da sé depois digo porque é qui a muda não quer falar o sol pára de brilhar seu eu estiver sozim eu vou mudar de camim se você me abandonar.
Se você não me quiser eu dou um susto na morte talvez ela não suporte se eu lhe der um cangapé e na hora que eu estiver danado pra namorar digo a ela pra estourar o meu amor com estupim eu vou mudar de camim se você me abandonar
Se você não me quiser quebro a tampa do pinico mas sozim não sei se fico feito carro sem chofer me dane se eu não fizer a minha égua rinchar e depois que me olhar eu jogo ela pro vizim eu vou mudar de camim se você me abandonar.
Se você não me quiser eu ensino um burro a ler e peço a ele pra dizer que você ainda me quer mas se ela me disser que você não quer voltar eu digo a ele pra falar nem que seja no latim eu vou mudar de camim se você me abandonar.
Se você não me quiser eu fico brabo outra vez e monto na gata pedrez se outra igual não houver se ela um chute me der não ligo, tô com azar mas se ela não concordar qui eu sô bem bonitim eu vou mudar de camim se você me abandonar.
"Sou um caboclo peitudo desses da rede rasgada eu nunca temi a nada todo tempo topo tudo nasci, cresci, tive estudo sou filho de camponês me criei pegando rês num bom cavalo de cela eu sou CARNEIRO PORTELA este amigao de vocês"
Antônio Carneiro Portela (Coreaú, Ceará, 15/7/1950), formado em Direito e Letras. Poeta, radialista (“Forrozao da Verdinha” na Rádio Verdes Mares) e apresentador de televisão(“Nordeste Caboclo” na TV Diário). Pesquisador da Cultura Regional. __________
De quatro em quatro anos, seleções de futebol de diversos países do mundo se reúnem para disputar a Copa do Mundo de Futebol.
A competição foi criada pelo francês Jules Rimet, em 1928, após ter assumido o comando da instituição mais importante do futebol mundial: a FIFA ( Federation International Football Association).
A primeira edição da Copa do Mundo foi realizada no Uruguai em 1930. Contou com a participação de apenas 13 seleções, que foram convidadas pela FIFA, sem disputa de eliminatórias, como acontece atualmente. A seleção uruguaia sagrou-se campeã e pôde ficar, por quatro anos, com a taça Jules Rimet.
Uruguai (1930) / Itália (1934) / Itália (1938) / Uruguai (1950) / Alemanha (1954) / Brasil (1958) / Brasil ( 1962) / Inglaterra ( 1966) / Brasil (1970) / Alemanha (1974) / Argentina (1978) / Itália (1982) / Argentina (1986) / Alemanha (1990) / Brasil (1994) / França (1998) / Brasil (2002), Itália (2006).
O Brasil sentiria o gosto de erguer a taça pela primeira vez em 1958, na copa disputada na Suécia. Neste ano, apareceu para o mundo, jogando pela seleção brasileira, aquele que seria considerado o melhor jogador de futebol de todos os tempos: Edson Arantes do Nascimento, o Pelé.
Quatro anos após a conquista na Suécia, o Brasil voltou a provar o gostinho do título. Em 1962, no Chile, a seleção brasileira conquistou pela segunda vez a taça.
Em 1970, no México, com uma equipe formada por excelentes jogadores ( Pelé, Tostão, Rivelino, Carlos Alberto Torres entre outros), o Brasil tornou-se pela terceira vez campeão do mundo ao vencer a Itália por 4 a 1. Ao tornar-se tricampeão, o Brasil ganhou o direito de ficar em definitivo com a posse da taça Jules Rimet.
Após o título de 1970, o Brasil entrou num jejum de 24 anos sem título. A conquista voltou a ocorrer em 1994, na Copa do Mundo dos Estados Unidos. Liderada pelo artilheiro Romário, nossa seleção venceu a Itália numa emocionante disputa por pênaltis. Quatro anos depois, o Brasil chegaria novamente a final, porém perderia o título para o pais anfitrião: a França.
Déjà vu é uma reacção psicológica fazendo com que sejam transmitidas idéias de que já esteve naquele lugar antes, já se viu aquelas pessoas, ou outro elemento externo, enfim,que já vivei uma situação. O termo é uma expressão da língua francesa que significa, literalmente, já visto.
Amiga, ando muito sem tempo Mas, tirei um tempinho para te falar sobre seu recado. Tudo que seu sobre Lucio Barbosa inicialmente ouvi de boca de algumas pessoas que conviveram com Ze Ramalho Entao, resolvi pesquisar na internet mesmo (Lucio Barbosa compositor). Quanto aos artigos, alguns nao sao meus. Sao retirados de Jornais locais, quando julgo interessantes. Ja os poemas matutos, grande partes sao meus Sou professora de Ciencias, formada na Universidade Potiguar - Natal RN Desculpas mas, estou sem E-mail. Alem disso, meu teclado pirou e a acentuacao ja era. Visite-me sempre
MP investiga cursos de ensino médio de 30 dias Publicação: 06 de Junho de 2010 às 00:00
Wagner Lopes / Tatiana Lima - repórteres
Três anos de Ensino Médio, ou os nove anos do Ensino Fundamental, em apenas 30 dias. A oferta é tentadora para quem não concluiu os estudos. A repórter da TRIBUNA DO NORTE liga se dizendo interessada em conseguir o diploma do antigo “segundo grau”. O funcionário da empresa explica que para obtê-lo é necessário uma avaliação:
Emanuel Amaral Se depender da promotora Luciana Maciel, o Estado deveria tomar uma atitude, um posicionamentoSe depender da promotora Luciana Maciel, o Estado deveria tomar uma atitude, um posicionamento “Essa prova vai ter as matérias do nível médio, cada matéria 10 questões, todas de marcar, e vai ter de acertar cinco de cada disciplina. Acertando as cinco de cada, está aprovada com nível médio completo (…) A redação é opcional.”
A conversa continua e a repórter questiona das aulas.
“- Não são obrigatórias. O que importa na verdade é a prova mesmo. Se você não puder assistir às aulas, pega o material, estuda só em casa e se prepara para a prova.”
Surge outra dúvida. Por que a prova não é em Natal?
“- Tem de ser lá (em João Pessoa) porque o Governo Federal só autorizou uma cidade de cada região para fazer esse tipo de prova. No caso do Nordeste, a cidade disponível foi João Pessoa.”
Errado. Quem autoriza os exames são os conselhos estaduais. Mas de qualquer modo a prova pode ser difícil. No entanto o funcionário acalma a interessada:
“- A gente tem aluno aqui que está há quase 30 anos sem entrar em uma sala de aula e consegue ser aprovado.”
Bom. Mas ao se despedir, a repórter ainda questiona se o processo é irregular:
“- Não, não tem problema nenhum. Pode procurar nossas referências que você vai ver que o certificado é legalizado.”
A facilidade do processo chama atenção. Tanto que esse tipo de cursinho, oferecido por pelo menos duas instituições no estado, uma em Natal e outra em Parnamirim, recebe críticas da Secretaria Estadual de Educação (SEEC) e vem sendo investigado pelo Ministério Público Estadual. O inquérito civil 18/09 tramita na Promotoria de Educação de Parnamirim e deve ser repassado à Promotoria de Defesa do Consumidor. O objetivo é levantar informações a respeito dessa modalidade de ensino e, caso seja comprovada alguma irregularidade, ingressar com a devida ação judicial.
A promotora Luciana Maciel, que até a última quarta-feira atuou como substituta na promotoria onde corre o inquérito, entende que não deveria ser necessário aguardar por medidas jurídicas. “Acho que o Estado poderia tomar logo uma atitude, um posicionamento”, defende a representante do Ministério Público.
Ela lembra que a resolução 01/2007, do Conselho Estadual de Educação, exige não só que as instituições que realizam exames voltados para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), área que abrange atualmente os supletivos, sejam credenciados ao conselho. “Determina também que os cursos preparatórios para esses exames tenham esse credenciamento”, revela.
A subcoordenadora de Inspeção Escolar da Secretaria Estadual, Auxiliadora Albano, aponta a principal dificuldade do órgão em proibir o funcionamento desses tipos de cursinhos: “Tem nos incomodado muito, mas não temos como coibir porque eles levam os alunos para fazer os exames em João Pessoa e lá a escola onde é feita a prova é autorizada pelo conselho daquele estado. Então estamos de mãos atadas.”
Educadora considera um abuso
A subcoordenadora de Inspeção Escolar da Seec, Auxiliadora Albano, se mostra indignada e revela que muitas pessoas procuram a secretaria em busca de informações sobre os cursinhos que oferecem Ensino Fundamental ou Médio em 30 dias. “Não podemos dizer que é ilegal, mas é um abuso”, admite. Para ela, o certo seria as duas instituições pedirem credenciamento no conselho potiguar, para poderem realizar os exames no próprio Rio Grande do Norte. “Mas elas não fazem isso”, lamenta.
A subcoordenadora critica também o fato de as propagandas e faixas dos cursinhos (que geralmente não trazem os nomes das instituições) divulgarem que se tratam de exames “autorizados pelo Conselho Estadual de Educação”, sem especificarem que se trata do conselho paraibano e não o do Rio Grande do Norte. “Eles falam ainda do Ministério da Educação, mas o MEC não tem nada a ver com isso”, reclama. Os conselhos estaduais é que têm o poder de autorizar, ou não, tais exames.
A esperança de Auxiliadora Albano é no trabalho do Ministério Público e do próprio Conselho Estadual de Educação do RN, que vem acompanhando o caso. De acordo com a promotora Luciana Maciel, já foram solicitadas, inclusive, informações à Secretaria de Educação da Paraíba. “E temos também no inquérito um documento repassado pelo ex-secretário de Educação do Rio Grande do Norte, Ruy Pereira, que diz que mesmo o funcionamento de cursos avulsos precisa ser regulamentado pela secretaria.”
Provas no RN são mais criteriosas Comparando as provas oferecidas pelos cursinhos de “30 dias” em João Pessoa e as realizadas pelas bancas permanentes ligadas à Secretaria de Educação do Rio Grande do Norte fica fácil entender o atrativo das instituições que levam os alunos ao estado vizinho. O exame de João Pessoa dura apenas um domingo e inclui somente 120 questões, “todas de marcar”, como faz questão de ressaltar o funcionário de um dos cursinhos. Até a viagem de ida e volta à Paraíba está incluída no preço total do pacote.
O modelo adotado nas escolas públicas potiguares permite se fazer as provas de no máximo três disciplinas a cada sete dias, ou seja, o estudante leva um mínimo de três semanas para concluir as oito matérias do Ensino Médio e, se for reprovado em alguma, só poderá refazê-la após 60 dias. Além disso, são 40 questões por prova. Em Natal há bancas permanentes nos centros de educação Felipe Guerra (Praça Cívica), Reginaldo Teófilo (Caic de Lagoa Nova) e Lia Campos (avenida Coronel Estevam).
De acordo com o diretor do Felipe Guerra, José de Arimatéia Morais, os estudantes que desejam concluir o Ensino Médio têm ainda a opção de estudar no supletivo. Nesse caso, o Ensino Médio é concluído em um ano de estudos, durante o qual o aluno pode também ir realizando as provas da banca. “Se eles passarem em determinada disciplina, já não precisam frequentar as aulas daquela matéria”, explica.
Para o supletivo, a idade mínima é de 15 anos, no Ensino Fundamental, e 17 anos, quando se trata de Ensino Médio. “A banca é diferente. Você vem se matricula e faz a inscrição por disciplina, sem precisar assistir aula. Aí pode se preparar por conta própria e agenda uma prova por dia, no máximo três por semana”, detalha. No Ensino Fundamental é preciso aprovação em cinco disciplinas: Português, Matemática, Ciências, História e Geografia. No Ensino Médio são oito: Português, Matemática, Química, Física, História, Biologia, Geografia e Língua Estrangeira.
O Felipe Guerra atualmente conta com 2.304 alunos matriculados nos supletivos. Na banca permanente estão inscritos 3.787 no Ensino Médio e 1.677 no Fundamental. Para se ter uma ideia do rigor das provas, é comum haver reprovações. “Tem gente matriculada na banca desde 2008 e que vai fazendo e repetindo as provas até concluir todas as aprovações necessárias”, revela.
Edição de sábado, 5 de junho de 2010 O Potengi está morrendo aos poucos
Nível de poluentes mina fecundidade do rio. Além do dano ambiental, situação retira sustento dos pescadores Andrielle Mendes (especial para o Diário de Natal) // andriellemendes.rn@dabr.com.br
Razão do sofrimento de centenas de pescadores, a falta de peixes no Potengi tem explicação científica. A poluição do estuário está afetando a sobrevivência, fecundidade e reprodução de determinados organismos aquáticos. Foi o que pesquisadores da UFRN detectaram durante a realização da pesquisa "Diagnóstico das Cargas Poluentes dos Estuários dos Rios Potengi e Jundiaí", coordenada pelo professor do Departamento de Oceanografia e Limnologia da UFRN, Guilherme Fulgencio. O estudo, ainda em desenvolvimento, revelou altos níveis de toxicidade em alguns trechos dos rios Jundiaí e Potengi, que se juntam aos rios Golandim e Rio Doce e formam o estuário Potengi. A pesquisa, encomendada pelo Instituto de Defesa do Meio Ambiente (Idema), mostra que o lançamento de efluentes orgânicos e substâncias químicas está reduzindo a biodiversidade do estuário.
Gato come peixe que não serve para consumo humano, descartado pelos trabalhadores Foto: Fotos:Fábio Cortez/DN/D.A Press Por trás da constatação, um alerta. A morte de organismos em decorrência da poluição pode afetar a cadeia alimentar e causar sérios problemas ao ecossistema. Os pescadores ribeirinhos já sentem na pele os reflexos do alto nível de poluição (ver matéria na página 9). "Os recursos pesqueiros estão diminuindo, porque alguns organismos procuram o mangue para se abrigar, se alimentar e crescer e acabam morrendo devido aos altos índices de toxicidade", afirma o professor. O rio, assim como os pescadores ribeirinhos, está no limite do suportável. Qualquer descarga excessiva de resíduos orgânicos ou químicos pode abalar o aparente equilíbrio. A pesquisa revela um problema sério, que quase ninguém se dá conta. A dificuldade de reprodução dos organismos pode provocar a diminuição e até o desaparecimento de determinadas espécies. Os próprios pescadores ribeirinhos se queixam do desaparecimento de diferentes espécies de peixes e de crustáceos no manguezal e no estuário, como a saúna, o caranguejo-uçá e o aratu. "Devido aos altos índices de toxicidade, muitos organismos não vão conseguir se reproduzir", explicou o professor.
Testes Para chegar a este resultado, os pesquisadores fizeram alguns testes com animais aquáticos, que foram denominados de organismos-teste na pesquisa. Eles coletaram amostras de água e sedimento (terra) em vários pontos do Potengi e do Jundiaí e levaram até o Laboratório de Ecotoxologia, no Departamento de Oceanografia e Limnologia da UFRN. Lá, eles colocaram os organismos-teste nas amostras colhidas e observaram a sobrevida dos animais aquáticos. Parte dos organismos não sobreviveu ao teste agudo (mais curto e que testa a sobrevivência), o que revelou o alto nível de toxicidade das amostras. Além disso, boa parte dos que sobreviveram apresentou problemas de fecundidade e dificuldade de reprodução durante o teste crônico, mais longo que o agudo e que analisa o impacto da carga tóxica no crescimento, reprodução, capacidade de sobrevivência e outras funções biológicas dos animais aquáticos em contato com as amostras.
Guilherme Fulgencio também é co-orientador da pesquisa "Avaliação Ecotoxicológica dos Efluentes Lançados no Complexo Estuarino do Jundiaí-Potengi", que está sendo desenvolvida pela pesquisadora Sinara Cybelle Turíbio, da UFRN.
Quando leio uma matéria como essa, fico me perguntando: Será que as pessoas que fazem os órgãos competentes são lerdas, são doidas ou pensam que nós(povo), somos idiotas? Se existem, nas secretarias: planilhas, rols de identificação de função dos servidores, recadastramentos,... porque "mulesta" ainda e só agora, é que se sabe ou se descobre que existem funcionários fantasmas? Porque no início do ano,quando as escola já iniciam o ano letivo amargando déficits de aulas por enes motivos, mas, principalmente pela falta de professores e pela falta de servidores e além disso, pagam por um indivíduo tercerizado, quase dois salários mínimos? A quem agrada essa cambada de incompetentes que ora dirigem os órgãos públicos estaduais, que aparecem agora com uma presepada de "reconheço que". Espero imensamente que a promotoria de Educação, determine uma verdadeira caçada àqueles que recebem indevidamente o dinheiro público, estando nós em exercícios de nossas funções e diga-se de passagem muito mal remunerados, fazendo o nosso serviço e o serviço dos tal fantasmas. E não me venham com bordão ridículo de "quem tem besta não compra cavalo" que nós também temos um de primeira:"Um dia é da caça e outro do caçador" Riam...
Mulesta seria uma corruptela (distorção) de moléstia.Coisa ruim.
Edição de sexta-feira, 21 de maio de 2010
Professores recebem salário sem dar aula MP constata que há funcionários fantasmas em 106 escolas estaduais. Escândalo pode ser ainda maior Júlio César Rocha // juliorocha.rn@dabr.com.br
Segundo um levantamento parcial divulgado pela Promotoria de Educação do Ministério Público, mais de 200 professores de escolas estaduais estão fora das salas de aula, em situações de irregularidade no cumprimento de suas atividades. A investigação conduzida pela promotora de Justiça, Carla Campos Amico desde o início do ano, já inspecionou 106 escolas estaduais das 116 existentes em Natal, constatando casos de professores que não cumprem expediente na unidade de ensino, mas ainda recebem os vencimentos regularmente.
Falta de pessoal tem sido um dos principais problemas em unidades de ensino na rede pública do estado Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press "As irregularidades no quadro de pessoal da Secretaria de Educação, além de desestruturar e desmoralizar o sistema educacional atentam contra o patrimônio público do estado, possibilitando o enriquecimento ilícito de profissionais que recebem seus vencimentos sem efetivamente, exercerem os cargos para os quais foram nomeados", afirmou a promotora Carla Amico.
As investigações estão sendo feitas a partir da análise das planilhas de pessoal de cada escola estadual, apresentada pelos próprios diretores ao Ministério Público, em parceria com a Coordenadoria de Administração Pessoal e Recursos Humanos, da Secretaria Estadual de Educação e Cultura. "Nós analisamos nome por nome, questionando os diretores para saber se todos os servidores estão dando expediente regular na escola que estão lotados", disse Carla Amico.
Até o momento segundo a promotora de Justiça, as irregularidades encontradas dizem respeito a servidores que nunca se apresentaram ao trabalho, pessoas que não retornaram ao trabalho após o término de um afastamento legal (licença gestante, ou atestado médico por exemplo); e ainda caso de professores estarem pagando "terceiros" para desempenharem suas atividades em sala de aula. "Em muitos casos, esses problemas existem porque há conivência dos diretores que integralmente atestam a frequência destes professores mês a mês", relatou a promotora Carla Amico. De acordo com a promotora, atualmente o sistema que regula a frequência dos servidores, só funciona essencialmente com a honestidade dos servidores que atestam a presença no expediente.
A secretária adjunta de Educação e Cultura, Salizete Freire, reconhece os problemas de irregularidade no quadro de pessoal da secretaria, mas está colaborando para que seja feita a legalização dos servidores que estão em desvio de função. "Estamos cientes do problema, vamos convocar cada professor para sejam tomadas as devidas providências, para que retornem às salas de aula", explicou a secretária.
Sistema
A Coordenadoria de Recursos Humanos da Seec em parceria com o Ministério Público está operacionalizando um novo sistema que visa diminuir as distorções de informações que permitem as situações irregulares. "Será uma forma de fiscalizar os servidores para que exerçam suas funções nas devidas unidades de maneira correta", explicou a secretária Salizete Freire.
Artigos Publicado em Diário de Natal 14/05/2010 Escola pública: por que não desisto? Frederico Horie da Silva
Todas as sextas-feiras, neste espaço, educadores ligados ao Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE) discutem questões relacionadas ao sistema público de ensino. Não é por menos, afinal, boa parte de nossas escolas se encontram sucateadas, a maioria das políticas públicas está distante das salas de aula e a Educação como prioridade continua como discurso de campanha eleitoral e não como práxis social. Apesar das críticas, não somos pessimistas, pelo contrário, acreditamos que a escola pública pode e deve ser de qualidade, mas há aqui um detalhe importante: Somos esperançosos sem jamais esperar.
Em meu caso, minha fonte de esperança tem nome, endereço e, principalmente, projeto político pedagógico. Sim. Deposito minha esperança em uma escola: real, pública, que atende pouco mais de cem alunos em um prédio cedido por uma instituição privada, que entre outros males, sofre com a alta rotatividade de professores. Eu sei, parece piada de mau gosto, mas lhes mostrarei que se trata de uma bela poesia.
Em um país que lê, em média, apenas 4,7 livros por ano (incluindo-se didáticos e paradidáticos), temos, nessa escola, um projeto de leitura literária consolidado, sistemático a ponto de influenciar políticas públicas, se tornando referência no bairro, na cidade e no Estado, mas, principalmente, referência para os alunos da escola e suas famílias, que enchem a sala de leitura e que leem e levam para casa - por dia -, mais livros do que a média brasileira o faz no ano. Eu vi, é comovente.
Nessa mesma pesquisa, realizada pelo Instituto Pró-livro, temos um dado ainda mais assustador: O número de livros lidos fora da escola é de apenas 1,3 habitante/ano.
Nesse contexto desanimador, a escola que vos falei; pequena, pública, com apenas um professor do quadro efetivo de educadores, foi uma das cinco vencedoras do Concurso Escola de Leitores, promovido pelo Instituto C&A em parceria com a Secretaria de Estado da Educação e da Cultura do Rio Grande do Norte e o Institutode Desenvolvimento da Educação (IDE) e participará de um intercâmbio de experiências de promoção de leitura na Colômbia, em agosto, graças a um projeto que coloca a escola como parte e não a parte da comunidade, o Bairro Leitor, que forma mediadores de leitura - desde crianças dessa e de outras escolas, até adultos e idosos moradores do bairro -, que multiplicarão a leitura literária para além do espaço escolar, pois, se "o texto é uma máquina preguiçosa, esperando que o leitor faça a sua parte", como disse Umberto Eco, a escola tem papel central na formação desses leitores, cidadãos capazes de se encantar pela leitura e enriquecer o capital humano e cultural, seu e do entorno em que vive.
Esse caso nos mostra que uma escola não está fadada ao fracasso por possuir poucos ou muitos alunos, ser pública ou particular, ocupar um espaço periférico ou central na cidade. Mas ela estará MORTA se a cultura da mediocridade, que perpassa todas as esferas do nosso sistema público de ensino, for dominante; se continuarmos a acreditar que a escola pública é a escola do pobre, que é normal não ter professores, que é normal liberar mais cedo, que todos os alunos aprendem da mesma maneira e no mesmo tempo, que uma escola se faz sem investimentos, que é tudo culpa da escola, que nada é culpa da escola... Aos leitores fica a mensagem: Continuemos esperançosos, mas sem jamais perder a capacidade de nos indignarmos.
Frederico Horie da Silva, educador e biólogo, escreve a convite do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), que publica artigos neste espaço às sextas-feiras. Compromissos
Governo Wilma gastou mais de R$ 1 bilhão do orçamento 2010 em apenas 12 dias úteis 11:23 - Orçamento, Redação O governo do Rio Grande do Norte executou 15% do Orçamento Geral do Estado (GE) nos doze primeiros dias úteis do ano. A informação é do secretário estadual de Planejamento e Finanças (SEPLAN), Nelson Tavares. Ao todo, o OGE 2010 é de R$ 7,4 bilhões, e o valor gasto até agora representa R$ 1,1 bilhão – ou R$ 92,5 milhões por dia útil. O OGE 2010 foi aberto no último dia 2 de fevereiro.
De acordo com o secretário Nelson Tavares, cerca de 7% do OGE 2010 foi executado em janeiro, à conta de um doze avos, previsto em lei para ser pago em caso de necessidade antes da abertura do orçamento. O secretário informou que em fevereiro também foram liberados valores de restos a pagar.
Apesar disso, Nelson Tavares afirmou que os valores gastos pelo governo até agora estão dentro do que foi planejado. “Até agora, foi executado muito pouco, porque em janeiro não havia orçamento e ficou liberando a 1/12. Até agora executamos 15% do orçamento”, afirmou.
De acordo com o secretário de Planejamento, os valores estão sendo liberados de forma equitativa para todos os setores do governo, “porque o governo não está parado”, citando os gastos com custeio (água, luz, telefone). “Em março, estaremos fazendo o planejamento para a liberação de dinheiro para obras”, adiantou.
Informações que circularam ontem davam conta de que a governadora Wilma de Faria (PSB) deixaria o governo em abril para ser candidata ao Senado com boa parte do orçamento comprometido, engessando a futura administração Iberê Ferreira de Souza (PSB), que assume o governo com a pretensão de imprimir um toque pessoal na gestão estadual e tentar a reeleição em outubro.
Um dos setores que teria o orçamento comprometido seria a Comunicação Social, onde, de um total de R$ 12 milhões, R$ 4 milhões – ou um terço -, de acordo com Nelson já teriam sido executado do orçamento. “Desses quatro milhões, menos de dois dizem respeito ao Orçamento deste ano. O que eu quis dizer é que dois milhões foram para o pagamento de restos a pagar do ano passado”, corrigiu.
“Estamos caminhando normalmente. Fizemos restos a pagar; temos uma programação de obras, com aporte de obras grande, para março, o que implica que de março até dezembro estaremos realizando obras”, afirmou Tavares.
Indagado se o cidadão sentirá diferença entre as gestões de Wilma de Faria e Iberê Ferreira, com a mudança de comando do Estado prevista para abril, o secretário de Planejamento, cotado para permanecer à frente da pasta, disse que a mudança será “apenas no estilo pessoal”.
“Nos serviços e no encaminhamento de obras não vai haver grande diferença. Existe participação de Iberê no governo já há algum tempo. A governadora tem o poder de comando, mas ela sempre consulta os outros. Não acredito em guinada significativa, de cento e oitenta graus, a não ser no estilo pessoal de governar”, acrescentou.
Sobre sua permanência no governo, Nelson Tavares disse que está preparando a Secretaria Estadual de Planejamento para o sucessor, “que quem vai decidir será Iberê”. “Se for sair, saio com muito orgulho; mas, se for ficar, estará tudo arrumadinho”, encerrou.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Acessem para não perdermos !!!
LIVROS EM PDF - ISSO NINGUEM DIVULGA
A REDE GLOBO NÃO DIVULGA NUNCA ! ! !
Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que está prestes a ser desativada por falta de acessos. Imaginem um lugar onde você pode gratuitamente:
· Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci ; · escutar músicas em MP3 de alta qualidade; · Ler obras de Machado de Assis Ou a Divina Comédia; · ter acesso às melhores historinhas infantis e vídeos da TV ESCOLA · e muito mais.... Esse lugar existe! O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso,basta acessar o site: www.dominiopublico.gov.br
Só de literatura portuguesa são 732 obras!
Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.
Divulgue para o máximo de pessoas!
É MELHOR FAZER PROPAGANDA DOS BBBs E DAS NOVELAS, POIS, POVO ASSISTE E FICA BURRO, E ASSIM É MAIS FÁCIL DE SER ENGANADO!
Quirino
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É MELHOR FAZER PROPAGANDA DOS BBBs E DAS NOVELAS, POIS, POVO ASSISTE E FICA BURRO, E ASSIM É MAIS FÁCIL DE SER ENGANADO!
Unidos pela música Publicação: 01 de Maio de 2010 às 00:00
Nada de chorinho pelo leite derramado. O que os artistas da música do Estado querem agora é aderir à visão empreendedora, presente no cotidiano das grandes cidades musicais do país. Depois de ver a banda passar durante a “Feira de Música Brasil” do Ministério da Cultura, no ano passado, músicos, produtores, técnicos de som e demais profissionais do Estado, estão formando um grande coro para reivindicar a criação de políticas públicas e programas diversos frente às instituições de fomento à cultura. O coro tem nome: Rede Potiguar de Música – RPM. O projeto democrático e inédito recebe o apoio da agência cultural do Sebrae e da Casa da Ribeira. A noite de lançamento começa às 18h da próxima terça-feira e conta com a presença de Carlos Zens, Camarones Orquestra Guitarrística, Seu Zé, dentre outros bons nomes da música potiguar. Rodrigo Sena artistas, cantores, compositores, produtores, técnicos da área criam a Rede Potiguar de Música Segundo o jornalista Yuno Silva, um dos integrantes da Rede Potiguar de Música, o projeto tem como objetivo implantar uma visão empreendedora na classe artística, que falha por não encarar a música como um produto de circulação comercial. “Queremos, sobretudo, profissionalizar, criar produtos competitivos e dar espaço dentro e fora do Estado para os artistas potiguares”, disse Yuno. Segundo o jornalista, o lançamento é a coroação de um movimento que começou em novembro do ano passado, durante a Feira Música em Recife, promovida pelo Ministério da Cultura. O objetivo da feira é incentivar o mercado fonográfico e o intercâmbio entre artistas. Durante sua última edição, ficou constatado pelos participantes que o RN estava à margem da produção artístico musical. “Nós estávamos no evento apenas como espectador”, disse Yuno. A partir daquele momento, músicos, produtores, prestadores de serviço passaram a se reunir com o objetivo de criar, assim como em Minas Gerais, a rede de Música, unificando o segmento musical e estimulando a categoria a trabalhar de forma organizada e solidária. “Nos reunimos para ganhar força e ganhar espaço”, disse o jornalista. Os objetivos principais da Rede, são: criar mecanismos para proporcionar a circulação de artistas dentro do Estado, através de turnês e caravanas; mapear todos os profissionais que trabalham com música no Estado, incluindo músicos, produtores, iluminadores, jornalistas culturais e outros profissionais e registrar as informações em um catálogo; e Promover cursos, oficinas de capacitação, ensinando como produzir shows, escrever um release, fazer fotos de divulgação, dentre outras atividades. O excesso de talento e a falta de qualificação profissional são características assumidas pelos músicos potiguares. “A produção artística musical do Estado, por mais que tenha um grande potencial de qualidade, enfrenta dificuldades na divulgação e na estabilização enquanto profissional. Dificuldades herdadas das gerações anteriores”, disse o instrumentista Carlos Zens. Segundo Yuno, as iniciativas de valorização da música eram isoladas, e talvez por isso, não tinham força. O jornalista explica que através da rede será possível trabalhar em três esferas: local, regional e nacional. O primeiro passo já foi dado. O grupo agora quer ampliar a rede de integrantes e fazer um link com outras redes do país. A Rede Potiguar de Música está aberta a novos integrantes. O contato pode ser via internet, através do site www.redepotiguardemusica.blogspot.com, ou pessoalmente.
Cidades Edição de quarta-feira, 28 de abril de 2010 Um rio de sujeira no Potengi O rio Potengi está recebendo, diariamente, cerca de 18 milhões de litros de esgoto sem tratamento adequado Maiara Felipe especial para o Diário de Natal
A cada dia, a Companhia de Águas e Esgoto do Rio Grande do Norte (Caern) despeja no rio Potengi cerca de 18 milhões de litros de esgoto sem tratamento adequado. O número é referente às seis Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) de Natal que estão funcionando de forma inadequada e mandam para o efluente o resultado de um esgotamento sanitário feito de forma incorreta ao longo de muitos anos. O esgoto coletado na Cidade da Esperança, Lagoa Nova, Bom Pastor, Nazaré, Centro administrativo e Potilândia tem como destino a Lagoa Aerada, localizado no Km 6, onde deveria existir o tratamento do material antes de enviar para o Potengi. O que deveria acontecer, há muitos anos não acontece. A estação funciona acima da capacidade e a estrutura que faz o tratamento do esgoto praticamente não existe.
Todo o esgoto é enviado a uma lagoa, que está recebendo uma quantidade de dejetos bem maior do que sua capacidade Foto: Carlos Santos/DN/D.A Press Segundo o responsável pelo monitoramento ambiental do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), Sérgio Macêdo, a Lagoa Aerada foi projetada para receber por dia 279 metros cúbicos (279 mil litros) de esgoto por hora, mas atualmente coleta cerca de 486. "Por funcionar acima da capacidade, nos últimos dias o dique (barreria de contenção) rompeu", ressaltou. Durante uma visita ao local feita pelo Ministério Público junto a Caern e o Idema, Sérgio explicou como deveria ser o processo de tratamento e como na verdade ele é realizado. "O esgoto chega pela tubulação e deveria ter primeiro uma grade para retirar o lixo, o que não tem. Depois ele passa pelas caixas de areia que deveria funcionar alternadamente, mas ficam todas acionadas ao mesmo tempo, e isso dificulta a limpeza. E por fim, como o nome da lagoa já diz, o tratamento era para ser feito com aeradores e aqui não encontrei nenhum", resumiu.
Os aeradores serviriam para oxigenar o esgoto, sem eles o tratamento fica apenas nas condições primárias pelo mecanismo anaeróbico. Sérgio não afirma que o esgoto está indo sem tratamento para rio, embora confirme que o funcionamento acima da capacidade e a falta de estrutura interferem muito no resultado do processo. Ele diz ainda que as demais ETEs ( Beira Rio, CIAT, Quintas, Jardim Lola I e II) passam pela mesma situação (ou parecida) por falta de manutenção e operação por parte da Caern. Para o promotora de Meio Ambiente, Gilka da Mata, a demanda da rede coletora de esgoto foi crescendo e a Caern não adaptou nenhuma das ETEs. " Além disso, esgotamento sanitário não se resume à coleta, tem o tratamento e a disposição final", lembra. Baseada nisso, a representante do MP enfatiza que " 0% de Natal tem esgotamento sanitário realmente porque só tem a rede de coleta". " Comecei a investigação sobre as condições dessas ETEs em 2006 e dividi as em várias ações. Uma delas pede o estudo da situação de poluição do Potengi. Esse estudo está sendo feito pela UFRN e ainda não foi concluído", declarou a promotora sobre a situação do rio.
Promotora do meio ambiente, Gilka Mata, esteve no local e cobrou providências Foto: Carlos Santos/DN/D.A Press Há pelo menos 10 anos, Gilka da Mata acredita que as estações estão funcionando irregularmente, jogando esgoto com tratamento inadequado no Potengi, e ainda que operassem plenamente, não estariam fazendo o esgotamento de forma correta. Nos planos da Caern está despoluir o Rio Potengi até dezembro de 2011. Pelo menos, é o que eles mostram em projetos para as ETEs (incluíndo a do Baldo) orçados na ordem de R$ 182 milhões. De acordo com o diretor presidente do órgão, Sérgio Pinheiro, os recursos já estão assegurados, entretanto, algumas ações só serão possíveis quando a ETE do Baldo começar a funcionar (está em fase de testes até junho).
A Lagoa Aerada, por exemplo, precisa desviar sua rede coletora para o Baldo. Depois disso é que a recuperação da lagoa deverá acontecer. Essa obra está licitada em cerca de R$ 72 milhões e fará um novo esgotamento atingindo os bairros de Cidade Nova, Felipe Camarão, Guarapes e Bom Pastor. Mesmo alcançando 20 bairros de Natal, a ETE do Baldo não poderá resolver o problema do esgotamento da Zona Sul, que está dependendo da obra do Emissário Submarino (projeto que ainda não saiu do papel).
"Vamos resolver a situação de Capim Macio e San Vale utilizando as lagoas de captação existentes, que precisam apenas serem ampliadas", disse. Conforme a Promotoria do Meio Ambiente, a ETE da Rota do Sol, estação de tratamento que o órgão está contando para região Sul, vem funcionando acima da capacidade e no próximo dia 17, uma audiência discutirá o caso.
Após a visita, o grupo foi para a Promotoria do Meio Ambiente, onde a Caern participou de uma audiência de conciliação designada pela Juíza Divone Maria Pinheiro da 17ª Vara Cível da Comarca de Natal. O Ministério Público, que já tinha uma Ação Civil Pública sobre o caso desde 2007, estipulou alguns prazos para solucionar os problemas das ETEs e o órgão se comprometeu a cumprir as medidas a partir de ontem. Sujeira
Litros de esgoto jogados por hora no Potengi:
ETE Beira Rio - 93.240
ETE CIAT - 30.930
ETE Quintas - 50.190
Lagoa Aerada - 486.000
ETE Jardim Lola I - 58.120
ETE Jardim Lola I I- 53.500
Estação / Esgoto/ Prazo
Estações
ETE Beira Rio - No prazo de 12 meses, realizar as obras civis de recuperação e dimensionamento das lagoas existentes de forma a garantir o lançamento dos efluentes de acordo com os padrões das legislação ambiental e das exigências do órgão ambiental licenciador.
ETE CIAT - Desativar a ETE no prazo de 18 meses e realizar dentro do prazo mencionado o encaminhamento dos esgotos para a ETE do Baldo, para tanto instalado nesse prazo uma estação elevatória para encaminnhar os esgotos para ETE do Baldo.
ETE Quintas -Desativar a ETE no prazo de 18 meses e realizar no prazo mencionado o encaminhamento dos esgotos para a ETE do Baldo através da instalação de duas elevatórias.
Lagoa Aerada - Desativar a ETE no prazo de um ano e encaminhar todo esgoto que está direcionado para a ETE do Baldo. Caso a Caern tenha a intenção de utilizar a área para uma nova ETE, deverá instalar e operar a ETE de acordo com uma licença ambiental específica.
ETE Jardim Lola I-No prazo de 10 meses concluir as obras civis de recuperação e dimensionamento das lagoas existentes para que o sistema opere nos padrões exigidos pela legislação ambiental pelo Idema.
ETE Jardim Lola II - No prazo de 10 meses concluir as obras civis de recuperação e dimensionamento das lagoas existentes para que o sistema opere nos padrões exigidos pela legislação ambiental pelo Idema.
Conselhos pro fim do mundo - Maria da Paz
22 de Junho de 2009
Me diga meu camarada
O que você vai fazer
Nesta data calculada
Para o mundo se acabar
Faltando só quatro dias
Para o Natal festejar
Do ano dois mil e doze
O planeta sumirá
Será que mesmo assim vai comprar
Os presentes e entregar.
Pense bem ao escolher
Pra dinheiro não perder.
Nessa grande confusão,
Vai aquí uma sugestão.
Pra aquela sogra cachaceira,
Dê um paletó de madeira.
Mariinha, toda cheia de saúde,
Compre um tal de ataúde.
Pro sogrão sem compaixão,
Lhe presentei um caixão.
Pra vizinha da direita,
Dê-lhe uma cova bem feita.
Perdoe a Maria Rita,
E dê um laço de fita.
Uma grinalda amarela,
Compre pra tia Isabela.
E pra sua ex-mulher Lêla,
Escolha uma mortalha de seda.
Em cartão postal a Lilia,
Escreva uma ave Maria.
Mande flores brancas,
Pras filhas da Dona Bianca.
Muitas flores coloridas
Pra enfeitar a noite derradeira
Dessa raça companheira
A todos que de ti falaram,
Ofereça um rosário.
E àqueles que te amaram
Faça uma linda declaração.
Faça votos de união
Deseje Reencarnação
Não importa o endereço
Esse fim pode ser o começo.
Enchentes
Olimpio Araujo Junior na íntegra -O mundo não vai acabar!
Reflexões sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente - Olimpio Araujo Junior
Maremotos, terremotos, secas, el niño, efeito estufa, aquecimento global, são algumas das catástrofes naturais provocadas ou não pelo homem, que assolam nosso planeta e colocam em risco todas as formas de vida. Se isso tudo não bastasse, ainda vemos o homem brincando de Deus, e no alto de sua arrogância, acreditando que pode controlar e modificar o meio ambiente.
Insiste em manipular a vida em laboratórios e esquece que vivemos em uma grande rede, onde tudo é interligado e interdependente. Apesar de toda a evolução cultural, social e científica, ainda é ingênuo o suficiente para acreditar que, em poucos anos ou meses, pode alterar a natureza que levou 4,5 bilhões de anos para ser formada, e que esta alteração não trará nenhum malefício.
O dinheiro passou a ser o fator primordial. As pessoas acreditam que tudo pode ser resolvido com o poder econômico e com a tecnologia cada vez mais avançada, e isso serve de desculpa para degradar e consumir sem limites. Mas como diria Ted Perry na Carta do Chefe Seattle, “apenas quando o homem derrubar a última árvore, poluir o último rio e matar o último peixe, irá perceber que não poderá comer o dinheiro que ganhou”. Vivemos em um tempo de alarme geral, onde as questões ambientais são cada vez mais importantes para nossa sobrevivência. Estamos criando todas as condições necessárias para que este planeta se torne inabitável e, enquanto isso, assistimos eufóricos notícias espetaculares que mostram os EUA investindo bilhões para tornar Marte habitável. Na verdade espero mesmo que eles vão todos pra lá, peço apenas que não destruam nosso planeta totalmente com seus transgênicos, sua poluição e seu consumo irracional antes de fazerem o favor de se mudar.
Durante milhões de anos nosso planeta foi dominado por seres gigantescos, que não degradavam nem poluíam, mas em um determinado período desapareceram deixando apenas os testemunhos de sua existência. Assim também acontecerá com o ser humano, e provavelmente, muito mais rapidamente, pois ele mesmo está aos poucos destruindo as possibilidades da sua continuidade no planeta.
Mesmo decidido a continuar lutando por o que acredito, como aquele passarinho da história que levava água no bico para pagar o incêndio da floresta, concluo que temos muito pouco o que comemorar no dia 5 de junho. Apesar disso, tenho uma boa notícia: “O mundo não vai acabar!”. Mesmo com todas estas das previsões catastróficas relacionadas a situação de nosso planeta e constantemente questionadas por grupos políticos ou econômicos, folgo em dizer a todos que ele sobreviverá, e como sempre, a natureza encontrará os meios para retomar o equilíbrio. Porém, infelizmente não posso afirmar com tanta ênfase o mesmo sobre a raça humana.]
O Dia 22 de Abril foi escolhido como o "Dia do Planeta Terra". E eu pergunto: O que se faz em um dia, pelo Planeta Terra? Não precisa responder. Podemos gritar aos quatro cantos do Mundo para que tenhamos bom censo e cuidemos melhor das nossas casas, dos nossos quintais,das nossas ruas, das nossas cidades, dos nossos rios, das nossas praias, das nossas florestas. Vamos colocar no lixo, o que realmente for lixo, juntar os restos de óleos das nossas casas e transformar em sabão, evitemos o uso de sprays, o clorofluorcarbono (CFC),as queimadas, os desflorestamentos, etc. Fragmentar as ações para colher resultados globalizado. HUMANIDADE....
Biocombustíveis causam quatro vezes mais emissões de CO2 que a gasolina comum. Combustíveis feitos a partir de soja têm o poder de causar quatro vezes mais impacto no ambiente que a gasolina ou diesel comum. A novidade faz parte de um relatório da Comissão Europeia, segundo o jornal Telegraph desta quinta-feira (22).
A emissão quatro vezes maior de CO2 (dióxido de carbono), um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa, é mais uma polêmica que envolve a produção de biocombustíveis. Esse tipo de produto é considerado por muitos especialistas como responsável por provocar escassez de alimentos nos países onde as áreas de plantio para arroz e trigo passaram a ser substituídas por campos de soja ou cana-de-açúcar.
O problema se agrava nos Estados Unidos porque a terra usada na produção de soja para alimentação animal está sendo agora ocupada com foco na demanda pelos biocombustíveis, fazendo com que sejam necessárias mais espaços para o plantio em grandes países exportadores, como o Brasil.
As menores emissões indiretas são as que acontecem a partir do bioetanol feito com cana-de-açúcar ou beterraba e óleo de palma do sudoeste asiático, mas mesmo assim causam danos por muitas vezes estarem ligadas ao desmatamento.
Em uma versão saudosista assisti o vídeo apresentado no lançamento do livro "A cidade que ninguém inventou" de Osair de Vasconcelos. E recordei-me: Ele, que já foi meu professor de História, "e etc e tal" no ano de mil novencentos e setenta e cinco, talvéz, quando me preparava para o tão temido exame de admissão. As aulas eram a noite em um prédio ao lado do Pax Clube. Porém, antes disso, já o conhecia, pois era ele, um dos rapazes que faziam a programação radiofônica todas as tardes, alí mesmo no Pax Clube. Ainda no Parque Governador José Varela, existia: Câmara Municipal, administrada por Heronides Mangabeira(vereador presidente da Casa e suas filhas(Fátima, Gessí e Regina, que iam fazer a limpeza e eu ia junto), a Delegacia de Polícia (o delegado e quatro soldados), a Escolinha Antônio Andrade, A casa Projeto Casulo(creche), o Pax Clube, a Quadra de Esportes e o point da época "o Campo do Cruzeiro". E etc e tal.
Mãe!!! Quem me pintou de preto? Sou diferente e sofro com isso. Será que tem uma tinta de pele? Mudem a minha pele, ou mudem a pele dos outros. Sou apenas uma menina, tenho sonhos. Mais a pessoas não entendem... Meus amigos dizem que tostei. Que passei do ponto. Já meu pai diz que é genético. Os que não gostam da minha cor, dizem que é porque sou pobre Mas, eu sei que é tudo isso e mais um pouco Eu sou negra porque meu sangue é descendente dos homens e mulheres que produziram as riquezas dos brancos desse país. Será que sou pobre porque sou negra? Ou será que sou negra por que sou pobre? Não sabe responder não é? Sou pobre por que os brancos roubaram minha dignidade, jogando-me no porão de um Negreiro e depois numa senzala. Castraram a minha cidadania. E os papeis se inverteram! Quem nos tirou os direitos humanos querem que eu tenha vergonha por causa da minha cor.
Ora pois, vergonha tenham os aproveitadores de mão de obra barata Vergonha tenham os preconceituosos Aqueles que se acham superiores. Digo-te pois, superior sou eu que ando de cabeça levantada. Que não carrego a culpa das diferenças sociais desse imenso Brasil Sou negra! Perfeita fisicamente Tenho capacidades de raciocínio. Não é a quantidade de melanina de minha pele que me faz melhor ou pior do que os demais. Sou feliz. Pobre ou rico, não importa. Eu resgatei minha dignidade, minha cidadania meus direitos humanos. Tenho uma arma poderosa - "O conhecimento" Já como manga e tomo leite, sem medo Enfim, Tenho orgulho da cor de minha pele. Sou negra, apenas negra.
Como um sândalo humilde que perfuma,
o ferro do machado que lhe corta.
Ei de ter minha alma sempre morta.
Mas,não me vingarei de coisa alguma.
Se algum dia perdida pela pruma,
resolveres bater em minha porta,
ao invés da humilhação que desconforta,
teráis um leito sob o chão de plumas.
Em troca dos desgostos que me destes,
mais carinho teráis do que tivestes.
Meus beijos serão multiplicados.
Para os que voltam pelo amor vencido.
A vingança maior dos ofendidos
é saber abraçar os humilhados.
Poema de Chico Bezerra, poeta pernambucano
em: Como um Sândalo
Agradeço ao amigo Adriano pela informação
Achei o poema lindo, mas, desconhecia o autor.
É muito importante dar a autoria de uma obra.
Boca Livre e 14 Bis Composição: Fernando Brant / Milton Nascimento
Há um menino, há um moleque Morando sempre no meu coração Toda vez que o adulto balança Ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente Um sol bem quente lá no meu quintal Toda vez que a bruxa me assombra O menino me dá a mão
E me fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir Amizade, palavra, respeito, carater, bondade, alegria e amor Pois não posso, não devo, não quero viver como toda essa gente insiste em viver E não posso aceitar sussegado qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia, bola de gude O solidário não quer solidão Toda vez que a tristeza me alcança O menino me dá a mão Há um menino, há um moleque Morando sempre no meu coração Toda vez que o adulto balança Ele vem pra me dar a mão
E me fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir Amizade, palavra, respeito, carater, bondade, alegria e amor Pois não posso, não devo, não quero viver como toda essa gente insiste em viver E não posso aceitar sussegado qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia, bola de gude O solidário não quer solidão Toda vez que a tristeza me alcança O menino me dá a mão Há um menino, há um moleque Morando sempre no meu coração Toda vez que o adulto balança Ele vem pra me dar a mão
E me fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir Amizade, palavra, respeito, carater, bondade, alegria e amor Pois não posso, não devo, não quero viver como toda essa gente insiste em viver E não posso aceitar sussegado qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia, bola de gude O solidário não quer solidão Toda vez que a tristeza me alcança O menino me dá a mão Há um menino, há um moleque Morando sempre no meu coração Toda vez que o adulto balança Ele vem pra me dar a mão
Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer; É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder; É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor? Luís de Camões (1524-1580)
O nome dele é Francisco Buarque de Hollanda. Conhecido mesmo como o Chico Buarque, carioca geminiano de 19 de junho de 1944. Músico, dramaturgo e escritor brasileiro, dentre tantas qualidades. Seu pai era ninguém menos que o historiador Sérgio Buarque de Holanda. Chico Buarque de Holanda iniciou sua longa e de sucesso carreira na década de 1960, destacando-se em 1966, quando venceu, com a canção A Banda, o Festival de Música Popular Brasileira. Em 1969, devido à repressão da Ditadura, exilou-se na Itália, tornando-se, ao retornar, um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democracia brasileira. Na carreira literária, foi ganhador do Prêmio Jabuti, pelo livro Budapeste, lançado em 2004. Vamos conhecer agora algumas Musicas Chico Buarque que marcaram sua carreira como clássicos da música brasileira. A letra abaixo é de Calice Chico Buarque, uma das mais importantes músicas que criticava a ditadura, dando dupla conotação a “cálice”.
Pai! Afasta de mim esse cálice (cale-se) Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue…(2x)
Como beber Dessa bebida amarga Tragar a dor Engolir a labuta Mesmo calada a boca Resta o peito Silêncio na cidade Não se escuta De que me vale Ser filho da santa Melhor seria Ser filho da outra Outra realidade Menos morta Tanta mentira Tanta força bruta…
Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue…
Como é difícil Acordar calado Se na calada da noite Eu me dano Quero lançar Um grito desumano Que é uma maneira De ser escutado Esse silêncio todo Me atordoa Atordoado Eu permaneço atento Na arquibancada Prá a qualquer momento Ver emergir O monstro da lagoa…
Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue…
De muito gorda A porca já não anda (Cálice!) De muito usada A faca já não corta Como é difícil Pai, abrir a porta (Cálice!) Essa palavra Presa na garganta Esse pileque Homérico no mundo De que adianta Ter boa vontade Mesmo calado o peito Resta a cuca Dos bêbados Do centro da cidade…
Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice Pai! Afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue…
Talvez o mundo Não seja pequeno (Cálice!) Nem seja a vida Um fato consumado (Cálice!) Quero inventar O meu próprio pecado (Cálice!) Quero morrer Do meu próprio veneno (Pai! Cálice!) Quero perder de vez Tua cabeça (Cálice!) Minha cabeça Perder teu juízo (Cálice!) Quero cheirar fumaça De óleo diesel (Cálice!) Me embriagar Até que alguém me esqueça (Cálice!)
O último grande Livro Chico Buarque é Leite Derramado.
Leite Derramado
A história do livro Chico Buarque é a seguinte - leite derramado chico buarque: Um homem muito velho está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história de sua linhagem desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até o tataraneto, garotão do Rio de Janeiro atual. A visão que o autor de leite derramado chico buarque nos oferece da sociedade brasileira é extremamente pessimista: compadrios, preconceitos de classe e de raça, machismo, oportunismo, corrupção, destruição da natureza, delinquência. A saga familiar marcada pela decadência é um gênero consagrado no romance ocidental moderno. A primeira originalidade deste livro, com relação ao gênero, é sua brevidade. As sagas familiares são geralmente espraiadas em vários volumes; aqui, ela se concentra em 200 páginas. Outra originalidade é sua estrutura narrativa. A ordem lógica e cronológica habitual do gênero é embaralhada, por se tratar de uma memória desfalecente, repetitiva mas contraditória, obsessiva mas esburacada. O texto é construído de maneira primorosa, no plano narrativo como no plano do estilo. A fala desarticulada do ancião, ao mesmo tempo que preenche uma função de verossimilhança, cria dúvidas e suspenses que prendem o leitor. O discurso da personagem parece espontâneo, mas o escritor domina com mão firme as associações livres, as falsidades e os não-ditos, de modo que o leitor pode ler nas entrelinhas, partilhando a ironia do autor, verdades que a personagem não consegue enfrentar. Em suas leves variantes, as lembranças obsessivas revelam sutilezas ideológicas e psíquicas. E, como essas lembranças têm forte componente plástico, criam imagens fascinantes. Tudo, neste texto, é conciso e preciso. Como num quebra-cabeça bem concebido, nenhum elemento é supérfluo. Há também um jogo com os espaços onde ocorrem os acontecimentos narrados. As várias casas em que o narrador morou, como as décadas acumuladas em suas lembranças, se sobrepõem e se revezam. O fato de nem no fim da vida o homem de leite derramado chico buarque compreender e aceitar o que aconteceu torna seu drama ainda mais lamentável. Os enganos ocasionados por seu ciúme são tragicômicos, e o escritor os expõe com uma acuidade psicológica que podemos, sem exagero, qualificar de proustiana. Leyla Perrone-Moisés
Mal entendido, sabedoria ou ignorância? Maria da Paz Macaíba/Fevereiro de 2010
Menina! eu nem te conto. Quer dizer, conto!!! Eu moro, ou melhor, eu trabalho em um apartamento de luxo, num condomínio de elite, num bairro nobre da Capital do Sol. Minhas amigas suspirando pelos cantos diziam assim: - Ah que família linda! e o teu patrão?!! - Oh que família!!! Além de lindos são podres de ricos. Mas, eu atrapalhando, digo mesmo: - Lindos? ricos? vocês estão por fora! São ricos não. Na verdade são podres de pobres. Eles não tem nada não. - Ué?!! Como tem nada não, estás doida mulher? Que coisa feia, difamando os patrões. E esse luxo todo? - Digo e repito: Tem nada, na-da, nada. Até o fogão é emprestado. - Que mentira, deixa disso! - É sim. O fogão, a cafeteira, o liquidificador, a sanduicheira, a batedeira e até o forno micro ondas são de um sujeito chamado "ARNO" com letra maiúscula, minha filha. E a geladeira??? A patroa diz: - Cuida bem que é pra não arranhar que é da Britânia! Os armários são de um gay! - Gay???!! que gay? -Ah! Isso eu não sei, mas eles dizem: esses armários são da "Delano". Vê se pode!? Tudo alheio. Toalhas? da Teca! As roupas!? umas são de um tal de Pool, outras de um cara chamado Pierre. - Minhas filhas, para seus governos, até as cuecas são de um rapaz que se chama Kelvin clai. - Mas, eu carrão da patroa? - Uh! da patroa vírgula, é de uma mulher que eu não conheço, mais sei que se chama Mercedes. É uma pobreza só. O patrão é o mais cara de pau de todos, quando os amigos de trabalhos vem o visitar ele diz: Vamos tomar uma cachacinha? essa é das boas, é de Vitória de Santo Antão, se é o wisque ele diz: - esse é Jone Uoque. Vocês podem acreditar, a pindaíba é tão grande que as bolsas e as sandálias também são emprestadas - elas pedem sandálias uma tal de Ana bela, Ana Rosa, da Ivete, da Xuxa, as botas é de uma moça lá Rio Grande do Sul, a Renata. AS pobres pra não viverem tão feias, usam a maquiagem alheia, dizeram que é de uma anciã, é da Dona Helena Rubstaen. E o creme? É da Dona Nívea. Meu Deus, até o sabonete é de um tal Senador. Que tristeza, que horror!
"Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões da independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez, Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pala chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça: -Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia". (Carlos Drummond de Andrade).
Não é uma estrela nem é um cometa, Não é um discurso nem é um sermão, É a poesia deusa do sertão! Na vanguarda de cuidar do planeta! Desviar o raio ultravioleta, Apagar queimadas da aba da serra, Cegar o machado e a moto-serra Para inibir o desmatamento, Livrar o planeta do aquecimento, Lavar o espaço e salvar a terra!! Margear de flores o velho caminho! Ajudar a abelha a fazer o mel, Como o cão de caça, amigo fiel, Que não deixa o dono na mata sozinho! Ver o João-de-barro construir o ninho No pé de ameixa perto do oitão! Rever o vaqueiro vestido em gibão, Ouvir o gemido do carro-de-boi! Voltar ao que antigamente foi, Deixar a cidade e morar no sertão. Levar uma vida pacata e serena, Preservar as fontes de nossa cultura, Ter o cordel como a literatura Mais original romântica e amena! Assistir à missa, o culto, a novena, E não descuidar da religião! Respeitar a nossa Constituição Na aplicação dos nossos alcaides, Viver sem estresse sem ódio e sem adis, Sem droga e sem câncer, sem poluição!
As vezes fico pensando! como pode um caipira, sair de seu chão seco, vai para os grandes centros produzir verdadeiros clássicos músicais que se transformam em hinos. Analizando bem, os maiores e melhores cantores da MPB são nordestinos, o que contrariaram as linhas do destino. Zé Ramalho com seu intelecto apurado, sabe tudo. É uma enciclopédia, meu Deus! Minha inveja é do bem. Quero esse cara fazendo muitos milhares de poemas, para alegrar nossos ouvidos.
Sinônimos Sinônimos Zé Ramalho Composição: Chitãozinho e Xororó/ Zé Ramalho
Quanto o tempo o coração, leva pra saber Que o sinônimo de amar é sofrer No aroma de amores pode haver espinhos É como ter mulheres e milhões e ser sozinho Na solidão de casa, descansar O sentido da vida, encontrar Ninguém pode dizer onde a felicidade está
O amor é feito de paixões E quando perde a razão Não sabe quem vai machucar Quem ama nunca sente medo De contar o seu segredo Sinônimo de amor é amar
Quem revelará o mistério que tenha fé E quantos segredos traz o coração de uma mulher Como é triste a tristeza mendigando um sorriso Um cego procurando a luz na imensidão do paraíso Quem tem amor na vida, tem sorte Quem na fraqueza sabe ser bem mais forte
Ninguém sabe dizer onde a felicidade está O amor é feito de paixões E quando perde a razão Não sabe quem vai machucar Quem ama nunca sente medo De contar o seu segredo Sinônimo de amor é amar
O amor é feito de paixões E quando perde a razão Não sabe quem vai machucar Quem ama nunca sente medo De contar o seu segredo Sinônimo de amor é amar
Sinônimo de amor é amar Sinônimo de amor é amar
O amor é feito de paixões E quando perde a razão Não sabe quem vai machucar Quem ama nunca sente medo De contar o seu segredo Sinônimo de amor é amar
Quem revelará o mistério que tem a fé E quantos segredos traz o coração de uma mulher Como é triste a tristeza mendigando um sorriso Um cego procurando a luz na imensidão do paraíso
O amor é feito de paixões E quando perde a razão Não sabe quem vai machucar Quem ama nunca sente medo De contar o seu segredo Sinônino de amor é amar
Doutor, eu tenho razão, De ser meio abilolado, Venho dum tempo marcado Por seca e revolução. Quando eu tinha ano e meio, Escapei de um tiroteio, De meu pai com a bolandeira. Se meu pai ganhou, eu não sei E também nunca perguntei, Nem, sequer, por brincadeira. Vim conhecer a cidade, Quando votei pra prefeito Que por sinal, foi eleito, E, para minha felicidade, Me deu um emprego de guarda, Me entregou uma farda, Um capote, um coturno, Um cacete envernizado, Um apito enferrujado, Eu fui ser guarda noturno. Passeava as noites inteiras, Apitando na cidade, Escola, igreja, cinema, Mercado e maternidade. Nas noites frias do inverno, Eu usava um velho terno, Umas meias de crochê, Bebia quatro cachaças, Dava três voltas na praça E corria pru cabaré. Lá existia de tudo: Discursão, briga, lorota, Uns contava aventura, Outro pagava uma meiota; Quando um bêbado se zangava, Eu ia lá e ajeitava. O bêbado ficava manso, Pagava pra mim uma bebida Eu dava um apito e saía, Na velha ginga de ganso. Até que um dia o prefeito, Fez uma reunião E nela perguntou aos guardas: -Querem aumento ou promoção? Antes de fechar a boca, Eu gritei com voz rouca: -Quero promoção seu Zé! Disse ele tá garantido, Aprovado e promovido, No maior posto que houver. Me deu uma farda nova, Florada,que nem chita enfeitada, De galão, estrela, medalha e fita, Broche, botão e alfinete; Trocou meu velho cacete Por um novo profissional, E me disse: de hoje em diante, Você é comandante, De Guarda Municipal. Pois três meses depois, Veio a guerra mundial E, nesse tempo, uma irmã minha Tava morando em Natal. Eu resolvi visitá-la; Botei a farda na mala, Passei o cargo a Raimundo Que era quase um irmão. Peguei o trem na estação, E me intupigaitei pelo mundo. Eita lugar longe da gota. Quase o trem não chegava mais; Tinha hora que pensava Que ele tava andando pra trás. Entre solavancos e berros, O velho embuá de ferro, Viajou a noite inteira, E de manhã cedo, chegou Deu um apito e parou Na estação da Ribeira. Desembarquei e fiquei Perdido na multidão. Quando eu puxava conversa Ninguém me dava atenção. Quando mais bom dia eu dava, Mais o povo se abusava, Talvez me achando chato. Era um povo diferente, Da qualidade da gente, Das cidadinhas do mato. Perguntei a mais de mil, Se eles davam notícia De Carmelita de Sousa, Uma cabocla mestiça, Mulher do guarda Pompeu, Mais morena do que eu E de cabelo meio ruim, Que morava na Ari Parreira, Que fica perto da feira No bairro do Alecrim. Depois de tanta pergunta, Depois de ouvir tanto não, Me apareceu carmelita, No pátio da Estação, Toda cheia de finesses, Puxando nos Rs e Ss Que nem mulher de doutor, Nem parecia a matuta, Que lavrou a terra bruta, No Sertão do interior. Mesmo assim me recebeu, Na sua casa mudesta, Os primeiros cinco dias, Para nós foram de festa. Quando o sexto dia veio, Resolvi dar um passeio. Mandei engomar a farda, Me banhei, tirei o grude, Me preparei como pude, Para ter um dia de glória. Passei o resto da tarde, Sentado num tamborete, Pregando estrelas, galões, Broche, alfinete, botões, Comprei mais uns acessórios, Enfeitei o suspensório, Feito de sola curtida. De manhã cedo me vesti, Tomei café e sai, Dando risada da vida. Na praça Gentil Ferreira, Aonde tinha um mercado, Eu parei para tomar fôlego, Quando passava um soldado E fez continência para mim. Eu fiquei pensando assim: Que danado ele viu neu, Na certa ta me confundindo, Ou me achando parecido, Com algum colega seu. E haja passar soldado, Fazendo assim com a mão. Daqui a pouco era sargento, Coronel, capitão, cabo, Tenente, major E todo o estado maior, Dos quartéis da redondeza Cumprimentavam-me ali Até hoje nunca vi Tamanha delicadeza. Desfilaram tanques de guerra, Aviões em vôo rasantes, Sirenes tocaram mais fortes, Canhões dispararam distantes. Um praça do Coronel, Puxou do bolso um papel, Onde tinha um letreiro Que dizia: - Em nossa terra Tem um espião de guerra, Que chegou do estrangeiro. Não quis falar com ninguém, Não pergunta e nem responde, Ninguém sabe de onde vem, Ninguém sabe onde se esconde. A sua farda é de cor de ameixa, A impressão que nos deixa, É que é um grande guerreiro, Filho de outra nação, Ou um perigoso espião, Das guerras do estrangeiro. Vamos levá-lo ao quartel, Para uma averiguação, Pois precisamos saber, De onde veio esse espião. Em seguida me levaram Ao quartel e me entregaram Ao Comandante Geral Que, quando me viu fardado, Perguntou meio assustado: - Que tás fazendo em Natal? Donde diabo é essa farda? Faça o favor de informar, E como se chama a nação Que usa uniforme diferente? E quem lhe deu tanta patente? A troco não sei de que. E porque Vossa Excelência Não responde as continências, Afinal, quem é você? -Coronel, eu sou Zé Carrapeta, Sou filho do Cariri. Não sei fazer continência, Pra gente que nunca vi. Porém, nunca fui intruso E, acredite, eu só uso Esse quepe de biriba, Essa farda e esse coturno, Porque sou Guarda Noturno, Em Sapé, na Paraíba. CHICO PEDROZA