Dia do Nordestino - 08 de Novembro

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Os sete constituintes - Antonio Francisco




                                                                                                                                                                                                   
                           OS SETE CONSTITUINTES 
                            Quem já passou no sertão
E viu o solo rachado,
A caatinga cor de cinza,
Duvido não ter parado
Pra ficar olhando o verde
Do juazeiro copado.




                                E sair dali pensando:
Como pode a natureza
Num clima tão quente e seco,
Numa terra indefesa
Com tanta adversidade
Criar tamanha beleza.




                               O juazeiro, seu moço,
É pra nós a resistência,
A força, a garra e a saga,
O grito de independência
Do sertanejo que luta
Na frente da emergência.


                      Nos seus galhos se agasalham
Do periquito ao cancão.
É hotel do retirante
Que anda de pé no chão,
O general da caatinga
E o vigia do sertão.




                           E foi debaixo de um deles
Que eu vi um porco falando,
Um cachorro e uma cobra
E um burro reclamando,
Um rato e um morcego
E uma vaca escutando.



                              Isso já faz tanto tempo
Que eu nem me lembro mais
Se foi pra lá de Fortim,
Se foi pra cá de Cristais,
Eu só me lembro direito
Do que disse os animais.



                               Eu vinha de Canindé
Com sono e muito cansado,
Quando vi perto da estrada
Um juazeiro copado.
Subi, armei minha rede
E fiquei ali deitado.




                           Como a noite estava linda,
Procurei ver o cruzeiro,
Mas, cansado como estava,
Peguei no sono ligeiro.
Só acordei com uns gritos
Debaixo do juazeiro.




                         Quando eu olhei para baixo
Eu vi um porco falando,
Um cachorro e uma cobra
E um burro reclamando,
Um rato e um morcego
E uma vaca escutando.



                                  O porco dizia assim:
– “Pelas barbas do capeta!
Se nós ficarmos parados
A coisa vai ficar preta…
Do jeito que o homem vai,
Vai acabar o planeta.




                          Já sujaram os sete mares
Do Atlântico ao mar Egeu,
As florestas estão capengas,
Os rios da cor de breu
E ainda por cima dizem
Que o seboso sou eu.




                          Os bichos bateram palmas,
O porco deu com a mão,
O rato se levantou
E disse: – “Prestem atenção,
Eu também já não suporto
Ser chamado de ladrão.



                                               
                      O homem, sim, mente e rouba,
Vende a honra, compra o nome.
Nós só pegamos a sobra
Daquilo que ele come
E somente o necessário
Pra saciar nossa fome.”




                            Palmas, gritos e assovios
Ecoaram na floresta,
A vaca se levantou
E disse franzindo a testa:
– “Eu convivo com o homem,
Mas sei que ele não presta.



                              É um mal-agradecido,
Orgulhoso, inconsciente.
É doido e se faz de cego,
Não sente o que a gente sente,
E quando nasce e tomando
A pulso o leite da gente.



                              Entre aplausos e gritos,
A cobra se levantou,
Ficou na ponta do rabo
E disse: – “Também eu sou
Perseguida pelo homem
Pra todo canto que vou.



                         Pra vocês o homem é ruim,
Mas pra nós ele é cruel.
Mata a cobra, tira o couro,
Come a carne, estoura o fel,
Descarrega todo o ódio
Em cima da cascavel.


                                                     
                           É certo, eu tenho veneno,
Mas nunca fiz um canhão.
E entre mim e o homem,
Há uma contradição
O meu veneno é na presa,
O dele no coração.


                         Entre os venenos do homem,
O meu se perde na sobra…
Numa guerra o homem mata
Centenas numa manobra,
Inda tem cego que diz:
Eu tenho medo de cobra.”



                              A cobra inda quis falar,
Mas, de repente, um esturro.
É que o rato, pulando,
Pisou no rabo do burro
E o burro partiu pra cima
Do rato pra dar-lhe um murro.


                                          
                            Mas, o morcego notando
Que ia acabar a paz,
Pulou na frente do burro
E disse: – “Calma, rapaz!…
Baixe a guarda, abra o casco,
Não faça o que o homem faz.”


                           O burro pediu desculpas
E disse: – “Muito obrigado,
Me perdoe se fui grosseiro,
É que eu ando estressado
De tanto apanhar do homem
Sem nunca ter revidado.”



                           O rato disse: – “Seu burro,
Você sofre porque quer.
Tem força por quatro homens,
Da carroça é o chofer…
Sabe dar coice e morder,
Só apanha se quiser.”



                            O burro disse: – “Eu sei
Que sou melhor do que ele.
Mas se eu morder o homem
Ou se eu der um coice nele
É mesmo que estar trocando
O meu juízo no dele.


                           Os bichos todos gritaram:
– “Burro, burro… muito bem!”
O burro disse: – “Obrigado,
Mas aqui ainda tem
O cachorro e o morcego
Que querem falar também.”



                       O cachorro disse: – “Amigos,
Todos vocês têm razão…
O homem é um quase nada
Rodando na contramão,
Um quebra-cabeça humano
Sem prumo e sem direção.



                            Eu nunca vou entender
Por que o homem é assim:
Se odeiam, fazem guerra
E tudo o quanto é ruim
E a vacina da raiva
Em vez deles, dão em mim.”



                          Os bichos bateram palmas
E gritaram: – “Vá em frente.”
Mas o cachorro parou,
Disse: – “Obrigado, gente,
Mas falta ainda o morcego
Dizer o que ele sente.”



                            O morcego abriu as asas,
Deu uma grande risada
E disse: – “Eu sou o único
Que não posso dizer nada
Porque o homem pra nós
Tem sido até camarada.



                          Constrói castelos enormes
Com torre, sino e altar,
Põe cerâmica e azulejos
E dão pra gente morar
E deixam milhares deles
Nas ruas, sem ter um lar.”



                             O morcego bateu asas,
Se perdeu na escuridão,
O rato pediu a vez,
Mas não ouvi nada, não.
Peguei no sono e perdi
O fim da reunião.



                           Quando o dia amanheceu,
Eu desci do meu poleiro.
Procurei os animais,
Não vi mais nem o roteiro,
Vi somente umas pegadas
Debaixo do juazeiro.


                  
                        Eu disse olhando as pegadas:
Se essa reunião
Tivesse sido por nós,
Estava coberto o chão
De piubas de cigarros,
Guardanapo e papelão.



                            Botei a maca nas costas
E saí cortando o vento.
Tirei a viagem toda
Sem tirar do pensamento
Os sete bichos zombando
Do nosso comportamento.



                           Hoje, quando vejo na rua
Um rato morto no chão,
Um burro mulo piado,
Um homem com um facão
Agredindo a natureza,
Eu tenho plena certeza:
Os bichos tinham razão.
   

                                                               

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Poema de Gregório de Mattos

A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha;

Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um bem frequente olheiro,
Que a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para o levar à praça e ao terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos sob os pés de homens nobres,
Postas nas palmas toda a picardia,

Estupendas usuras nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.
(“Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia”)






terça-feira, 8 de outubro de 2013

Perdido na matutagem Onildo barbosa.


Hoje é o Dia do Nordestino
Parabéns para nós.
Ei ! Qui diabé isso, quanto mais os cabra discriminam nordestino, mais eu tenho orgulho de ser nordestino.



Perdido na matutagem 
Onildo barbosa.

Quem perguntar quem sou eu, 
Eu nem sei lhe arresponder 
Eu sou um pobre matuto, 
Que nasceu só pro nascer 
Vivo num mundo sem crença 
Desafiando as sabença 
Dos dr. bem estudado,, 
Sou coroné sem patente 
Na estrela do sol quente, 
Meu pensamento é forjado.


Sou cabra desconfiado 
Feito preá de serrote 
Sou perdido, sou achado, 
De tudo eu sou um magote; 
Sou grito de lavandeira, 
Sou cururú de biqueira, 
Sou promode, sou que nem, 
Que nem tudo eu sou um pouco 
Sou sertanejo, cabôco 
Que nunca invejou ninguém.


Sou caldo de cana puro 
Na bica do moedor, 
Calango de pé de muro 
Se escondendo do calor, 
Sou rangido de porteira, 
Cigarra de catingueira, 
Assovio de caipora,, 
Vento que espanta o sofrer, 
Cuma quem vem pra dizer, 
Que a chuva ainda demora.


Sou uricurí maduro, 
No festejo dos meninos 
Sou moleque sem futuro 
Dos cafundós nordestinos 
Sou a correia da sela 
Que prende o nó da fivela 
Da cangáia do jumento,, 
Sou da tropa desgarrada 
Que bota o pé na estrada 
Pra fugir do sofrimento.


Sou cariri, sou bibocas 
Vale estreito, sou riacho, 
Sou corredor das tabocas 
Sou café feito no taxo, 
Sou abelha jandaíra 
Sou mocó de macambira 
Com medo de caçador,, 
Sou matuto, pé no chão, 
Mas nos dias de eleição 
Eu também sou eleitor. 
Sou eleitor com vontade! 
Chega dá nó na garganta 
Votando pela verdade 
E às vezes nem adianta 
Muitas vezes tem votado, 
Em prefeito deputado, 
Que se diz amigo meu,!! 
Cumprimenta-me, abraça, 
Depois que a política passa 
Nunca mais se lembra deu.


Eu sou o zé da enxada 
Da foice, do jereré, 
Talvez um zé quase nada 
Mas não deixo de ser zé 
Zé da lenha, do roçado, 
Zé pastorador de gado, 
Tangedor de burro manco, 
Zé do povo, zé ninguém 
Zé, que não tem um vintém 
Nem no bolso nem no banco.


Sou miolo de pereiro, 
Insistente e cabeçudo 
Que crer num deus verdadeiro 
Um deus a cima de tudo. 
Um deus de quem eu sou filho 
Deus da espiga do milho, 
Deus da fulô do feijão, 
Nesse sim eu acredito 
Sem pai nosso, sem bendito, 
Igreja ou religião.


Sou grito de patorí 
Flexa- peixe na lagoa 
Pescador de lambari 
No balançar da canoa 
Muito mais que tudo isso, 
Sou abelha de cortiço 
Com seu corpo pequenino, 
Nesse vai e vem medroso, 
Traçando o mel saboroso 
Na colméia do destino.


Eu sou casaca de couro 
Sou espora de metal 
Sou zumbido de besouro 
No pendão do milharal 
Eu sou o brilho da onda 
A lua cheia, redonda, 
Branquinha da cor de um véu, 
Emborcada sobre a mata 
Igual um prato de prata 
No guarda louças do céu 
Fim 
Agosto de 2006

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O vento na Ilha - Pablo Neruda

O Vento na Ilha
O vento é um cavalo
Ouça como ele corre
Pelo mar, pelo céu.
Quer me levar: escuta
como recorre ao mundo
para me levar para longe.

Me esconde em teus braços
por somente esta noite,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável.

Escuta como o vento
me chama calopando
para me levar para longe.

Com tua frente a minha frente,
com tua boca em minha boca,
atados nossos corpos
ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa me levar.

Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque
galopando eu, emergido
debaixo teus grandes olhos,
por somente esta noite

descansarei, amor meu.


terça-feira, 23 de julho de 2013

Sinônimo de amor é amar


Sinônimos Chitãozinho e Xororó

Quanto o tempo o coração
Leva prá saber
Que o sinônimo de amar
É sofrer...
No aroma de amores
Pode haver espinhos
É como ter
Mulheres em milhões
E ser sozinho..
Na solidão de casa
Descansar
O sentido da vida
Encontrar
Quem pode dizer
Onde a felicidade está...
O amor é feito de paixões
E quando perde a razão
Não sabe quem vai machucar
Quem ama nunca sente medo
De contar o seu segredo
Sinônimo de amor é amar...
Quem revelará o mistério
Que tem a fé
E quantos segredos traz
O coração de uma mulher
Como é triste a tristeza
Mendigando um sorriso
Um cego procurando a luz
Na imensidão do paraíso
Quem tem amor na vida
Tem sorte
Quem na fraqueza sabe
Ser bem mais forte
Ninguém sabe dizer
Onde a felicidade está...
O amor é feito de paixões
E quando perde a razão
Não sabe quem vai machucar
Quem ama nunca sente medo
De contar o seu segredo
Sinônimo de amor é amar...(2x)
Quem revelará o mistério
Que tem a fé
E quantos segredos traz
O coração de uma mulher
Como é triste a tristeza
Mendigando um sorriso
Um cego procurando a luz
Na imensidão do paraíso...
O amor é feito de paixões
E quando perde a razão
Não sabe quem vai machucar
Quem ama nunca sente medo
De contar o seu segredo
Sinônimo de amor é amar...(2x)


Poesia concreta - retirada do banco de Dados da web


No ar minha folhas dançam
Na água meu tronco flutua
No meu leito as pessoas se guardam
Do Sol, da chuva, da lua
Desta Lua que só é vista pelos apaixonados
Que com um abraço acabam com o frio do interno
Que com um simples olhar esquecem do peito machucado
Ebordam em mim um coração de amor eterno.


Soneto de Fidelidade