Dia do Nordestino - 08 de Novembro

sábado, 25 de julho de 2009

É proibido - Pablo Neruda (poesia)

É proibido
Pablo Neruda

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual."










É permitido
Maria da Paz

É permitido sonhar com um mundo
mais justo e humanitário.
Mas, não é um mundo muito distante não.
Enquanto tomamos banho quente,
passamos creminhos em nosso corpo,
comemos, dormimos em camas confortáveis,
com lençóis quentinhos e cheirozinhos,
nossos irmãos sofrem por aí.
É tanto abandono, tanto descaso.
As pessoas passam e nem
percebem a face faminta, o olhar triste.
O ouvido também é sedento de uma palavra amiga
A mão espera uma atitude.
Mas, nada chega.
O caminho, é solitário.
Os sorrisos não se armam.
E os homens não se reconhecem.
É permitido amar e ser amado
Dar e receber,
Ter piedade e reconhecer o outro.
Amemos-nos!!
Pequena Maria Gigante da Paz

sábado, 18 de julho de 2009

Gabinete - O Sertão é um poema..



O Sertão é um poema
Que a natureza escreveu

No sertão tudo se ensina
O pensamento domina
O homem se desatina
Pensando no grande amor
Ora dar frio, ora calor
E se estar infeliz?
Teu grande amor não te quiz?
Remando na piracema
O sertão é um poema
Que a natureza escreveu


No Sertão a fé aflora
Se pede com devoção
Padre Cícero, Frei Damião
Pra contar essa história
E um passado de glória
Tristeza tomava meu coração
Mas, parti em cima do caminhão
Quem tem coragem não teme
O Sertão é um poema
Que a natureza escreveu
(Maria da Paz)




“Cada povo representa seus heróis históricos ou lendários de determinada maneira variável segundo os tempos; essas representações são conceituais. Enfim, cada um de nós tem determinada noção dos indivíduos com os quais está em contato, do seu caráter, da sua fisionomia, dos traços distintos do seu temperamento físico e moral: essas noções são verdadeiros conceitos”.
(Émile Durkheim, As Formas Elementares de Vida Religiosa, 1912, p.511.).


Filho de camponeses, Pio Giannotti - seu nome de batismo - nasceu a 5 de novembro de 1898, no povoado de Bozzano, na Itália. Na infância já era visto contemplando o crucifixo que carregaria para o resto da vida. Além do altruísmo (certa vez caminhou 30 quilômetros porque dera o bilhete do trem que ia para Bozzano a um mendigo), o moleque impressionava pelo equilíbrio - frequentemente saía pelo vilarejo plantando bananeira. O sonho de ordenar-se sacerdote foi adiado, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Combateu pelo exército italiano e herdou das trincheiras geladas uma infecção na perna que lhe causava dores terríveis (erisipela). Voltou para o seminário e tornou-se padre em 1923.

Pertencente à Ordem dos Capuchinhos, em 1931 recebeu a tarefa de pregar do outro lado do Atlântico, no distante Estado de Pernambuco. Decorou meia dúzia de sermões em português e encarou o desafio. Acompanhado de outro frade, Fernando Rossi, organizou missões que percorreram quase todas as cidades do Nordeste. Costumava chegar à localidade escolhida às segundas-feiras no final da tarde. Às quatro da manhã de terça, ainda na escuridão, a multidão já se comprimia para ver a procissão de penitência.

Disputa pelas sobras - A primeira missa era celebrada às cinco. Uma hora mais tarde, o frade iniciava sua pregação. “No inferno o calor é bilhões de vezes pior que no Nordeste. As labaredas sobem e queimam sem parar o corpo dos adúlteros, das prostitutas, dos afeminados e dos criminosos”, dizia com a voz rouca, quase inaudível. A seguir tomava o café da manhã. As sobras eram disputadas a tapas pelas beatas. “Se ele deixasse um restinho no prato, todo mundo corria para comer”, contou a ISTOÉ Anita Meira, enfermeira que o acompanhou por 30 anos, a partir de 1962. “Não era fome, não. Era devoção. As beatas viviam atrás dele com uma tesourinha, tentando cortar um pedaço da batina”, completa. O dia continuava com outras missas, a reza do terço e as confissões, que duravam até a meia-noite (o horário era facilmente ultrapassado). Então dormia umas poucas horas - roncava como um leão - e no dia seguinte, às quatro da manhã, lá estava o velho capuchinho de novo, com a habitual campainha nas mãos, acordando o povo para ir à igreja. Numa rotina que se repetiu por mais de 60 anos, depois de sete dias Frei Damião se deslocava para outra cidade.

Jerimum com leite - Habituado a comer apenas o que lhe dessem, não escapou das brincadeiras de seu companheiro de pregação, Frei Fernando Rossi. Hospedados numa residência de Bom Jesus (PE), quando a dona da casa perguntou o que deveria servir, Rossi disse que Frei Damião adorava jerimum (abóbora) com leite. Sem reclamar, o capuchinho italiano comeu o mesmo prato durante os três dias seguintes, nas três refeições. Ao deixar o lugarejo, o companheiro debochou: “Como é, Frei Damião, gostou da comida?” Em tom de apelo, ele respondeu: “Nunca mais faça isso, Fernando!”

Contra a minissaia - Inimigo declarado do comunismo, do sexo antes do casamento e da minissaia, Frei Damião espalhou seus milagres por mais de 800 municípios. Nunca se queixou das dores, apenas das limitações que a idade lhe impunha. “Ele ficava chorando no quarto por não poder seguir nas missões”, lembra o Frei Rinaldo Pereira, do Convento São Félix, no Recife, onde o capuchinho morou nos últimos dez anos de vida. Para arrancar-lhe alguns sorrisos, diziam que sua única doença era uma “tercite” - o hábito constante de rezar o terço. Morreu a 31 de maio de 1997, de problemas pulmonares. Até os últimos dias, confessou todos os fiéis que o procuravam. Sem café melado, mas com a conversa cara a cara que o sertanejo nordestino entendia tão bem.
Ingênuo, deixava os políticos se aproximarem para tirar fotos ao lado dele, mais tarde usadas para estampar santinhos de campanha. Num palanque montado para suas pregações em Canafístula (Alagoas), os alicerces cederam com a superlotação de políticos. Frei Damião ficou em situação constrangedora: caiu no colo do prefeito. São e salvo, tratou de tranquilizar os fiéis: “Quebrei só o terço, quebrei só o terço!
Reportagem retirada da Revista Isto é




Frei Damião
Luíz Gonzaga

Frei Damião, onde andará frei Damião
Deu-lhe o destino, viver nordestino
É hoje o nosso irmão

Quando o galo canta na madrugada
Já toda gente de pé benze na procissão
numa marcha santa dentro da alvorada
Vai na frente o homem, o quase santo frei Damião
oh reza e canta, desperta canta
já chegou o tempo ninguém fica ateu vamos pras missões
pecador se ajoelha
em Deus quem se espelha
só pode ter de Frei Damião sua proteção

Frei Damião meu bom Frei Damião
O seu perdão numa confissão faz um bom cristão
Frei Damião meu bom Frei Damião
Eu sou nordestino, eu estou pedindo a sua benção

Pé que pisa a terra, sem caminhos erra
Este beco testa-nos e a gente está nas missões
Quer saber do inverno, quer fugir do inferno
Quem tem devoção com Frei Damião não tem provação

Frei Damião meu bom Frei Damião
O seu perdão numa confissão faz um bom cristão
Frei Damião meu bom Frei Damião
Eu sou nordestino, eu estou pedindo a sua benção(bis)

Frei Damião... Frei Damiããããoooo.

sábado, 11 de julho de 2009

Orgui de cê nordestino do blogg do Rosildo


Garimpando pruculá
Achei "O Nordestinês do blogg do Rosildo
É pra ler e curtir

ORGULHO EM SER NORDESTINO
Nordestinês

Nordestino não fica solteiro, ele fica solto na bagaceira!
Nordestino não vai com sede ao pote, ele vai com a bexiga taboca!
Nordestino não vai embora, ele vai pegar o beco!
Nordestino não diz 'concordo com você', Ele diz: Né issssso, homi!!!!
Nordestino não conserta, ele imenda!

Nordestino quando se empolga, fica com a mulesta dos cachorros!
Nordestino não bate, ele 'senta-le' a mãozada!
Nordestino não sai pra farra... ele sai pro muído, pra bagaça!
Nordestino não bebe um drink, ele toma uma!

Nordestino não é sortudo, ele é cagado!
Nordestino não corre, ele dá uma carreira!
Nordestino não malha dos outros, ele manga!
Nordestino não conversa, ele resenha!

Nordestino não toma água com açúcar, ele toma garapa!
Nordestino não engana, ele dá um migué!
Nordestino não percebe, ele dá fé!
Nordestino não sai apressado, ele sai desembestado!

Nordestino não aperta, ele arroxa!
Nordestino não dá volta, ele arrudeia!
Nordestino não espera um minuto, ele espera um pedacinho!
Nordestino não é distraído, ele é avoado, apombaiado!
Nordestino quando está irritado com alguém que fica 'botando boneco', diz:
Homi largue de frangagem!

Nordestino não fica com vergonha, ele fica encabulado, todo errado!
Nordestino não passa a roupa, ele engoma a roupa!
Nordestino não houve barulho, ele ouve zuada!
Nordestino não acompanha casal de namorados, ele segura vela!
Nordestino não rega as plantas, ele 'agoa' as plantas.

Nordestino não quebra algo, ele tora!
Nordestino não é esperto, ele é desenrolado!
Nordestino não é rico, ele é um cabra estribado!
Nordestino não é homem, ele é macho!
Nordestino não chama 'seu desalmado', ele grita 'infeliz das costa ôca!'

Nordestino não pede almoço, ele pede o cumê
Nordestino não come carne, ele come 'mistura'
Nordestino não lancha, merenda!
Nordestino não fica satisfeito quando come, ele enche o bucho!
Nordestino não dá bronca, dá carão!

Nordestino não fica com raiva, ele 'pega ar'!
Nordestino não casa, ele se amanceba!
Nordestino não tem diarréia, tem caganeira!
Nordestino não tem mau cheiro nas axilas, ele tem suvaqueira!
Nordestino não tem perna fina, ele tem dois cambitos!

Nordestino não é mulherengo, ele é raparigueiro!
Nordestino não se diverte, ele "bota pa decê"!
Nordestino não joga fora, ele rebola no mato!
Nordestino não exagera, ele alopra!
Nordestino não vigia as coisas, ele pastora!

Nordestino não se dá mal, ele se réia, se lasca todinho!
Nordestino quando se espanta não diz: - Xiiii! Ele diz: Viiixi Maria! Aff maria! Nordestino não compara dizendo: - Como é que pode? Ele diz: - Soxtô!
Nordestino não vê coisas de outro mundo, ele vê uns malassombros!
Nordestino não é escroto, é o creca!

Nordestino não é chato, é caningado!
Nordestino não é cheio de frescura, é pantinzeiro!
Nordestino não pula, dá pinote! Nordestino não arranja briga, arranja intriga! Nordestina não fica grávida, fica buxuda!

Nordestino não fica bravo, fica com a gota serena!
Nordestino não é malandro, é cabra de pêia!
Nordestino não fica apaixonado, ele arrêia os pneus todiinho!.
Todo nordestino TEM ORGULHO DE SER NORDESTINO!!!!!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Onildo Barbosa - Homenagem a Zé Marcolino

Tu és som de ventonorte
Voz de viola afinada
Lua cheia que se esconde
Nas nuvens da madrugada
Compêndio que o mundo leu,
Poema que se perdeu,
Na poeira da estrada.

Eu te vejo como astro
E te ouço como um sino
Tu és a voz do agreste
Meu cantador Nordestino,
Flor do campo ventania,
Meu favo de poesia
Tu és JOSÉ MARCOLINO.

Te vejo na rapidez
Do Colibri pequenino
Te ouço sim!! Eu te ouço,
Nas badaladas do sino
Anunciando a partida
Nas lágrimas da despedida
Tu és JOSÉ MARCOLINO.

Tu és flor de Cumarú
Embelezando o sertão
Água barrenta de chuva
Fazendo poças no no chão
Ù és um Zé de outrora,
Para sempre um Zé que mora
Dentro do meu coração.

( SALVE ZÉ MARCOLINO)
Onildo Barbosa
Homenagem a Zé Marcolino

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Ecotáxi - tudo pelo Meio Ambiênte (Globo.com)


Na busca por um veículo de baixo custo, eficiente no uso de combustível e ambientalmente correto, o prefeito de uma cidade nas Filipinas parece ter encontrado o candidato ideal. Rustico Balderian, da localidade de Tabontabon, projetou dois tipos de táxis feitos com bambu e movidos a biodiesel de coco.

Balderian criou esses “ecotáxis” como uma alternativa à dominante – e perigosa – forma de transporte em Tabontabon: a motocicleta. Na cidade, é comum que cinco ou seis pessoas se espremam sobre uma única moto, aumentando as chances de acidentes. Os veículos criados pelo prefeito, além do benefício ambiental, oferecem uma alternativa barata de transporte.
Eco-táxi é feito com 90% de bambu e é coberto por esteira de tecido
O bambu é um material renovável, que não precisa sofrer um processamento complexo antes de ser utilizado e, além disso, tem resistência tão boa quanto a do aço.
Os dois táxis são chamados de Eco 1 e Eco 2. O Eco 1 pode transportar até 20 pessoas sentadas, e roda por cerca de 80 horas com apenas um galão de biodiesel (o equivalente a 3,78 litros), segundo informações das autoridades filipinas. O Eco 2 é menor: comporta oito pessoas. Ambos os veículos são construídos por adolescentes da cidade. Noventa por cento do ecotáxi é feito de bambu – a exceção é o teto, coberto por uma esteira de tecido.




segunda-feira, 29 de junho de 2009

Samarica pareteira - Luiz Gonzaga

SAMARICA PARTEIRA
- Oi sertão!
- Ooi!
- Sertão d' Capitão Barbino! Sertão dos caba valente...
- Tá falando com ele!...
- ...e dos caba frouxo também.
-...já num tô dento.
- Há, há, há... [risos]
- sertão das mulhé bonita...
– ôoopa
- ...e dos caba fei' também ha, ha
- ...há, há, há... [risos]

- Lula!
- Pronto patrão.
- Monte na bestinha melada e risque. Vá ligeiro buscar Samarica parteira que Juvita já tá com dô de menino.

Ah, menino! Quando eu já ia riscando, Capitão Barbino ainda deu a última instrução:
- Olha, Lula, vou cuspi no chão, hein?! Tu tem que vortá antes do cuspe secá!
Foi a maior carreira que eu dei na minha vida. A eguinha tava miada.

Piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri
uma cancela: nheeeiim ... pá...
Piriri piriri piriri piriri piriri piriri
outra cancela: nheeeiim... pá!
Piriri piriri piriri pir... êpa !
Cancela como o diabo nesse sertão: nheeeiim... pá!
Piriri piriri piriri piriri
Um lajedo: patatac patatac patatac patatac patatac . Saí por fora !
Piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri
Uma lagoa, lagoão: bluu bluu, oi oi, kik' k' - a saparia tava cantando.

Aha! Ah menino! Na velocidade que eu vinha essa égua deu uma freada tão danada na beirada dessa lagoa, minha cabeça foi junto com a dela!... e o sapo gritou lá de dentro d'água:
- ói, ói, ói ele agora quaje cai!

... Sapequei a espora pro suvaco no vazi' dessa égua, ela se jogou n'água parecia uma jangada cearense: [bluu bluu, oi oi, kik' k'] Tchi, tchi, tchi.
Saí por fora.

Piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri
Outra cancela: nheeeiim... pá!
piriri piriri piriri piriri piriri piriri

Um rancho, rancho de pobe...
- Au au!
Cachorro de pobe, cachorro de pobe late fino...
- Tá me estranhan'o cruvina?
Era cruvina mermo. Balançô o rabo. Não sei porque cachorro de pobe tem sempre nome de peixe: é cruvina, traíra, piaba, matrinxã, baleia, piranha.
Há! Maguinho mas caçadozinh' como o diabo!
Cachorro de rico é gooordo, num caça nada, rabo grosso, só vive dormindo. Há há ... num presta prá nada, só presta prá bufar, agora o nome é bonito: é white, flike, rex, whiski, jumm.
Há! Cachorro de pobe é ximbica!

- Samarica, ooooh, Samarica parteeeeira!

Qual o quê, aquelas hora no sertão, meu fi', só responde s'a gente dê o prefixo:
- Louvado seja nosso senhor J'us Cristo!
- Para sempre seja Deus louvado.

- Samarica, é Lula... Capitão Barbino mandou vê a senhora que Dona Juvita já tá com dô de menino.
- Essas hora, Lula?
- Nesse instante, Capitão Barbino cuspiu no chão, eu tem que vortá antes do cuspe secá.

Peguei o cavalo véi de Samarica que comia no murturo ? Todo cavalo de parteira é danado prá comer no murturo, não sei porque. Botei a cela no lombo desse cavalo e acochei a cia peguei a véia joguei em riba, quase que ela imbica p'outa banda.

- Vamos s'imbora Samarica que eu tô avexado!
- Vamo fazê um negócio Lula? Meu cavalin' é mago, sua eguinha é gorda, eu vou na frente.
- Que é que há Samarica, prá gente num chegá hoje? Já viu cavalo andar na frente de égua, Samarica? Vamo s'imbora que eu tô avexado!!

Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic
nheeeiim... pá!
Piriri tic tic piriri tic tic
bluu oi oi bluu oi, uu, uu

- ói, ói, ói ele já voltoooou!

Saí por fora.

Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic
Patateco teco teco, patateco teco teco, patateco teco teco

Saí por fora da pedreira

Piriri piriri tic tic piriri tic tic
nheeeiim... pá !
Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic
nheeeiim... pá !
Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic
nheeeiim... pá!
Piriri piriri tic tic piriri tic tic

- Uu uu.

- Tá me estranhando, Nero? Capitão Barbino, Samarica chegou.

- Samarica chegou!!

Samarica sartou do cavalo véi embaixo, cumprimentou o Capitão, entrou prá camarinha, vestiu o vestido verde e amerelo, padrão nacioná, amarrou a cabeça c'um pano e foi dando as instrução:

- Acende um incenso. Boa noite, D. Juvita.
- Ai, Samarica, que dô !
- É assim mermo, minha fi'a, aproveite a dô. Chama as muié dessa casa, p'a rezá a oração de São Reimundo, que esse cristão vem ao mundo nesse instante. B'a noite, cumade Tota.
- B'a noite, Samarica.
- B'a noite, cumade Gerolina.
- B'a noite, Samarica.
- B'a noite, cumade Toinha.
- B'a noite, Samarica.
- B'a noite, cumade Zefa.
- B'a noite, Samarica.
- Vosmecês sabe a oração de São Reimundo?
- Nós sabe.
- Ah Sabe, né? Pois vão rezando aí, já viu??

[vozes rezando]

- Capitão Barbiiino! Capitão Barbino tem fumo de Arapiraca? Me dê uma capinha pr' ela mastigar. Pegue D. Juvita, mastigue essa capinha de fumo e não se incomode. É do bom! Aguenta nas oração, muié! [vozes rezando] Mastiga o fumo, D. Juvita... Capitão Barbino, tem cibola do Cabrobró?
- Ai Samarica! Cebola não, que eu espirro.
- Pois é prá espirrar mesmo minha fi'a, ajuda.
- Ui.
- Aproveite a dor, minha fi'a. Aguenta nas oração, muié. [vozes rezando] Mastigue o fumo D. Juvita.
- Capitão Barbiiino, bote uma faca fria na ponta do dedão do pé dela, bote. Mastigue o fumo, D. Juvita. Aguenta nas oração, muié. [vozes rezando alto].
- Ai Samarica, se eu soubesse que era assim, eu num tinha casado com o diabo desse véi macho.
- Pois é assim merm' minha fi'a, vosmecê casou com o vein' pensando que ela num era de nada? Agora cumpra seu dever, minha fi'a. Desde que o mundo é muundo, que a muié tem que passar por esse pedacinh'. Ai, que saudade! Aguenta nas oração, muié! [vozes rezando alto].Mastigue o fumo, D. Juvita.
- Ai, que dô!
- Aproveite a dô, minha fi'a. Dê uma garrafa pr' ela soprá, dê. Ô, muié, hein? Essa é a oração de S. Reimundo, mermo?
- É..é [muitas vozes].
- Vosmecês num sabe outra oração?
- Nós num sabe... [muitas vozes].
- Uma oração mais forte que essa, vocês num têm?
- Tem não, tem não, essa é boa [muitas vozes]
- Pois deixe comigo, deixe comigo, eu vou rezar uma oração aqui, que se ele num nascer, ele num tá nem cum diabo de num nascer: "Sant' Antoin pequenino, mansadô de burro brabo, fazei nascer esse menino, com mil e seiscentos diabo!"
[choro de criança]

- Nasceu e é menino homem!
- E é macho!
- Ah, se é menino homem, olha se é? Venha vê os documento dele! E essa voz!

Capitão Barbino foi lá detrás da porta, pegou o bacamarte que tava guardado a mais de 8 dia, chegou no terreiro, destambocou no oco do mundo, deu um tiro tão danado, que lascou o cano. Samarica dixe:

- Lascou, Capitão?
- Lascou, Samarica. É mas em redor de 7 légua, não tem fi' duma égua que num tenha escutado. Prepare aí a meladinha, ah, prepare a meladinha, que o nome do menino... é Bastião.

Orlando Rodrigues

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Do Blogg Histórias de Nereida

Garimpando por aí encontrei um
charme no blogg de nereida e copiei



Biólogo não…

Biólogo não come, degusta.
Biólogo não cheira, olfata.
Biólogo não toca, tateia.
Biólogo não respira, quebra carboidratos.
Biólogo não tem depressão, tem disfunção no
hipotálamo.
Biólogo não admira a natureza, analisa o ecossistema.
Biólogo não elogia, descreve processos.
Biólogo não tem reflexos, tem mensagem
neurotransmitida involuntária.
Biólogo não facilita discussões, catalisa substratos.
Biólogo não transa, copula.
Biólogo não admite algo sem resposta, diz que é
hereditário.
Biólogo não fala, coordena vibrações nas cordas
vocais.
Biólogo não pensa, faz sinapses.
Biólogo não toma susto, recebe resposta galvânica
incoerente.
Biólogo não chora, produz secreções lacrimais.
Biólogo não espera retorno de chamadas, espera feed
backs.
Biólogo não se apaixona, sofre reações químicas.
Biólogo não perde energia, gasta ATP.
Biólogo não divide, faz meioses.
Biólogo não faz mudanças, processa evoluções.
Biólogo não falece, tem morte histológica.
Biólogo não se desprende do espírito, transforma sua
energia.
Biólogo não deixa filhos, apresenta sucesso
reprodutivo.
Biólogo não deixa herança, deixa pool gênico.
Biólogo não tem inventário, tem hereditário.
Biólogo não deixa herdeiros ricos, pois seu valor é
por peso vivo.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

2012 - Conselhos para o Fim do Mundo - Maria da Paz







É o fim do mundo, os homens já anunciaram.
Será dia 22 de Dezembro de 2012?
Que absurdo. O mundo Já vem ao longo
da existência do mais feroz dos animais,
que alguém intitulou de racional,
pois, possui raciocínio, razão, pensar.
Ele, o próprio homem vem sendo exterminado, findado.
É um capitalismo sem freio. A cada momento aparece
uma novidade para explorar os recursos naturais.
A previsão do fim do mundo com data marcada,
é uma piada para alguns e desesperadora para outros.
Quantas pessoas em outras épocas já se suicidaram
com notícias iguais a essa e quantas provavelmente
iram enlouquecer, suicidar-se.
O homem se acha muito esperto, desenvolveu a tecnologia.
Quando eu estava ainda na Faculdade, algumas colegas
pretenciosas criaram uma frase para colocar em uma
camisa que dizia: "Não sou Deus, mas conheço a origem da vida... Sou biólogo"
Na oportunidade, me recusei a usar a tal camisa.
Imagina se só porque um indivíduo é biólogo conhece o segredo divino.
Sim, mas eu sei que o espermatozóide se une ao óvulo, zigoto, mórula, blástura, feto, amnio, gestação, dna, genoma, genética, clonagem e blá, bla, bla
Saber tudo isso e muito mais não significa conhecer a origem, mas, sim conhecer um atalho da origem. Porém uma coisa é certa: a destruição do nosso planeta é notória,
grave e necessita de ações urgentes de reversão desse processo, caso contrário não existirá dia marcado para o caos pleno.
Certo dia, um educando me perguntou: Fessora, você é a favor das células troncos?
e eu o respondi: Por que seria contra? as células trocos são nossas, estão contidas no nosso organismo, são naturais, células reservas orgânicas. Isto é, se por ventura me falta célula de um determinado tecido ou órgão, são as células troncos que se transportarão para lá com a missão de substitutas.
Mas, o que isso tem a ver com o fim do planeta em 2012?...

Bom! Não sei onde vai dar essa conversa de fim de mundo
e apesar de não ser poeta, mas, desejando ser,
pois "poeta só é quem Deus quer" e mesmo assim,
escrevi algo que chamei de "Conselhos para o fim do mundo"
Pois poeta que é poeta, não pode perder o censo de humor.





Conselhos pro fim do mundo - Maria da Paz
22 de Junho de 2009

Me diga meu camarada
O que você vai fazer
Nesta data calculada
Para o mundo se acabar
Faltando só quatro dias
Para o Natal festejar
Do ano dois mil e doze
O planeta sumirá

Será que mesmo assim vai comprar
Os presentes e entregar.
Pense bem ao escolher
Pra dinheiro não perder.
Nessa grande confusão,
Vai aquí uma sugestão.
Pra aquela sogra cachaceira,
Dê um paletó de madeira.

Mariinha, toda cheia de saúde,
Compre um tal de ataúde.
Pro sogrão sem compaixão,
Lhe presentei um caixão.
Pra vizinha da direita,
Dê-lhe uma cova bem feita.
Perdoe a Maria Rita,
E dê um laço de fita.

Uma grinalda amarela,
Compre pra tia Isabela.
E pra sua ex-mulher Lêla,
Escolha uma mortalha de seda.
Em cartão postal a Lilia,
Escreva uma ave Maria.
Mande flores brancas,
Pras filhas da Dona Bianca.

Muitas flores coloridas
Pra enfeitar a noite derradeira
Dessa raça companheira
A todos que de ti falaram,
Ofereça um rosário.
E àqueles que te amaram
Faça uma linda declaração.
Faça votos de união
Deseje reencarnação
Não importa o endereço
Esse fim pode ser o começo.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Rojão no sertão - Dapaz Picuí

Dimenhã lá no sertão
Num insiste "pauta" não
O cabra se alevanta
Vai correndo pru currá
Tirar o leite das vaca
Vorta pra casa avexado
Enche o buxo de batata
Macaxera ou coisa assim
E sai ligero, no vento
Alimpa o chiqueiro dos poico
Dar comer e água prus bicho
Pega no cabo da enxada
Alimpano cum capricho
Enquanto sua muié
Vai cuidano do armoço
Entre uma abanada de fogo
E um michido na panela
Vai barreno o terreiro
Pru mode ficar limpim
A galinha tá cherano cumade!
Grita a vizinha que passa
Não é galinha não cumade
E peba! das caçada de assanoite
O papo fica pa traz
E que tem muito o que fazer
Lavar a loiça da janta
Levar luizim pra benzer
Chegada a hora do armoço
Sertanejo lava cara e pescoço
E começa o aivoroço
Tem um balai de bruguelo
Querendo se abufelar
metendo a mão nas panela
...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Origem das festas juninas - pesquisa






Origem da Festa Junina
Existem duas explicações para o termo festa junina. A primeira explica que surgiu em função das festividades ocorrem durante o mês de junho. Outra versão diz que está festa tem origem em países católicos da Europa e, portanto, seriam em homenagem a São João. No princípio, a festa era chamada de Joanina.

O mês de Junho é caracterizado por danças, comidas típicas, bandeirinhas, além das peculiaridades de cada região. É a festa junina, que se inicia no dia 12 de Junho, véspera do Dia de Santo Antônio e encerra no dia 29, dia de São Pedro. O ponto mais elevado da festa ocorre entre os dias 23 e 24, o Dia de São João. Durante os festejos acontecem as quadrilhas, os forrós, leilões, bingos e os casamentos caipiras.

Santo Antônio (13 de junho)

Além de casamenteiro, Santo Antônio é invocado para achar coisas perdidas. É uma prática comum, no dia em sua homenagem, os jovens fazerem simpatias e "adivinhações" para conquistar alguém ou descobrir quando irá se casar.

O padroeiro dos namorados era português, de uma família tradicional de Lisboa e foi ordenado sacerdote aos 23 anos. Seu nome verdadeiro era Fernando de Bulhões e se tornou Antônio quando ingressou na Ordem de São Francisco de Assis. Começou a fazer os primeiros milagres na África, onde foi pregar o evangelho. Morreu em Pádua, na Itália, em 13 de junho de 1231.

Essa é a razão da escolha do dia em sua homenagem. O local de sua morte tornou-se seu sobrenome, ficando então conhecido como Santo Antônio de Pádua.


São João (24 de junho)

Vários costumes juninos representam atos em homenagem a São João. A fogueira, por exemplo, lembra o anúncio do nascimento de João Batista, filho de Isabel e primo de Jesus, à Virgem Maria. Como era noite e Isabel morava em uma colina, esta foi a forma encontrada para o aviso.

Por este motivo, nas noites de junho são montadas fogueiras como forma de celebração. Para a Igreja Católica, o acontecimento significa algo mais, o de preparar a vinda de Jesus. No sertão, o batismo de João também é lembrado com banhos à meia-noite no rio mais próximo.


São Pedro (29 de junho)

Este pescador tornou-se apóstolo e acompanhou todos os atos da vida de Jesus. O trabalho exercido antes de seguir o messias fez com que fosse considerado o santo dos pescadores. Ele é "O porteiro do céu".

A tradição popular interpreta uma passagem bíblica, em que Jesus Cristo diz: "Eu te darei a chave do reino dos céus. A quem abrires será aberta. A quem fechares será fechada".

Assim como Santo Antônio, o dia em sua homenagem é o mesmo de sua morte, que aconteceu em Roma, em 64 d.C. Acredita-se que tenha sido viúvo, um dos motivos para a devoção das viúvas ao santo. Também é costume acender fogueiras e realizar procissões em sua homenagem no dia 29 de junho.
Ritmos e danças típicas das festas juninas

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Daudeth Bandeira - da Paraíba para o mundo

"Pode até existir uma poesia sem música,
mas, nunca deve existir uma música sem poesia"
Maria da Paz





As três coisas melhores deste mundo:
Ouvir música, comer e namorar.
Daudeth Bandeira

Absorto, sisudo e pensativo,
Naveguei pela onda dos prazeres,
Vi nas festas de amores entre os seres
Despertar atração pelo lascivo;
Um amante faminto e emotivo
É mais fácil de se extasiar;
Cordial, auditivo e paladar,
Tudo quanto lhes toca dói mais fundo
As três coisas melhores deste mundo:
Ouvir música, comer e namorar.

Um romântico jantar à luz de velas,
Um café Happy Hour à luz da lua,
Um poético luau numa falua
Ao sonoro rumor de caravelas;
São três festas e há em todas elas
O sentido central peculiar,
De três verbos: comer, ouvir, amar;
Os três são primeiríssimos, sem segundo!
As três coisas melhores deste mundo:
Ouvir música, comer e namorar.

Desfrutei quatro dias num cruzeiro,
Muita música, mulher, dança e comida.
Procurei um sentido para a vida,
Como que caça agulha num palheiro!
Uns artistas cantando o tempo inteiro,
E o povo a comer e a bailar,
O navio de luxo a balançar
Sobre as ondas azuis do mar profundo"




Buchada
A buchada, um dos mais tradicionais pratos da cozinha sertaneja, consiste numa espécie de cozido, preparado com o bucho de bode ou carneiro, recheado com um picadinho do sangue coagulado, tripas e fígado, refogado com hortelã, limão, alho, cebola e temperos. É acompanhado de pirão feito com o caldo onde foi cozido, arroz branco, vermelho ou mexido.

Carne de Bode
A carne de bode ou cabrito se constitui em um dos mais típicos pratos da culinária sertaneja regional. Seja defumado, como carne de sol ou fresco, é preparado de várias maneiras: guizado, assado no forno ou na brasa; cozido em forma de caldeirada; grelhado. De acordo com a maneira como for preparado pode ser servido com o pirão feito do caldo em que foi cozido, com feijão verde, fava, farofa de cuscuz, xerém (angú), arroz vermelho ou arroz mexido.

Carne de Sol
A carne de sol é um dos mais apreciados pratos da cozinha regional. Consiste em carne de boi, salgada e seca ao sol. É servida frita ou assada na brasa, acompanhada de feijão verde, ou fava, farofa, macaxeira, batata doce, manteiga de garrafa (manteiga líquida) e molho vinagrete. Pode ser acompanhada, também, de pirão de leite ou de queijo coalho.
Carne de Sol com Feijão Verde
Carne de sol assada, acompanhada de feijão verde, farofa de jerimum ou de bolão; batata doce; macaxeira; manteiga de garrafa.

Chambaril
Cozido, preparado com osso buco de boi, refogado em temperos. É servido com pirão, feito com o caldo fervendo e farinha de mandioca.

Cozido
Carne do peito e osso buco do boi, charque, toucinho, linguiças, refogadas em temperos e cozidas junto com batata-doce, repolho, couve, jerimum, cenoura, quiabo, maxixe, banana comprida,etc. É servido acompanhado de arroz branco e pirão feito do caldo do cozido.

Dobradinha
Consiste em bucho e tripas de boi; linguiças cortadas em pequenos cubos, refogados e cozidos junto com feijão branco. É servido com farinha de mandioca ou arroz.

Fava
Apresentando um grão maior, a fava é preparada da mesma forma e com os mesmos temperos do feijão. Pode ser de coco, em forma de purê.Temperada com carne de charque, mocotó, tripas, bucho, calabresa, batata, cenoura, abóbora e manteiga da terra. Temperada com leite de coco, acompanhando pratos à base de peixes; cozida com temperos verdes acompanhando pratos de galinha de capoeira, cabidela, bode e porco guizado ao molho. É também servida em forma de pequenos bolinhos, feitos com a fava amassada misturada na farinha de mandioca e passados em molho de pimenta.

domingo, 17 de maio de 2009

A escola - Educar em três tempos: Artur da Távola








Eu educo hoje,
com os valores que eu recebí ontem,
para as pessoas que são o amanhã.
O s valores de ontem, os conheco.
Os de hoje, percebo alguns.
Dos de amanhã, não sei.
Se só uso os de hoje, não educo: complico.
Se só uso os de ontem, não educo: condiciono.
Se só uso os de amanhã, não educo:
Faço experiências às custas das crianças.
Se uso os três, sofro, mais educo.
Por isso, educar pe perder sempre sem perder-se.
Educa quem for capaz de fundir ontens, hojes
e amanhãs, transformando-os num presente
onde o "amor" e o "Livre arbítrio"
sejam as bases.
Palvras sábias de Artur da Távola
-----------------------------------------------------

Ser educador é uma tarefa muito importante.
E por que não dizer árdua e complicada.
Perceber-se diante do seu educando, tentando
descobrir o que é melhor transmitir naquele momento,
com o desejo enorme de acerto e a vontade de passar
todos os conhecimentos possíveis.
Chegando as vezes a dizer-lhe: Viu como é facil?
E para sua surpresa o educando diz: É fácil, mas, eu não entendi.
...

Monólogo
O sujeito trava uma luta com ele mesmo.
É um bombardeio de interrogações na cabeça do infeliz:

Porque, Pra que, como, onde, o que, com quem,
Porque estudar física?
Pra que aprender Química?
Como aprender história?
Onde vou usar a Geografia?
O que fazer com o ensino religioso?
Com quem vou falar o inglês?
É certo que a Língua Portuguesa eu vou precisar.
E também da Matemática pois, quero arranjar uma namorada urgente
e para isso vou ter que saber contar o tempo.
Pela manhã, vou pegar meu carrinho de mão
e vou sair vendendo detergente que a minha irmã aprendeu a fazer e, só em vê-la fazendo, já aprendí. Com isso vou juntar uma grana para comprar confeitos e chocolates para dar-lhe de presente no "Dia dos Namorados, no Aniversário, no Natal, na Pascoa e em outras datas importantes.
Nossa quanto dinheiro, vou gastar.
Não sei quem enventou essas datas,
só pra gente gastar dinheiro.
E é por isso que eu vou precisar da Matemática,
pra somar os prejuízos, ou melhor,pra contar o meu lucro.
E se a gente for casar? E se for ter filhos? Meu Deus.!!!
Gastar pra pagar o casório na Igreja e no cartório,
E o batizado dos meninos? Pôxa, ainda bem que os registros
hoje em dia são de graça, é só pedir um documento no Conselho Tutelar.
E a feira? Mas vamos pensar nisso depois, muito depois.
Bom! mas, voltando para o meu cotidiano, quando eu chegar das vendas dos detergentes, vou dividir o apurado com minha irmã, afinal, ela está me ajudando na produção dos detergentes. E vou também dar uma voltinha rápida na vizinhança, na esperança de encontrar umas garrafas "pett". Porque será que se chamam pett, essas garrafas de regrigerantes? Mas, isso não importa. Em seguida vou almoçar fora. Tô podendo! Vou num tal de "self service". Quase que eu não sei nem pronunciar esse nome! Ainda bem que não tenho que o escrever!. Ja no restaurante, me servindo, levando o prato à balança, na notinha o sujeito anota 0,885Kg. Dar pra entender, meu Deus ! comida para um elefante e a gritaria começa! Moço essa balança está quebrada, quase uma tonelada. Mas, logo tudo se acalma; 885 gramas. Quase um 1 quilo. Como muito, pois quero ser forte, ter saúde. Os alimentos são importantes. Meu prato parece mais um arco-íris, colorido. Depois do almoço é sempre bom, dar um tempo, como dizem por aí, pra comida chegar na barriga!, pra fazer a digestão! Na parte da tarde, eu não sou de ferro, jogar uma bolinha, essa história de vida sedentária mata negrinho por aí. Exercício físico é tudo de bom, para a saúde. Tá quase na hora de ir pra casa da namorada: É hoje! banho bem tomado, cabelo lavado, ouvidos limpos, unhas lixadas e aparadas, planta do pé, eu esfrego numa pedrinha, É que pé rachado não faz bem para a saúde, sabe? E os dentes? bem escovas, língua limpa, enfim, um banho de faxina. Na casa da doidinha, 7 horas em ponto, as nove tenho que pegar caminho de volta pra casa! Esse tal de sogro! é melhor não contrariar. Mas, e sos beijinhos? Só pensava nisso! Avancei e a menina disse: stop! meu ded tá vendo!!!
E eu? Oh my god!! Faço o que agora? O velho vai se encostando, se encostando. Olha o papo do camarada! - Gosta de noticiário? Sim. Claro que sim. Pois vamos ver agora essa reportagem sobre o descongelamento das calotas polares e também sobre a Patagonia. Você sabe onde é a Patagonia? Ei, vamos concordar que resposta de quem não tem certeza do que diz, é sempre uma pergunta. - A Patagonia? claro, claro!!
Começa o noticiário, graças a Deus. Mas, nessa eu mesmo me peguei. Onde diabo seria a Patogonia. Ainda bem que eu ia assistir o tal noticiário pra ficar mais que depreza sabendo onde é a Pa-ta-gô-nia. Região desértica e gelada entre o Chile e a Argentina, disse a reporter. Que engraçado! Aquí no Continente americano. E eu que pensei que essa regiões geladas ficassem longe, muito longe. Ufa! Até que enfim, mas, beijinhos, nada, never, never...Já em casa, pensando em tudo que pode acontece em apenas um dia com um indivíduo, a conclusão é que me dei conta de que nada sei, e agora?

sábado, 16 de maio de 2009

Santanna - O cantador disse:

Aprendi a cantar sem professor,
com a graça de Deus eu sou um poeta!
Não venha me chamar de analfabeto
exibindo o diploma de doutor!
No congresso em que eu for competidor
vou ganhar de você de dez a zero.
Meu amigo eu vou ser muito sincero,
se eu deixar de cantar não sou feliz,
Ser poeta eu sou por que Deus quis,
Ser doutor eu não sou porque não quero

sábado, 9 de maio de 2009

Pra que dividir - Flavio José - cd 2009




CD: 'DOM CRISTALINO'

DOM CRISTALINO é o mais novo CD de Flávio José após um jejum de dois anos.
DOM CRISTALINO remete à linguagem e sonoridade dos discos mais significativos de sua carreira. Neste 17° CD, o ouvinte irá encontrar os mesmos traços das obras anteriores. É uma produção coerente que dá continuidade ao estilo que o artista sempre abraçou.
DOM CRISTALINO traz um Flávio José experiente, esbanjando pleno domínio da arte, seja através da técnica vocal esmerada, seja na harmonia simétrica dos seus xotes marcados pelo zabumba sempre altivo, pulsando feito batidas de um coração apaixonado ou seja pela poética seleção do repertório escolhido.
DOM CRISTALINO traz músicas que denotam a sua identidade. É um trabalho maduro, de personalidade, exibindo um Flávio José com o seu estilo inconfundível de tocar e interpretar, fruto da sua busca pelo aprimoramento das sonoridades orgânicas.
É uma obra marcante, apaixonante. Entre os inúmeros versos, espalhados pelas doze faixas, o artista vai revelando-se através das letras quase autobiográficas: 'Eu tenho o sangue latino e canto desde menino, isso é coisa do destino que a natureza doou (...) eu tenho o dom cristalino, sou modesto tocador.'
Ele segue brindando os fãs com pérolas dos grandes compositores nordestinos. São doze faixas entre xotes, baiões e arrasta-pés, fruto de sua parceria vitoriosa com autores reconhecidamente criativos.
Flávio Leandro volta assinando três faixas: 'Minha Mãe', 'Fuxico' e 'O Rei da Garapa', um avivamento ao posicionamento cívico com seu xote politicamente correto: 'Se o brasileiro não fosse tão estrangeiro com certeza o mundo inteiro vinha lhe admirar'.
Do auxílio luxuoso de Dorgival Dantas, Flávio interpreta o arrasta-pé festivo 'Juntando os Troços'e o megahit 'Vá Embora!' sucesso virtual, lançado exclusivamente pelo site do artista e só agora devidamente registrado em CD.
A dupla Marquinhos Maraial e Edu Lupa assinam 'Pra Quê Dividir?' que já chega com jeitão de hit maker, caindo em cheio no gosto popular.
Flávio José ainda privilegia os seus antigos parceiros com gravações de Miguel Marcondes 'Linha Cigana', Anchieta Dali e Carlos Vilela 'Dança da Vida' e Maciel Melo e Maestro Genaro 'A Ponteira e o Pião'.
Dom Fontinelli, brinda o artista com os versos de 'O Meu Direito', fazendo, pelas entrelinhas, uma ilação sobre Flávio José e sua obra, com narrativa na primeira pessoa: 'eu só quero uma chance, produzir, não perder a dignidade, não comungo com tanta hipocrisia, o que faço, enfim, me dá orgulho, minha luta não pode ser em vão, vou trilhar como quer o meu destino, escrever minha história nesse chão.'
E novamente Pinto do Acordeom marca presença com mais um xote carregado de amor 'A Força de uma Paixão'e com 'Dom Cristalino'cançãoque empresta o seu título ao CD.
DOM CRISTALINO é uma dessas raras obras que tocam o ouvinte pela singeleza de suas mensagens. É para ouvir, se deleitar e para provocar emoções. É uma obra imprescindível na coleção de todo brasileiro que se orgulha em ser essencialmente nordestino.
Direto do Blog de Flávio José
Apesar de Dom Cristalino ser o título do novo Cd,
"Pra que dividir" promete e será o carro-chefe desse lindo trabalho. Compositores de alto nível para compor o nosso cotidiano

PRA QUE DIVIDIR?

Tô precisando de um aconchego
No seu cobertor
A gente tem que se aquecer
De novo com a mesma garra
O nosso beijo já perdeu a graça
Não tem mais calor
A gente tem que encontrar um jeito
De arrumar a casa

Se ligue aí que estou te dando a deixa
Pra reconstruir a nossa união
Mexer na brasa açoitando o fogo
Pra aquecer de novo a nossa paixão
A gente tá perdendo muito tempo
Assim na base do "só vou se você for"
Eu te convido pra tentar de novo
Em nome desse amor

Pra quê dividir?
Se separando um do outro
Vai ser igual a sofrer
Pra quê dividir?
Se pra nós dois ganhar vai ser melhor
Somar eu e você
Pra quê dividir?
Se ainda temos tanto pra viver
Dividindo o coração da gente
É que vai perder

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Cultura em foco - Da Paz



Araruna
Festa Junina - quadrilha
Boi de reis



Escolinha de flauta doce - Toda diferença no Sertão




Literatura de cordel





Escolinha de flauta doce - Toda diferença no Sertão